Crise atinge fabricante japonês de temperos umami e dashi, que declara falência com dívida de 1,19 bilhão de ienesPor Beatriz
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Uma tradicional fabricante de caldo dashi e temperos umami no Japão, a Chomi, juntamente com duas empresas afiliadas, teve sua falência decretada pelo Tribunal Distrital de Nagoya em 8 de junho. A medida encerra as operações de um grupo empresarial que acumulava uma dívida total de aproximadamente 1,19 bilhão de ienes, o equivalente a cerca de R$ 36 milhões na cotação atual.
Fatores Determinantes para a Deterioração dos Negócios
Diversos eventos críticos levaram à grave situação financeira da empresa. Um dos principais impactos foi o Grande Terremoto do Leste do Japão, ocorrido em 2011, que causou severos danos às instalações da Chomi. A destruição forçou o fechamento de sua fábrica na região de Tohoku e resultou na perda significativa de muitos canais de distribuição e vendas.
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Além da catástrofe natural, o cenário foi agravado pela confusão gerencial após o falecimento do fundador e ex-representante da companhia. A perda da liderança experiente contribuiu para atrasos nos pagamentos a parceiros comerciais, aprofundando uma crise de fluxo de caixa que já era crítica devido ao não-recuperação de empréstimos concedidos a empresas afiliadas.
Detalhamento da Dívida e as Empresas Envolvidas
A ordem de falência alcançou três entidades distintas, cada uma com sua parcela de responsabilidade na dívida bilionária. O Teikoku Databank revelou os valores individuais que compõem o montante total.
- Chomi (Cidade de Handa, Província de Aichi): Aproximadamente 690 milhões de ienes em dívidas.
- Kutsuku (Cidade de Handa, Província de Aichi): Cerca de 350 milhões de ienes em dívidas.
- Food Pack (Cidade de Miyako, Província de Iwate): Aproximadamente 150 milhões de ienes em dívidas.
Trajetória e Perda de Mercado Após Desastre
Fundada em maio de 1976, a Chomi construiu uma reputação na fabricação de temperos umami e caldos dashi, atendendo principalmente à indústria pesqueira e a produtores de alimentos especiais. No ano fiscal encerrado em abril de 2008, a empresa atingiu um pico de vendas anuais de cerca de 1,766 bilhão de ienes.
Contudo, após o Grande Terremoto do Leste do Japão, a situação mudou drasticamente. As vendas anuais caíram pela metade até o ano fiscal de 2012, chegando a aproximadamente 832 milhões de ienes, e a Chomi registrou um prejuízo líquido de 57 milhões de ienes. Mesmo com breves recuperações que levaram as vendas anuais a ultrapassar 1 bilhão de ienes em alguns períodos, o desempenho geral estagnou, e a empresa encerrou suas operações em dezembro de 2025.
O Que a Crise da Chomi Sinaliza para o Setor Alimentício Japonês
A falência da Chomi e suas afiliadas serve como um duro lembrete das vulnerabilidades enfrentadas por empresas tradicionais no Japão. A combinação de choques externos, como um desastre natural de grande escala, com desafios internos de gestão e sucessão, pode ser fatal, mesmo para marcas estabelecidas. O caso destaca a dificuldade de recuperação em mercados competitivos e a importância de planos de contingência robustos, especialmente em um país propenso a eventos sísmicos. Esta situação reflete a pressão contínua sobre pequenos e médios produtores para se adaptarem a um ambiente de negócios em constante mudança.














