Taxa de natalidade no Japão cai para 1,14 em 2025 e marca décimo ano de declínio

Mulher grávida, gravidez, escolha de nome

Mulher grávida, gravidez, escolha de nome - Leka Sergeeva/ Shutterstock.com

O país acumula agora dez anos seguidos de redução na taxa de natalidade. O ritmo de queda, porém, mostrou leve desaceleração em comparação com os anos imediatamente anteriores à pandemia. Casamentos subiram pelo segundo ano consecutivo e chegaram a 489.119 em 2025, alta de 0,8%.

Especialistas observam que o aumento nos casamentos ainda não se traduziu em recuperação significativa dos nascimentos. A idade média das mulheres no primeiro parto permaneceu estável em 31 anos. O número de crianças nascidas de mães entre 30 e 34 anos cresceu em 2.221, enquanto outras faixas etárias registraram redução.

  • Tóquio registrou a menor taxa, de 0,96
  • Okinawa teve a maior, de 1,52
  • Treze prefeituras apresentaram alta em relação a 2024
  • Ishikawa subiu 0,07 ponto, para 1,30
  • Kagawa e Kochi também registraram aumentos

População encolhe em ritmo acelerado

O número de mortes chegou a 1.589.489 em 2025. A diferença entre óbitos e nascimentos resultou em declínio natural de 918.253 pessoas. Esse foi o segundo ano consecutivo com redução acima de 900 mil habitantes. O fenômeno completa 19 anos de encolhimento populacional contínuo.

O declínio populacional ganha velocidade. Projeções oficiais anteriores indicavam que o país só alcançaria patamares tão baixos de natalidade por volta de 2040. A realidade de 2025 antecipou esse cenário em cerca de 15 anos.

Variações regionais revelam contrastes

Enquanto grandes centros urbanos apresentam as taxas mais baixas, algumas regiões periféricas resistem melhor à tendência. Okinawa mantém liderança histórica. Prefeituras como Miyazaki e Fukui também figuram entre as mais altas, embora abaixo de 1,50.

Hokkaido e Miyagi aparecem logo acima do patamar de 1,00. A diferença entre as extremidades do país supera 0,5 ponto percentual. Esse contraste reforça a complexidade do problema demográfico, que não se distribui de forma uniforme pelo território japonês.

Desafios para políticas públicas se ampliam

O governo japonês enfrenta pressão crescente para conter o encolhimento populacional. Medidas de apoio à parentalidade, como licença-maternidade ampliada e creches, avançaram nos últimos anos. Ainda assim, barreiras econômicas persistem.

Pesquisas indicam que o custo de criação e educação dos filhos permanece o principal obstáculo citado por casais. A estagnação dos salários reais frente à inflação e o alto preço de moradia nas áreas urbanas completam o quadro. Autoridades debatem novas ações para alinhar desejos de formação familiar com condições concretas de vida.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social reforçou a necessidade de esforços conjuntos entre setor público e privado. A meta é preparar o país para a redução da força de trabalho e garantir sustentabilidade ao sistema de seguridade social no longo prazo.

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