Salvador registra alta procura por condomínios para idosos com grande maioria de mulheres
Novas opções de moradia para a terceira idade em Salvador, na Bahia, têm despertado um grande interesse entre os idosos, especialmente as mulheres. A aposentada Dulce Soares, de 74 anos, é um exemplo dessa busca por um espaço que ofereça independência, convivência e tranquilidade, longe da casa tradicional. Ela pretende morar sozinha e quer um lugar pensado para pessoas de sua faixa etária, onde possa ter seu “cantinho de paz”.
Esse tipo de empreendimento, conhecido como condomínio sênior, está se consolidando como uma tendência no Brasil. Em Salvador, um projeto anunciado para a região da Garibaldi já atraiu quase 3 mil interessados antes mesmo de seu lançamento oficial, um número que continua crescendo. A grande demanda revela um público que procura autonomia e uma nova forma de viver, diferente de asilos ou casas de repouso.
Primeiro condomínio para idosos em Salvador gera grande expectativa
A corretora Sheila Rangel, que atua nesse segmento, observa um fenômeno particular: a procura pelo condomínio sênior é dominada por mulheres, principalmente viúvas, divorciadas ou solteiras, com pouquíssimos homens demonstrando interesse. Até o momento, não há estudos que expliquem essa disparidade de gênero na busca por esse tipo de moradia.
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A aposentada Lúcia Moura, de 70 anos, e seu marido, que tem a mesma idade, representam uma das raras exceções. Para Lúcia, a decisão de buscar um condomínio sênior foi conjunta e motivada pelo desejo de um ambiente que promova a convivência com pessoas da mesma faixa etária. Ela ressalta a importância de um sentimento de pertencimento.

A maioria esmagadora de mulheres e o questionamento sobre os homens
Lúcia Moura aponta que o mercado imobiliário tradicional ainda foca em famílias jovens, com espaços como brinquedotecas e áreas de lazer para crianças. Ela observa que há uma lacuna para os idosos, que acabam comprando imóveis sem adaptações essenciais como portas largas, banheiros acessíveis e pisos seguros. Essa falta de adequação gera uma sensação de insegurança.
Os condomínios sêniores se distinguem de instituições de longa permanência ao oferecer apartamentos independentes e serviços opcionais. Os moradores mantêm sua rotina, recebem visitas e podem viver com cônjuges ou familiares. A diferença está no planejamento do ambiente para o envelhecimento, com áreas comuns adaptadas, atividades físicas, atendimento de saúde e estímulos para o público acima dos 60 anos.
A corretora Sheila Rangel, que inicialmente focava em imóveis acessíveis para pessoas com deficiência, percebeu que a maior demanda vinha do público 60+. Ela mudou seu foco de atuação para atender a essa crescente necessidade.
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Sheila notou que a procura pelos condomínios sêniores abrange todas as classes sociais, desde a classe média até o mercado de luxo, evidenciando que a necessidade de moradias adaptadas para o envelhecimento transcende barreiras econômicas.
Ela enfatiza a importância de políticas públicas para atender idosos sem condições de comprar um imóvel, citando projetos de aluguel social para idosos no Paraná como um exemplo a ser seguido no Brasil, inclusive na Bahia.
A demanda por esses empreendimentos já gera resultados, com alguns condomínios existentes sendo remodelados para atender ao perfil dos idosos. Novos projetos devem ser lançados ainda em 2026.
Sheila explica que os idosos rapidamente compreenderam que esses locais não são asilos, mas sim suas casas, onde podem morar sozinhos, com cônjuges ou filhos. A estrutura é pensada para as necessidades dessa fase da vida. A decisão de buscar essa moradia, em muitos casos, parte do próprio idoso, que vende a casa atual, muitas vezes grande demais, para se organizar para a compra.
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As linhas de crédito também estão se adaptando para facilitar a aquisição de imóveis por idosos. Davi Moreno, da PC Imóveis, afirmou que o mercado imobiliário está se reinventando para atender novos perfis de consumidores, como trabalhadores de aplicativo e a população idosa, buscando acessibilidade, segurança e qualidade de vida.
Essa tendência reflete uma mudança demográfica no país. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil está envelhecendo rapidamente e, nas próximas décadas, terá mais idosos do que crianças e adolescentes. Esse cenário impulsiona o mercado imobiliário a considerar a terceira idade como um público cada vez mais importante.
Sheila Rangel também acompanha o movimento em outros estados, como Santa Catarina, onde alguns condomínios sêniores adotam a regra de que apenas moradores idosos podem residir nas unidades. Em Salvador, o conceito é mais flexível, permitindo que filhos, cônjuges e cuidadores morem com o proprietário, mesmo que toda a estrutura e serviços sejam voltados para pessoas acima dos 60 anos.

















