Tumba de 3,6 mil anos descoberta no Egito revela rei de dinastia perdida
Uma colaboração entre o Penn Museum e arqueólogos egípcios, junto ao Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, resultou na descoberta de uma vasta tumba de um faraó não identificado. O local do achado é a antiga necrópole da Montanha Anúbis, em Abydos. A expectativa é que essa descoberta traga novas informações sobre uma dinastia há muito tempo esquecida e um período menos explorado da história egípcia.
A câmara de sepultamento, que data de 3.600 anos e é feita de calcário, foi encontrada a quase sete metros de profundidade em janeiro de 2025. A impressionante estrutura possui uma entrada decorada e várias outras salas, que são cobertas por abóbadas de tijolo de barro com cinco metros de altura. Esta marca a segunda grande tumba de um rei egípcio anunciada em 2025.
Abydos, uma das cidades mais antigas do Alto Egito, está localizada a aproximadamente dez quilômetros do Rio Nilo. Acredita-se que seja o local de sepultamento de Osíris, o deus do submundo, e um portal para a vida após a morte. Esta cidade sagrada também funcionou como necrópole real, sendo o local preferido para o descanso final dos primeiros faraós e exercendo grande influência nas antigas estruturas de poder e no desenvolvimento político do Egito.
Ainda que a identidade do rei sepultado nesta tumba permaneça desconhecida, sabe-se que ele governou durante o Segundo Período Intermediário, entre 1640 e 1540 AEC. Esta época foi caracterizada por grande instabilidade econômica e política, promovendo importantes transformações sociais e tecnológicas em um Egito fragmentado por reinos rivais e em guerra. Um desses reinos foi a Dinastia de Abydos, uma série de monarcas que controlaram parte do Alto Egito e cuja existência foi confirmada em 2014, através de escavações lideradas pelo doutor Josef Wegner, curador da Seção Egípcia do Penn Museum e professor de Arqueologia Egípcia na Universidade da Pensilvânia. Naquele ano, sua equipe revelou a tumba do rei Seneb-Kay, outro governante dessa mesma dinastia.
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As semelhanças na decoração e na arquitetura entre as tumbas escavadas em 2014 e a descoberta de 2025 levaram os arqueólogos do Penn Museum a acreditar que o governante desconhecido pode ter sido um antecessor do rei Seneb-Kay. Apesar do design comparável, a tumba recém-desenterrada é consideravelmente maior do que a de Seneb-Kay ou de qualquer outro monarca conhecido da mesma dinastia ali enterrado.
Em faixas de hieróglifos amarelos, que adornavam o local, outrora estava registrada a identidade do rei.
“O nome do rei estava originalmente registrado em cenas pintadas sobre a alvenaria de tijolos rebocada que decorava a entrada da câmara de sepultamento em calcário”, afirmou o doutor Wegner. Essas pinturas retratam Ísis, a antiga deusa egípcia da maternidade e cura, e sua irmã Néftis, frequentemente vista ao lado de Ísis em rituais funerários. “Contudo, ladrões de tumbas antigos danificaram os textos hieroglíficos, e não sobrou o suficiente para ler o nome do rei. Há vários possíveis proprietários para a nova tumba, incluindo dois reis chamados Senaiib e Paentjeni, que dedicaram monumentos em Abydos, mas cujas tumbas permanecem desconhecidas.”
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O doutor Wegner adicionou que a tumba confirma a existência de outros reis antigos enterrados dentro e nos arredores do recinto do faraó Neferhotep I, um monarca da 13ª Dinastia que reinou um século antes da Dinastia de Abydos.
As escavações continuarão durante 2025 nesta nova área de foco na Montanha Anúbis, que cobre uma extensão de aproximadamente 10.000 metros quadrados de terreno desértico. Serão empregadas tecnologias avançadas, como sensoriamento remoto, magnetometria (mapeamento magnético) e fotogrametria (modelagem tridimensional das tumbas).
“As escavações em curso também incluem a proteção, gestão do local e conservação dessas estruturas. Isso faz parte do nosso compromisso com o sítio em cooperação com o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito”, declarou o doutor Wegner. “Juntos, já abrimos as tumbas do rei Seneb-Kay e do rei Senwosret III como monumentos visitáveis, e estamos em processo de abertura de outros na mesma área onde esta nova tumba foi encontrada. Esta descoberta é uma nova janela para entender as origens da enigmática Dinastia de Abydos.”
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