Drones ucranianos atingiram São Petersburgo, cidade natal do presidente Vladimir Putin, pouco antes da abertura do Fórum Econômico Internacional. Os ataques tiveram como alvo terminais petrolíferos e uma base militar, gerando colunas de fumaça visíveis na região. O incidente ocorreu no mesmo dia em que líderes políticos e empresariais de mais de 130 países estavam programados para participar do evento.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy elogiou as ações, descrevendo os impactos como um “bom resultado” das unidades de drones. A presença de uma delegação do partido AfD no fórum, no entanto, provocou fortes críticas de políticos alemães de outros partidos. Essas participações são vistas como uma oportunidade de propaganda para a Rússia em meio ao conflito contínuo.
Alvos e interrupções em São Petersburgo
As autoridades de São Petersburgo emitiram alertas aos moradores e visitantes sobre a ameaça de drones. Mensagens de texto avisavam sobre possíveis interrupções na internet móvel. O terminal petrolífero e um alvo militar puro no distrito de Kronstadt, onde a Marinha russa mantém sua base no Mar Báltico, foram os locais atingidos. Imagens de densas colunas de fumaça preta circularam amplamente nas redes sociais após os ataques.
O tráfego aéreo no Aeroporto Pulkovo de São Petersburgo precisou ser temporariamente interrompido devido à situação. O impacto dos drones serviu como um alerta claro da Ucrânia, estrategicamente posicionado para coincidir com o início de um dos eventos econômicos mais importantes da Rússia. A ação busca perturbar a narrativa de normalidade que Moscou tenta projetar.
Delegação da AfD gera controvérsia na Alemanha
Uma delegação do partido AfD chegou ao Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF), um evento anual organizado pelo governo russo. Essa participação gerou fortes críticas de outros partidos políticos alemães. O fórum, que se descreve como uma plataforma para “diálogo entre os círculos empresariais da Rússia, dos mercados emergentes e do mundo”, contou com representantes de diversas nações.
- Os políticos da AfD presentes incluíram:
- Markus Frohnmaier
- Steffen Kotré
- Jörg Urban
- Petr Bystron
Jürgen Hardt, porta-voz de política externa da CDU/CSU, questionou a decisão, chamando-a de “estupidez”. Ele argumentou que a visita oferecia a Putin uma oportunidade de propaganda em um momento crítico da guerra na Ucrânia, aumentando o perigo para a Alemanha e prejudicando a Ucrânia. A liderança do partido AfD, desta vez, manteve-se afastada, com Frohnmaier assumindo a organização e comunicação da viagem.
Posicionamento de Zelenskyy e AfD sobre os ataques
Volodymyr Zelenskyy, presidente da Ucrânia, confirmou os ataques com drones. Ele ressaltou que os impactos eram um “bom resultado” do esforço conjunto de unidades de drones de vários ramos das forças armadas e serviços de inteligência. A declaração reforça a estratégia ucraniana de atingir alvos estratégicos em território russo.
Em contrapartida, um porta-voz do grupo parlamentar da AfD defendeu a ida ao fórum, alegando a importância de manter contato com todas as partes e preservar canais de comunicação abertos. Kotré e Urban declararam a intenção de publicamente se distanciar da política do governo alemão em relação à Rússia durante a visita. Kotré afirmou em um podcast: “Defendemos a cooperação com a Rússia, o fim das sanções, o fim da ajuda militar à Ucrânia e, em vez disso, a diplomacia da paz”.
Empresas alemãs também são criticadas por presença
Além da delegação política da AfD, a participação de empresas alemãs no fórum econômico também foi alvo de críticas. Roderich Kiesewetter, especialista em política externa da CDU, expressou preocupação ao jornal Handelsblatt. Ele afirmou que empresas alemãs que buscam acordos com “um criminoso de guerra em São Petersburgo” estão minando os interesses de segurança nacional e a credibilidade internacional da Alemanha.
Sebastian Roloff, político do SPD, descreveu a participação das companhias como um “sinal catastrófico”. Os políticos alemães enfatizaram a necessidade de solidariedade com a Ucrânia e a importância de não legitimar as ações russas no cenário internacional. A pressão sobre as empresas reflete a complexidade das relações econômicas e políticas em um contexto de conflito.

