Ocupação em Petrolina: famílias tomam casas do Minha Casa, Minha Vida antes da entregaPor Jeronimo Santos
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Dezenas de famílias iniciaram a ocupação de imóveis no Residencial Nova Vida III, localizado no bairro João de Deus, Zona Norte de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. O empreendimento, que faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida, encontra-se em fase de construção e tem a entrega prevista para o final deste ano.
Conforme relatos dos ocupantes, um grande número de famílias está cadastrado em programas de moradia desde 2009, sem nunca ter sido contemplado. Diante da impossibilidade de arcar com aluguéis ou por não ter onde residir, eles optaram por tomar as unidades ainda em fase de finalização.
A dona de casa Carla Patrícia Sena, mãe de oito crianças, exemplifica a situação. Ela afirmou estar inscrita em iniciativas habitacionais desde 2009, sem sucesso em obter uma moradia. Sem condições de manter o aluguel, mudou-se com a família para uma das casas do conjunto.
“Nós estamos exaustos de nos cadastrar no Minha Casa, Minha Vida, lutando por um lar e sempre na lista de espera. O setor de habitação pede para aguardar o sorteio, que parece beneficiar apenas quem tem condições”, disse ela. “Existem muitos residenciais em Petrolina com famílias, mas também com casas fechadas e abandonadas. Eu, por exemplo, pago aluguel no Vivendas, e lá também há casas desocupadas.”
A aposentada Ykara Carolina dos Santos, que ficou paraplégica após um acidente há uma década e enfrenta problemas de saúde, é outra ocupante. Ela é responsável por dois filhos e recebe um salário mínimo de aposentadoria, sendo que o aluguel de R$ 500 consome grande parte de sua renda. Ykara contou que também está na lista de espera do programa habitacional e decidiu invadir um dos imóveis.
“Realmente, estou precisando de um lugar para morar, pois vivo de aluguel e ainda pago água e luz. Tenho dois filhos pequenos que dependem de mim. Minhas condições são difíceis, estou na cama há seis anos, sem andar ou fazer nada. Infelizmente, me sinto incapaz de conseguir uma casa; toda vez que me inscrevo, não sou selecionada”, afirmou.
Apesar da ocupação, a construção do residencial prossegue normalmente. Mais de 100 operários continuam trabalhando no canteiro de obras.
Dados recentes mostram que 84.573 pessoas já se inscreveram para esta fase do Minha Casa, Minha Vida em Petrolina. As inscrições para as 300 novas residências continuam abertas até 31 de julho.
Thais Silva é outra entre as famílias que ocuparam o residencial. Ela já está cadastrada no programa, mas, depois de anos esperando por uma moradia e com a ameaça de despejo, optou por se unir aos outros moradores. Mãe de quatro filhos, Thais contou que participou de outras edições do programa sem conseguir ser contemplada.
“Preciso oferecer um teto aos meus filhos e estou aqui buscando meus direitos, assim como todos os que querem uma residência. Nos residenciais Dom Avelar 1 e 2, não obtive sucesso. Participei das três etapas, recorri, procurei a Secretaria de Habitação e ninguém resolveu a situação. Todos aqui estão necessitados”, relatou.
A Prefeitura de Petrolina, por meio de nota oficial, esclareceu que a gestão do residencial é de competência da Caixa Econômica Federal e da construtora. A Caixa, por sua vez, comunicou que investigará as ocorrências de ocupação no empreendimento em Petrolina.
As candidaturas para o Residencial Nova Vida III permanecem abertas até 31 de julho, disponíveis no portal da Prefeitura. Até o momento, mais de 84 mil pessoas já realizaram sua inscrição no programa. As diretrizes atualizadas do Minha Casa, Minha Vida estabelecem uma renda familiar máxima de R$ 3.200 e destinam 50% das unidades para mães de crianças com deficiência ou doenças raras.







