O Sol liberou uma sequência de três erupções solares significativas entre a noite de 2 de junho e a manhã de 3 de junho. A região de manchas solares 4455, voltada para a Terra, produziu os eventos de classes M9.3, M7.9 e X1. Os fenômenos geraram apagões de rádio em diferentes partes do planeta e elevaram as chances de tempestades geomagnéticas nos próximos dias.
Cientistas acompanham a possibilidade de ejeções de massa coronal (CMEs) direcionadas ao nosso planeta. Uma delas deve chegar ainda nesta semana. O alerta de tempestade geomagnética G3 foi emitido para o período entre 4 e 6 de junho.
Região 4455 concentra atividade solar elevada
A região 4455, localizada no hemisfério norte do Sol, mostrou instabilidade ao longo das últimas horas. A primeira erupção, de magnitude M9.3, atingiu o pico às 01h36 GMT de 3 de junho. Pouco depois, veio a M7.9, por volta das 07h00 GMT. A mais forte, de classe X1, ocorreu às 11h28 GMT.
Essa sequência rápida surpreendeu observadores. A região continuava em crescimento de complexidade, o que mantém elevado o risco de novas erupções nos próximos dias.
Os eventos provocaram diferentes níveis de interrupção nos sinais de rádio de alta frequência. O apagão associado à X1 foi classificado como R3, o mais forte da série, e afetou partes da Europa e da Ásia.
- Erupção M9.3 gerou R2 no Leste Asiático e Austrália
- Erupção M7.9 causou R2 na Europa e África
- Erupção X1 provocou R3 em regiões da Europa e Ásia
Apagões de rádio afetam comunicações
Os apagões de rádio ocorreram em horários distintos conforme a posição da Terra em relação ao Sol. O primeiro impacto moderado atingiu áreas voltadas para o evento inicial. O mais intenso, ligado à erupção X1, comprometeu transmissões por um período mais longo.
Operadores de rádio amador e sistemas de comunicação por satélite registraram as interferências. Não há relatos de danos permanentes até o momento, mas o episódio reforça a vulnerabilidade de tecnologias dependentes de sinais de rádio durante picos de atividade solar.
A física de clima espacial Tamitha Skov comentou a progressão da região 4455. Ela destacou o aumento de complexidade e o potencial contínuo para eventos de classe X nas 72 horas seguintes.
CMEs podem chegar à Terra a partir de quinta-feira
Pelo menos uma ejeção de massa coronal fraca, porém rápida, acompanha a erupção M9.3 e deve alcançar o planeta em 4 de junho. Outras duas possíveis CMEs estão em análise quanto à trajetória exata.
O Met Office do Reino Unido e o Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA monitoram os dados. O alerta G3 indica possibilidade de atividade geomagnética entre G1 e G3, com chance pequena de G4 em caso de impactos mais fortes.
Tempestades geomagnéticas desse nível podem interferir em redes elétricas de alta latitude, sistemas de navegação por satélite e comunicações espaciais. Para o público em geral, o principal atrativo é a chance maior de auroras boreais.
Observação de auroras ganha força em latitudes médias
Auroras boreais surgem quando partículas carregadas do vento solar interagem com a atmosfera terrestre. Tempestades geomagnéticas empurram esse fenômeno para latitudes mais baixas que o habitual.
Se as previsões se confirmarem, observadores em partes do norte dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e norte da Europa poderão registrar o espetáculo a partir da noite de quinta-feira. No hemisfério sul, auroras austrais também podem se intensificar em regiões como sul da Austrália e Nova Zelândia.
Vincent Ledvina, observador de auroras, mencionou as três CMEs potencialmente direcionadas à Terra. Os meteorologistas espaciais ainda refinam os modelos de chegada e intensidade.
Atividade solar segue em ciclo ascendente
O Sol está na fase ativa do ciclo 25. Regiões como a 4455 lembram que a estrela pode produzir eventos significativos mesmo em períodos de aparente calmaria anterior.
Cientistas continuam a analisar imagens do Observatório de Dinâmica Solar da Nasa para entender melhor a evolução da região 4455. Novas erupções não estão descartadas.
O episódio atual oferece oportunidade para estudo de como múltiplas CMEs interagem no espaço. Dados coletados agora ajudam a melhorar previsões futuras de clima espacial.

