Soldados das Forças de Autodefesa do Japão chegaram na quinta-feira à província de Akita para ajudar no combate a uma onda de ataques de ursos. A região montanhosa vive o maior número de incidentes fatais em décadas. Autoridades locais afirmam que as medidas tradicionais já não bastam.
O governador de Akita, Kenta Suzuki, descreveu a situação como crítica. Ele pediu apoio federal depois que as equipes locais de caça e controle de vida selvagem mostraram sinais de esgotamento.
Militares atuam com logística sem abater animais
As tropas não podem matar os ursos. A lei japonesa reserva o abate para caçadores licenciados. Os soldados transportam armadilhas, removem carcaças e auxiliam em operações de campo.
Essa colaboração atende a um pedido formal das autoridades de Akita. O ministro da Defesa Shinjiro Koizumi justificou a medida como resposta natural aos governadores locais.
- As Forças de Autodefesa instalam armadilhas em áreas de risco
- Tropas transportam carcaças abatidas por caçadores
- Equipes evitam confronto direto com os animais
- Apoio se concentra em logística e suporte operacional
Gifu testa drones com sons de latidos e fogos de artifício
Na província central de Gifu, o governo estadual experimenta uma solução tecnológica. Drones equipados com alto-falantes emitem latidos de cães e sons de fogos de artifício para espantar os ursos. O equipamento ganhou cores chamativas e olhos grandes para aumentar o efeito de intimidação.
Funcionários da prefeitura afirmam que a ferramenta permite resposta rápida em áreas agrícolas e trilhas. Testes ocorrem em vales onde os animais invadem pomares de maçãs e pêssegos.
Número de mortos supera recordes anteriores
Pelo menos 13 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em ataques de ursos desde abril. Os números são os mais altos desde o início dos registros oficiais em 2006. Akita concentra boa parte dos casos fatais.
Incidentes recentes incluem agressões em supermercados, trilhas e até ruas de cidades pequenas. Um turista espanhol foi arranhado por um filhote em um local histórico. Um corredor precisou lutar com um animal antes de escapar.
Fatores ambientais e demográficos impulsionam o problema
Especialistas apontam para uma combinação de elementos. A baixa colheita de bolotas neste ano deixou os ursos mais famintos e dispostos a se aproximar de áreas habitadas. Mudanças climáticas também alteram os padrões de hibernação e busca por alimento.
A população de ursos cresceu nas últimas décadas. Proteções ambientais desde os anos 1990 permitiram a recuperação dos animais. Estimativas indicam mais de 42 mil ursos-negros asiáticos em Honshu e cerca de 12 mil ursos-pardos em Hokkaido.
O envelhecimento da população rural e o êxodo de jovens para grandes cidades deixaram vilarejos com menos vigilância. Terras agrícolas abandonadas viraram fonte de alimento fácil para os animais.
Tensão cultural entre conservação e segurança
Tradições xintoístas e budistas valorizam o respeito pela natureza. Em algumas regiões, os ursos são vistos como divindades das montanhas. Ao mesmo tempo, os ataques geram medo real entre moradores.
Grupos de conservação como o Kumamori defendem soluções não letais e recuperação de habitats. Outras vozes pedem maior controle populacional. O debate ganha força a cada outono, quando os incidentes costumam aumentar.
Moradores de Akita adotaram rotinas de precaução. Muitos chacoalham maçanetas de portas antes de sair de casa. Acampamentos e piqueniques diminuíram na temporada de outono.
Medidas adicionais em estudo
A Agência Nacional de Polícia autorizou a tropa de choque a atirar em áreas residenciais quando caçadores não chegarem a tempo. Autoridades também avaliam câmeras com inteligência artificial para vigilância.
O problema deve persistir nos próximos anos. Especialistas preveem mais encontros entre humanos e ursos à medida que o clima continuar a mudar e as florestas se expandirem em áreas rurais.

