Isenção do IRPF para salários de até R$ 5 mil: você sabe como funciona a regra?
O Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) passou por alterações significativas a partir de 1º de janeiro de 2026. A Lei nº 15.270, promulgada em 26 de novembro de 2025, implementou uma nova estrutura de tributação, expandindo a faixa de isenção e introduzindo um desconto gradual para rendimentos que variam entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00 por mês.
Essas modificações trazem impacto direto para milhões de brasileiros. Dados do Ministério da Fazenda indicam que a ampliação da isenção beneficia tanto trabalhadores formais quanto informais que, sob a tabela progressiva anterior, tinham parte de seus ganhos tributados. Com a normativa atual, indivíduos com salário de até R$ 5.000 mensais não terão retenção de IRPF na fonte.
Apesar da isenção ampliada, o governo manteve as deduções por dependentes, previdência privada e despesas médicas. Contudo, novos limites foram estabelecidos e devem ser observados na declaração anual de 2027, que se refere ao ano-calendário de 2026.
Confira a nova tabela de incidência mensal do IRPF para 2026
A Lei nº 15.191, de 11 de agosto de 2025, atualizou a tabela progressiva mensal do IRPF 2026. Abaixo, as faixas de base de cálculo, alíquotas e deduções correspondentes:
| Base de cálculo | Alíquota | Dedução |
| Até R$ 2.428,80 | — | — |
| De R$ 2.428,81 até R$ 2.826,65 | 7,5% | R$ 182,16 |
| De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 | 15,0% | R$ 394,16 |
| De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 | 22,5% | R$ 675,49 |
| Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% | R$ 908,73 |
Os valores apresentados nesta tabela de incidência mensal são aplicados aos rendimentos tributáveis sujeitos à retenção na fonte, incluindo salários, proventos, pensões e ganhos de trabalho assalariado.
No mesmo tema: Isenção do Imposto de Renda sobe para R$ 3.036 em 2025: veja quem deixa de declarar
Tabela de redução: o desconto progressivo e a isenção de R$ 5 mil
A principal inovação do IRPF 2026 reside na tabela de redução mensal, que concede os seguintes benefícios:
| Rendimentos tributáveis | Redução do imposto |
| Até R$ 5.000,00 | Até R$ 312,89 (imposto devido será zero) |
| De R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00 | R$ 978,62 − (0,133145 × rendimentos tributáveis) |
| A partir de R$ 7.350,01 | Redução zera linearmente |
Na prática, isso significa que para quem possui rendimentos de até R$ 5.000 por mês, o imposto a ser pago é zerado. Já para aqueles que recebem entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, o valor do imposto é reduzido de forma gradual e decrescente, até que a redução se anula linearmente a partir dos R$ 7.350,00.
Este mecanismo de desconto progressivo foi concebido para mitigar o impacto de uma transição abrupta na carga tributária quando o contribuinte ultrapassa a faixa de isenção, assegurando uma mudança mais suave entre a isenção total e a aplicação da tabela progressiva padrão.
Desvendando o cálculo do IRPF 2026 em etapas
Para calcular o Imposto de Renda na fonte em 2026, são seguidas duas fases essenciais: primeiro, a aplicação da tabela de incidência para determinar o imposto bruto; em seguida, a utilização da tabela de redução, quando aplicável.

Primeiro passo: apuração da base de cálculo
A base de cálculo é definida como o salário ou rendimento tributável após a dedução dos valores permitidos, como:
- Contribuição previdenciária oficial (INSS)
- Dedução por dependente: R$ 189,59 mensais (equivalente a R$ 2.275,08 anuais)
- Pensão alimentícia fixada judicialmente
- Previdência privada (com limite de 12% da renda bruta, até R$ 2.419,84 mensais)
Segundo passo: aplicação da tabela de incidência
Com a base de cálculo estabelecida, identifique a faixa correspondente na tabela de incidência e calcule o imposto bruto utilizando a seguinte fórmula:
Mais sobre o assunto: Fisco libera consulta do quarto lote de restituição do IRPF 2026 com mais de R$ 1,2 bilhão em pagamentos
Imposto bruto = (Base de cálculo × Alíquota) − Dedução
Terceiro passo: aplicação da redução
Se a base de cálculo for de até R$ 5.000,00, o imposto devido será nulo, uma vez que a redução máxima de R$ 312,89 elimina o imposto bruto. Para bases entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, a fórmula de redução progressiva deve ser aplicada.
Exemplo prático 1: avaliação para um salário de R$ 4.500,00
Imagine um trabalhador com remuneração de R$ 4.500,00, que contribui com R$ 382,50 para o INSS e possui uma dedução de R$ 189,59 por dependente:
- Base de cálculo: R$ 4.500,00 − R$ 382,50 − R$ 189,59 = R$ 3.927,91
- Faixa da tabela: 22,5% (com dedução de R$ 675,49)
- Imposto bruto: (R$ 3.927,91 × 0,225) − R$ 675,49 = R$ 883,78 − R$ 675,49 = R$ 208,29
- Redução aplicada: até R$ 312,89 (devido à base inferior a R$ 5.000,00)
- Imposto devido: R$ 208,29 − R$ 312,89 = R$ 0,00 (isenção)
Exemplo prático 2: análise para um salário de R$ 6.500,00
Considere um profissional com remuneração de R$ 6.500,00, que paga R$ 715,00 de INSS e não tem dependentes:
- Base de cálculo: R$ 6.500,00 − R$ 715,00 = R$ 5.785,00
- Faixa da tabela: 27,5% (com dedução de R$ 908,73)
- Imposto bruto: (R$ 5.785,00 × 0,275) − R$ 908,73 = R$ 1.590,88 − R$ 908,73 = R$ 682,15
- Redução aplicada: R$ 978,62 − (0,133145 × R$ 5.785,00) = R$ 978,62 − R$ 770,34 = R$ 208,28
- Imposto devido: R$ 682,15 − R$ 208,28 = R$ 473,87
Sem a redução, o imposto devido seria de R$ 682,15. Com a implementação da nova regra, o trabalhador consegue uma economia mensal de R$ 208,28.
Isenção extra para aposentados com mais de 65 anos
Muitos pensam que aposentados e pensionistas com idade superior a 65 anos estão automaticamente dispensados da declaração de Imposto de Renda. Contudo, a obrigatoriedade permanece caso os rendimentos ou o patrimônio ultrapassem os limites estabelecidos pela Receita Federal.
Esses contribuintes, no entanto, usufruem de uma parcela isenta de R$ 1.903,98 mensais (totalizando R$ 24.751,74 anuais, já incluindo o 13º salário) sobre seus rendimentos previdenciários. Este benefício é somado à nova isenção de até R$ 5.000,00, proporcionando uma camada adicional de proteção fiscal para os aposentados.
No momento da declaração, essa parcela isenta deve ser registrada na ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, sob o código 10, e o sistema da Receita Federal fará a transferência automática do excedente para os rendimentos tributáveis.
Deduções permitidas no IRPF 2026 que merecem sua atenção
Além das deduções habituais, o contribuinte pode abater da base de cálculo diversos gastos, desde que respeitados os limites legais:
Saiba mais: Receita Federal divulga detalhes do último lote de restituição do IRPF 2026
- Dependentes: R$ 189,59 por mês por dependente
- Despesas médicas: sem limite de valor, com a devida comprovação
- Instrução: limite anual de R$ 3.561,50
- Previdência privada (PGBL): até 12% da renda tributável, com limite mensal de R$ 2.419,84
- Pensão alimentícia: conforme valor fixado judicialmente
- Desconto simplificado: limite mensal de R$ 607,20 (totalizando R$ 17.640,00 anuais)
É crucial que o contribuinte escolha entre o desconto simplificado e as deduções detalhadas, pois não é possível acumular ambos. Na maioria dos cenários, quem possui despesas médicas elevadas ou dependentes obtém maior vantagem com as deduções completas.
Impacto da nova tabela na restituição do IRPF 2027
As retenções na fonte efetuadas ao longo de 2026 já estão alinhadas com a nova tabela de incidência e o desconto progressivo. Isso implica que, na declaração de ajuste anual de 2027, o contribuinte terá um montante menor de imposto retido na fonte ao longo do ano. Consequentemente, isso pode resultar em valores de restituição reduzidos — ou, em alguns casos, até mesmo na necessidade de pagar imposto, especialmente se houver outras fontes de renda não sujeitas à retenção.
Profissionais liberais, trabalhadores autônomos com rendimentos não retidos na fonte e investidores com ganhos de capital devem estar alerta, pois a redução da tributação na fonte pode gerar uma diferença a ser ajustada na declaração anual.
Planejamento do IRPF 2026: um passo essencial para o contribuinte
A reforma do Imposto de Renda de 2026 representa uma transformação importante para milhões de brasileiros. A expansão da isenção para R$ 5.000 mensais e a introdução do mecanismo de desconto progressivo até R$ 7.350 sinalizam um esforço do governo federal em diminuir a carga tributária sobre a classe média e garantir uma transição mais equitativa entre as diferentes faixas de renda.
Para o contribuinte, o caminho é claro: estar informado sobre as novas regras, manter toda a documentação das deduções organizada e, se necessário, buscar aconselhamento profissional para evitar imprevistos na declaração anual. Um planejamento fiscal proativo continua sendo a melhor abordagem para otimizar o pagamento do Imposto de Renda e aproveitar todos os benefícios legais.

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