Proposta de lei busca impulsionar empreendedorismo juvenil com isenção fiscal em regiões de baixo IDH no país
Uma iniciativa legislativa em análise na Câmara dos Deputados visa conceder isenção de tributos federais a novas empresas fundadas por jovens em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) abaixo da média nacional. O Projeto de Lei 2367/26, de autoria do deputado Silvio Antonio (MA), atualmente na suplência, pretende fomentar a criação de negócios e a formalização do trabalho em áreas que enfrentam maiores desafios socioeconômicos.
A medida é apresentada como uma estratégia para estimular a economia local e oferecer oportunidades de crescimento para a juventude brasileira. Ao desonerar as empresas em seus primeiros anos de operação, a proposta busca reduzir as barreiras de entrada para empreendedores jovens, incentivando-os a desenvolver atividades econômicas e gerar empregos em suas comunidades.
No mesmo tema: Deputados avançam com proposta para integrar cultura hip hop nas escolas públicas federais
Alcance e benefícios da medida proposta
Conforme o texto do projeto, as empresas que se enquadrarem nos critérios estabelecidos serão beneficiadas com a suspensão da cobrança de importantes impostos e contribuições federais durante seus três primeiros anos de funcionamento. Essa isenção temporária é considerada crucial para a fase inicial de qualquer negócio, período em que a maioria das empresas enfrenta maiores dificuldades financeiras e operacionais.
Os tributos que seriam isentos pela proposta incluem:
- Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
- Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep);
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
A dispensa desses pagamentos representa um alívio significativo no caixa das empresas recém-criadas, permitindo que os recursos sejam reinvestidos na própria operação, na expansão ou na geração de mais postos de trabalho. Este incentivo fiscal visa criar um ambiente mais propício para a sustentabilidade e o crescimento dessas novas iniciativas empresariais.
Programa “Minha empresa, meu futuro” e suas condições
Para operacionalizar os benefícios, o Projeto de Lei 2367/26 prevê a criação de um programa específico denominado “Minha Empresa, Meu Futuro”. Este programa tem como objetivo principal incentivar e dar suporte ao empreendedorismo juvenil nas regiões que mais necessitam de desenvolvimento.
Mais sobre o assunto: Deputados aprovam exigência de consultas públicas para nomear rodovias e estruturas federais
Embora os requisitos detalhados para a adesão das empresas ao programa ainda não estejam especificados na íntegra no conteúdo divulgado, a proposta indica que haverá critérios claros a serem cumpridos. A expectativa é que esses critérios garantam que o benefício seja direcionado efetivamente para o público-alvo e as regiões prioritárias, maximizando o impacto da política pública.
Contexto social e dados que justificam a iniciativa
O autor do projeto, deputado Silvio Antonio, destaca a urgência de proporcionar alternativas concretas de prosperidade para a juventude, especialmente em localidades historicamente desfavorecidas pelo poder público. Ele cita como exemplo o interior do estado do Maranhão, que representa um cenário de desafios para os jovens.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mencionados na justificativa do projeto, revelam um panorama preocupante. No Maranhão, 43% dos jovens com idade entre 18 e 29 anos residem em domicílios cuja renda per capita não ultrapassa meio salário mínimo. Considerando o salário mínimo de R$ 1.621 previsto para 2026, isso significa que grande parte dessa população vive com até R$ 810,50 por mês, evidenciando a vulnerabilidade econômica.
Além disso, a taxa de formalização entre jovens empreendedores no estado é de apenas 12%, indicando uma predominância de atividades informais. Este cenário reforça a necessidade de medidas que incentivem a formalização e a criação de empregos dignos, contribuindo para a redução da desigualdade e o aumento da renda familiar nessas regiões.
Tramitação e próximas etapas no congresso
A proposta legislativa, que atualmente se encontra em análise na Câmara dos Deputados, tramita em caráter conclusivo. Isso significa que, se aprovada nas comissões designadas, ela não precisará passar pelo plenário da Câmara, a menos que haja recurso de um décimo dos deputados.
O texto será avaliado por diversas comissões antes de seguir para o Senado Federal. As comissões responsáveis pela análise são a de Desenvolvimento Econômico; a de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; a de Finanças e Tributação; e a de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que o projeto se transforme em lei, ele precisará ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

















