Florestas plantadas pela China mostram crescimento rápido e inesperado na absorção de carbono

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Floresta Foto: Floresta - RudiErnst/ shutterstock.com

A China constantemente impressiona com a grandiosidade de seus projetos. Desde arranha-céus construídos rapidamente até pontes complexas e o surgimento de cidades inteiras, o país demonstra uma escala monumental em suas iniciativas.

No sábado, 11 de julho de 2026, uma iniciativa menos visível, mas igualmente colossal, teve seus resultados examinados por um novo estudo. O plantio de árvores em uma dimensão sem precedentes globalmente está revelando um comportamento surpreendente nas florestas cultivadas.

China cria a Grande Muralha Verde para combater avanço do deserto

Desde 1978, a nação chinesa implementou a Grande Muralha Verde, plantando aproximadamente 66 bilhões de árvores. Este projeto tinha como meta estabelecer uma barreira vegetal para frear a expansão dos desertos de Gobi e Taclamacã, evitando que a areia consumisse as pradarias do norte, onde o deserto de Gobi avançava cerca de 2.600 quilômetros quadrados anualmente.

O plano chinês prevê o plantio de mais 34 bilhões de árvores até 2050, o que alterará significativamente a paisagem já transformada desde o final da década de 1970.

Curiosamente, essa imensa barreira florestal não foi concebida com o intuito de combater as mudanças climáticas, mas sim para deter a desertificação. Contudo, seus impactos se estenderam muito além da meta original, influenciando o balanço de carbono global de forma complexa e inesperada, o que é crucial para a compreensão dos modelos climáticos.

A cobertura florestal nas áreas abrangidas cresceu de 5% em 1978 para 14% em 2023. Consequentemente, houve uma redução nas tempestades de poeira e uma melhoria na qualidade do ar em grandes centros urbanos.

Área reflorestada às margens do deserto de Taclamacã, na China - Le Yu/Universidade Tsinghua
Área reflorestada às margens do deserto de Taclamacã, na China – Le Yu/Universidade Tsinghua

Novo estudo aponta que florestas artificiais crescem mais rapidamente que as naturais

Uma recente investigação, divulgada na Geophysical Research Letters, revela um aspecto surpreendente: as florestas cultivadas reagem ao aumento de dióxido de carbono de maneira distinta das florestas naturais. Essa disparidade resulta em uma expansão bem mais acelerada da cobertura foliar, embora os motivos precisos para esse fenômeno ainda estejam sendo estudados pelos cientistas.

Para chegar a esta descoberta, a equipe do ecologista da paisagem Yuhang Luo, da Universidade de Pequim em Shenzhen, examinou dados de satélite. Eles analisaram o índice de área foliar, que mede a densidade da folhagem e sua correlação com a capacidade das florestas de absorver carbono da atmosfera.

Os resultados indicaram que este índice aumentou 66% mais rápido nas florestas criadas artificialmente em comparação com as áreas florestais naturais.

Gestão e espécie das árvores influenciam o crescimento acelerado

Parte dessa diferença pode ser atribuída à idade das plantações, que, por serem mais jovens, ainda se encontram em sua etapa de crescimento mais vigoroso.

No entanto, a idade isoladamente não justifica completamente o fenômeno observado. Mesmo ao serem comparadas com florestas naturais de idade e condições equiparáveis, as áreas reflorestadas demonstraram um crescimento 4,6% mais acelerado.

Outro elemento explicativo reside na maneira como essas plantações são gerenciadas. Além de frequentemente utilizarem espécies de rápido desenvolvimento, como eucaliptos e álamos, elas recebem um manejo florestal intensivo. Esse cuidado otimiza a absorção de luz, água e nutrientes, potencializando a resposta das árvores ao aumento de dióxido de carbono.

Benefícios do plantio de árvores têm tempo limitado

Essa vantagem, no entanto, demonstra ser temporária. Seu auge ocorre quando as árvores atingem uma idade entre 30 e 40 anos, diminuindo progressivamente a partir daí.

As florestas naturais, por outro lado, exibem um desenvolvimento mais gradual, porém contínuo. Isso lhes confere uma superioridade no armazenamento de carbono e na resiliência a longo prazo, conforme apontado pelo estudo.

Luo ressalta que esses achados evidenciam uma falha em muitos modelos climáticos atuais. Eles falham em distinguir apropriadamente entre florestas naturais e cultivadas, e em considerar a idade ou o histórico de gestão de cada área, o que pode levar a avaliações imprecisas da capacidade real de captura de carbono.

“As florestas artificiais representam uma ferramenta eficaz para a captura de carbono em curto prazo, mas seu benefício é passageiro. Para o armazenamento duradouro de carbono e para a resiliência a longo prazo, as florestas naturais permanecem insubstituíveis”, declarou Luo.

Críticas e ressalvas sobre as conclusões da pesquisa

No entanto, nem todos os especialistas concordam integralmente com as conclusões apresentadas na pesquisa.

Kevin Dsouza, pesquisador da Universidade de Waterloo com experiência em modelos de reflorestamento, observou que o índice de área foliar, embora útil, não é suficiente para determinar a quantidade total de carbono armazenada por uma floresta.

Uma parcela considerável desse carbono é acumulada na madeira, na casca, nas raízes e no solo, não se restringindo apenas à copa das árvores.

Dsouza ainda mencionou que outras análises sobre as florestas chinesas indicam que as áreas naturais também podem acumular mais carbono acima do solo nos seus estágios iniciais. Assim, ele sugere que os resultados do estudo atual sejam avaliados com prudência.

Projeto de reflorestamento atua como grande sumidouro de carbono

Apesar das discussões, a magnitude do projeto de reflorestamento permanece notável.

Em 2020, as florestas cultivadas no sul da China totalizavam 90,3 milhões de hectares, representando 36,6% da área florestal total do país.

Outro estudo calculou que a área arborizada próxima ao deserto de Taclamacã absorveu cerca de 8,3 milhões de toneladas de CO₂ anualmente entre 2004 e 2017. No mesmo período, foram emitidas aproximadamente 6,7 milhões de toneladas por ano, demonstrando que a região funcionou como um sumidouro líquido de carbono.

Para Luo, a principal conclusão não é abandonar o plantio de árvores, mas sim realizá-lo de forma mais estratégica. É crucial determinar o momento ideal para o plantio, as espécies mais adequadas e a melhor maneira de gerenciar essas florestas.

Na visão do pesquisador, a finalidade é fornecer “uma orientação mais prática para a ação climática baseada em florestas”. Isso contribuirá para aprimorar futuros projetos de reflorestamento em grande escala.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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