Julho Bordô 2026: HU-UFPI intensifica alerta sobre mucosite oral e cuidados essenciais no câncerPor Luís Pereira
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O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), integrante da Rede HU Brasil, promove a campanha “Julho Bordô” neste mês de 2026, com o objetivo de informar e conscientizar a população sobre a mucosite oral. A iniciativa busca reforçar a importância da prevenção e do tratamento adequado dessa condição, que afeta significativamente a qualidade de vida de pacientes submetidos a terapias contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia.
A mucosite oral manifesta-se como uma inflamação grave na mucosa da boca, gerando desconforto intenso e diversas complicações. A campanha destaca que, embora seja uma consequência comum dos tratamentos oncológicos, o manejo preventivo e terapêutico é fundamental para mitigar seus efeitos e garantir a continuidade do plano de tratamento contra o câncer, sem interrupções que possam comprometer o prognóstico.
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Entendendo a mucosite oral: uma condição debilitante
Os sintomas da mucosite oral são variados e impactantes, incluindo vermelhidão (eritema), inchaço (edema) e o surgimento de feridas abertas (ulcerações) em toda a cavidade bucal. Essas lesões tornam atividades básicas como falar, comer e beber água extremamente dolorosas e difíceis, comprometendo a nutrição e a hidratação do paciente. Além do desconforto, a condição pode evoluir para infecções locais ou sistêmicas, impactando ainda mais o bem-estar geral.
A cirurgiã-dentista do HU-UFPI, Waleria Ferraz Lima, explica a alta incidência da mucosite. Ela ocorre em 80% a 100% dos pacientes que recebem radioterapia na região de cabeça e pescoço. Já em tratamentos com altas doses de quimioterapia, a prevalência varia entre 60% e 90% dos casos. Para aqueles que realizam quimioterapia convencional, a incidência é de 20% a 40%. Os primeiros sinais costumam aparecer entre cinco e dez dias após o início da quimioterapia e de duas a três semanas no caso da radioterapia, exigindo atenção precoce.
O impacto na vida do paciente e os riscos associados
A experiência da paciente Odineia Sousa Sobrinho, de 67 anos, ilustra a gravidade da mucosite oral. Ela relatou o surgimento dos sintomas após a vigésima-segunda semana de quimioterapia, descrevendo uma queimação intensa na boca e uma sensibilidade que impedia o contato com alimentos, fossem frios ou quentes. “Tive reações muito fortes, que foram da boca até a garganta, por isso fiquei sem me alimentar, sem beber, e fui internada por desidratação, tudo por conta da mucosite”, detalhou Odineia, que foi encaminhada para a odontologia oncológica do hospital para tratamento.
O principal alerta, conforme a cirurgiã-dentista, é o elevado risco de sepse, uma infecção generalizada, especialmente em pacientes oncológicos com baixa imunidade. A cavidade bucal, quando comprometida pela mucosite, transforma-se em uma porta de entrada para bactérias e fungos, aumentando consideravelmente o perigo de infecções nas lesões da mucosa. Em estágios mais avançados, a mucosite pode até levar à interrupção do tratamento principal contra o câncer, o que deteriora o prognóstico e a qualidade de vida. A dor constante e a dificuldade em comer e beber também contribuem para desnutrição e desidratação severas.
Estratégias de prevenção e o papel da laserterapia
Diante da complexidade da mucosite oral, que ainda não possui uma cura específica, o foco principal das equipes de saúde é a prevenção de seu aparecimento. Isso é alcançado por meio de um atendimento integrado e multidisciplinar, envolvendo especialistas em oncologia, odontologia oncológica, nutrição e enfermagem. Essa abordagem colaborativa visa acompanhar o paciente desde antes do início do tratamento oncológico, identificando riscos e implementando medidas protetivas.
Quando os sintomas já estão presentes, a meta da equipe multiprofissional se volta para o alívio da dor e a prevenção da progressão da doença. No HU-UFPI, a laserterapia de baixa potência tem se mostrado uma ferramenta eficaz. A técnica é utilizada tanto para prevenir o surgimento das lesões quanto para tratar a mucosite oral já instalada, com protocolos adaptados às necessidades individuais de cada paciente, buscando minimizar o sofrimento e acelerar a recuperação da mucosa.
Atendimento integrado e dicas para o cuidado diário
A cirurgiã-dentista Waleria Ferraz Lima enfatiza que a mucosite oral é, em grande parte dos casos, uma condição passível de prevenção. A avaliação odontológica antes do início de qualquer tratamento oncológico é um passo crucial. Além disso, a adoção de hábitos de higiene e cuidado oral rigorosos pode fazer uma diferença significativa na qualidade de vida dos pacientes.
Para auxiliar na prevenção e no manejo da mucosite, algumas recomendações são essenciais:
- Higiene oral rigorosa: Escovar os dentes de três a quatro vezes ao dia, utilizando uma escova de cerdas macias e creme dental sem lauril sulfato de sódio, um agente que pode irritar a mucosa.
- Hidratação constante: Manter-se bem hidratado é fundamental para a saúde da boca e do corpo em geral.
- Uso de gelo: Chupar gelo durante a infusão de alguns quimioterápicos específicos pode ajudar a reduzir o fluxo sanguíneo na boca, diminuindo a exposição das células da mucosa aos agentes quimioterápicos.
- Evitar irritantes: Álcool, cigarro, alimentos ácidos, muito quentes ou excessivamente temperados devem ser eliminados da dieta, pois podem agravar as lesões ou irritar a mucosa.
O Serviço de Odontologia Oncológica do HU-UFPI oferece atendimento especializado aos pacientes da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) do próprio hospital, além de acolher pacientes oncológicos externos que são regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), vindos da Atenção Primária e dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). Esse suporte contínuo é vital para garantir que mais pacientes tenham acesso aos cuidados preventivos e terapêuticos necessários.















