Nova pesquisa sugere que melatonina pode oferecer alívio eficaz para dor crônica, equiparando-se a analgésicos comunsPor Maria
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Um novo estudo revelou que a melatonina demonstra uma eficácia considerável no alívio da dor musculoesquelética crônica, com resultados similares aos obtidos com analgésicos vendidos sem prescrição médica. A pesquisa, que avaliou o hormônio que regula o sono, destacou seu potencial como uma nova opção no manejo da dor prolongada.
Os benefícios da melatonina foram mais evidentes para casos de dor persistente. Contudo, os achados relacionados à dor pós-cirúrgica se mostraram menos conclusivos, indicando uma distinção importante nos tipos de dor em que o suplemento pode ser mais eficaz.
O levantamento também apontou que a melatonina é segura para uso em curto prazo, especificamente por períodos inferiores a três meses e em doses que não excedam 5 miligramas. Estas condições são consideradas de baixo risco para a saúde dos usuários.
Especialistas da área da saúde recomendam vivamente a consulta médica antes de iniciar o uso de melatonina para controle da dor. Essa orientação é particularmente importante para indivíduos que não apresentam dificuldades para dormir ou que já fazem uso de outros medicamentos.
A relação entre sono inadequado e dor é um ciclo que se retroalimenta. A presença de dor frequentemente prejudica a qualidade do sono, e a privação de repouso, por sua vez, pode agravar a intensidade da dor percebida.
Estudos prévios já associaram a falta de sono ao aumento da inflamação no corpo e à diminuição da capacidade do sistema de controlar a dor. Essa interconexão foi o ponto de partida para os pesquisadores investigarem se a melatonina, hormônio crucial no ciclo sono-vigília, poderia ter um papel no manejo da dor.
Uma pesquisa recente, publicada em 30 de junho na renomada revista *PAIN*, demonstrou que suplementos de melatonina foram capazes de reduzir a dor musculoesquelética crônica. Os efeitos observados foram comparáveis aos de medicamentos analgésicos de venda livre, como o ibuprofeno e a aspirina.
Os cientistas analisaram tanto a dor crônica — definida como aquela que persiste por três meses ou mais — quanto a dor aguda de curta duração, comum após procedimentos cirúrgicos em condições como substituição de joelho e quadril, cirurgias na coluna e fraturas ósseas.
Desvendando a atuação da melatonina no combate à dor prolongada
Os pesquisadores sugerem que a eficácia da melatonina pode variar significativamente conforme o tipo de dor em questão. Para a dor crônica, a diminuição da intensidade foi notável, equiparando-se aos resultados alcançados por analgésicos amplamente utilizados.
Em contrapartida, para a dor que se manifesta após cirurgias, os dados não foram tão claros ou definitivos. Kangchao Wu, principal autor do estudo e pesquisador da Escola de Ciências da Saúde da Universidade de Sydney, explicou os dois mecanismos pelos quais a melatonina pode ajudar a mitigar a dor.
A primeira forma reside nas características intrínsecas do hormônio. Segundo Wu, a melatonina possui propriedades analgésicas inerentes, incluindo efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, que são fundamentais no processo de percepção e modulação da dor.
O segundo mecanismo é de natureza indireta. Wu detalhou que a melatonina tem a capacidade de melhorar a qualidade do sono, o que, por sua vez, contribui para que as pessoas se sintam melhor e se movimentem com mais facilidade. O hormônio também pode reduzir a ansiedade e a depressão frequentemente associadas à dor, além de auxiliar na manutenção da atividade diária. Todos esses fatores, combinados, podem contribuir para a redução da intensidade da dor.
A diferença nos resultados, como apontou Wu, está nas causas fundamentais de cada tipo de dor. Enquanto a dor pós-operatória é aguda, a dor musculoesquelética crônica está frequentemente ligada a condições de longo prazo, como sono deficiente, inflamação persistente e sensibilidade do sistema nervoso. Essas distinções podem explicar a variação nos efeitos da melatonina entre os grupos de dor crônica e pós-cirúrgica.
Mesmo com os resultados promissores, os pesquisadores posicionam a melatonina como uma opção complementar aos tratamentos de dor existentes, e não como um substituto. Ela pode ser um tratamento adjuvante, especialmente para quem sofre de dor musculoesquelética crônica e tem problemas de sono coexistentes.
Ainda há uma lacuna no conhecimento sobre a dose ideal e o uso seguro a longo prazo. Wu aconselha que, antes de considerar a melatonina para a dor, as pessoas discutam quaisquer problemas de sono com seus médicos. Ele reforçou que a melatonina é bem estabelecida para o tratamento de curto prazo da insônia e é comprovadamente segura nessas condições e em baixas doses.

Recomendações de dosagem e período de uso da melatonina
Com base nas descobertas do estudo, Kangchao Wu especificou que o uso de curto prazo da melatonina é definido como um período inferior a três meses. A dose considerada baixa é inferior a 5 miligramas, sendo que a maioria dos ensaios clínicos incluídos na pesquisa utilizou uma dose de 3 miligramas.
Para indivíduos que sentem dor, mas não enfrentam problemas para dormir, o pesquisador recomendou veementemente que consultem um médico antes de iniciar qualquer suplementação com melatonina, garantindo que o uso seja apropriado e seguro para sua condição específica.
Possíveis efeitos colaterais e quem deve evitar o suplemento
A melatonina é geralmente reconhecida como um suplemento seguro. Contudo, como qualquer substância ativa, ela pode apresentar efeitos colaterais. O estudo conduzido por Kangchao Wu analisou a incidência desses efeitos em pacientes que utilizaram os suplementos especificamente para o tratamento da dor.
Os efeitos adversos mais comuns associados ao uso de melatonina incluíram dor de cabeça, náuseas e sonolência durante o dia. No entanto, é importante ressaltar que a taxa de ocorrência desses efeitos no grupo que tomou melatonina foi similar à observada no grupo placebo, sugerindo que muitos desses sintomas podem não estar diretamente relacionados ao hormônio em si.
A orientação fornecida por Wu sobre a melatonina para a dor se soma a restrições mais amplas que se aplicam ao uso do hormônio em geral, independentemente do motivo da ingestão. De acordo com o National Institutes of Health (NIH), mulheres grávidas ou em fase de amamentação devem evitar o uso de melatonina.
Pessoas com certas condições de saúde, como artrite reumatoide e doenças que afetam os rins ou o fígado, não devem tomar melatonina sem a aprovação prévia de um profissional de saúde. Além disso, devido à possibilidade de interações com outros medicamentos e suplementos, qualquer indivíduo que esteja tomando fármacos de venda livre ou prescritos deve sempre consultar seu médico antes de adicionar a melatonina à sua rotina diária.
O papel da melatonina na regulação do sono e no corpo
A melatonina é um hormônio que o corpo humano produz naturalmente, sintetizado pela glândula pineal. Sua principal função é atuar como um regulador do ciclo sono-vigília, com seus níveis aumentando ao anoitecer para induzir o sono e diminuindo durante o dia para promover o estado de alerta.
Suplementos de melatonina, produzidos sinteticamente, mimetizam esse efeito natural e são frequentemente empregados por pessoas que enfrentam dificuldades para adormecer, manter o sono ou que acordam precocemente. A privação de sono é um problema de saúde pública comum; em 2022, cerca de 37% dos adultos nos Estados Unidos não atingiram as sete horas de sono recomendadas, conforme dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
O status regulatório da melatonina nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) não realiza a aprovação ou testes da melatonina para garantir sua segurança e eficácia antes que o produto chegue ao mercado. Isso se deve ao fato de que os suplementos, incluindo a melatonina, são regulamentados como alimentos e não como medicamentos.
Essa classificação transfere a responsabilidade pela segurança dos produtos diretamente para os fabricantes. O Conselho para Nutrição Responsável (CRN), uma associação que representa a indústria de suplementos, informou que, embora pesquisas recentes sugiram potenciais usos além da promoção do sono saudável, os suplementos alimentares não são destinados a “tratar, curar ou prevenir doenças”.
Jeff Ventura, vice-presidente de comunicações do CRN, enfatizou que qualquer pessoa que lide com dor crônica ou dificuldades persistentes para dormir deve buscar a orientação de um profissional de saúde para determinar o plano de tratamento mais adequado e seguro para sua situação.
Considerações sobre o uso prolongado e a segurança do hormônio
A melatonina é tipicamente recomendada para uso em períodos curtos, e o NIH ressalta a carência de informações conclusivas sobre a segurança de sua suplementação a longo prazo. Regimes de tratamento mais prolongados exigem acompanhamento e orientação de um especialista da área médica.
Nos ensaios clínicos que foram analisados para o estudo, a duração do tratamento com melatonina variou de quatro semanas a um máximo de três meses. Um estudo observacional recente, que foi apresentado nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA) em 2025, estabeleceu uma associação entre o uso de melatonina por mais de um ano e taxas mais elevadas de diagnóstico de insuficiência cardíaca e hospitalização em indivíduos com insônia. Contudo, os pesquisadores foram cautelosos ao afirmar que essa associação era de fato causal.
Ainda assim, a maioria dos especialistas em saúde recomenda que o uso prolongado da melatonina como auxílio para dormir seja evitado. Caso a prática de hábitos saudáveis de higiene do sono não resulte em uma melhora na qualidade de vida, é aconselhável buscar uma conversa com o médico para explorar outras opções de tratamento.







