Assassino se passa por jovem morta em mensagens para enganar mãe em Santa Catarina
Um homem de 21 anos é suspeito de se passar pela namorada morta em mensagens de texto para a mãe da vítima. José Gustavo Rabelo foi preso em flagrante em 10 de agosto de 2026, em Sangão, Santa Catarina, após o corpo de Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, ser encontrado. Ele teria usado as redes sociais da jovem para enviar justificativas e tentar convencer a família de que ela estava bem.
O delegado Murilo da Cunha confirmou que o investigado admitiu ter enviado as mensagens durante seu interrogatório. A prisão de Rabelo foi convertida de flagrante para preventiva após audiência de custódia, reforçando as suspeitas de feminicídio.
As conversas, que ocorreram entre a madrugada de 7 de agosto e 10 de agosto, tinham como objetivo simular desculpas para o desaparecimento da jovem e tranquilizar a mãe, que estava preocupada com a ausência da filha em casa.
A família de Joviana relatou que ela havia saído em 6 de agosto, mencionando que iria a um bar com amigos. Posteriormente, a estudante foi para a casa do namorado, onde passaria a noite.
Em 7 de agosto, às 3h, uma mensagem que parecia ser de Joviana foi enviada à mãe dela através do Instagram de José Gustavo. O texto dizia: “Oii mãe sou eu. Deixei meu carregador em casa, tô sem bateria. Eu e o José conseguimos folga pra hoje. Passei muito mal por conta da bebida”.
A Polícia Civil indicou que a estudante pode ter sido assassinada entre a noite de 6 de agosto e a madrugada de 7 de agosto.
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O advogado do investigado, em nota, comunicou que atuará de forma técnica e responsável, buscando evitar que a dor das famílias envolvidas se torne um objeto de disputa pública.

Conteúdo das mensagens simulava mal-estar e falta de bateria
As primeiras comunicações foram realizadas na madrugada de 7 de agosto, pelo perfil de José Gustavo no Instagram. Ele simulou que Joviana estaria usando o celular dele por não ter o próprio carregador.
Uma das mensagens dizia: “José vai ir na prima dele logo cedo para pegar um carregador para mim, aí mando mensagem pelo Whatsapp”.
Em outras interações no mesmo aplicativo, o perfil afirmava que a jovem procurava atendimento médico e um atestado para justificar sua ausência no trabalho em 7 de agosto.
Uma das frases enviadas dizia: “Fiquei realmente muito mal, acho que vou no postinho daqui consultar e ver se consigo atestado, se não vou no hospital”.
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Mais tarde, as mensagens continuaram a ser enviadas para a mãe, desta vez pelo WhatsApp da própria estudante. As respostas mantinham o padrão de justificativas para o sumiço.
Em 8 de agosto, às 14h05, a mensagem “Oi mãe, eu consegui atestado. Só tava sem bateria no celular […] Não devia ter bebido tanto tendo que ir trabalhar” foi enviada.
Poucos minutos depois, o perfil enviou declarações de carinho e a promessa de retornar: “Amanhã à noite vou aí para conversamos. Tá bem? Desculpa por isso, te amo”.
Em 8 de agosto, a mãe recebeu uma mensagem dizendo que Joviana talvez dormiria novamente na casa do namorado para ir trabalhar em 10 de agosto de lá. A mãe respondeu com preocupação: “Como assim, se suas coisas estão todas aqui? Bota, os materiais todos, colete, não pode ir sem tudo isso. O que deu que não quer mais vir para casa?”.
Irmã da vítima alertou o suspeito sobre acionar a polícia
Na manhã de 10 de agosto, Lívia, a irmã da vítima, enviou uma mensagem ao suspeito afirmando que chamaria a polícia caso Joviana não aparecesse.
No mesmo dia, Lívia contatou a empresa onde Joviana trabalhava como operadora de máquinas para verificar se a irmã havia apresentado um atestado. A informação foi negada pelo estabelecimento.
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Lívia relatou: “Ela percebeu a diferença desde sexta, mas achou que a Jovi só estava diferente, nunca pensamos que isso aconteceria. Na segunda ela me mostrou e eu também achei estranho. Então resolvemos ir atrás, até porque no domingo ele, se passando por ela, falou que ela voltaria pra casa na segunda pra ir trabalhar e ela não apareceu. Ele teve o sangue frio de mandar mensagem pra minha mãe fingindo ser ela, falando que voltaria pra casa, mesmo depois de tudo que ele fez”.
O autor do crime se entregou à delegacia em 10 de agosto, data em que o corpo foi localizado. Ele confessou ter assassinado a estudante de biologia com um mata-leão após uma briga, trancando o corpo no próprio quarto e convivendo com ele durante todo o fim de semana.
Detalhes sobre o relacionamento do casal por cinco meses
Joviana Evelyn Iankovski e José Gustavo Rabelo de Souza mantinham um relacionamento há cerca de cinco meses. Eles se conheceram em uma festa de aniversário de um amigo em comum, conforme informou a irmã da vítima.
Lívia descreveu o relacionamento como “conturbado, com bastantes brigas”. Ela acrescentou que “ele era ciumento, não deixava ela usar certas roupas, sempre a manipulava pra ela acabar se sentindo presa nisso. Nossa família sabia dos ciúmes e sempre a aconselhava a terminar; mostramos que ela não estava sozinha. Inclusive deletamos o número dele do celular dela uma vez, mas ele entrou em contato com ela pelo celular da mãe dele e eles voltaram a conversar sem a gente saber”.
Joviana havia terminado o relacionamento com o suspeito no final de julho de 2026. Em uma ocasião, ele chegou a persegui-la de motocicleta.
A irmã detalhou: “Eles terminaram em uma sexta-feira no fim de julho. De noite ela saiu para desabafar com uma amiga e chegou em casa falando que o José tinha seguido elas de moto”.
Lívia afirmou não ter certeza se a irmã reatou o relacionamento com José Gustavo, mas confirmou que Joviana continuava a sair com ele.

















