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O BYD Dolphin demonstrou novamente seu grande sucesso no Brasil, alcançando um desempenho notável nas vendas. Dados preliminares da Fenabrave em agosto indicaram o emplacamento de 4.874 unidades, superando até mesmo seu modelo “irmão”, o Dolphin Mini, e grandes nomes do mercado nacional, como o Volkswagen T-Cross e o Fiat Argo.

O bom desempenho do BYD Dolphin está ligado à sua versão SE, introduzida no mercado em abril com preço de R$ 159.990. Ela se posiciona como uma alternativa intermediária entre as configurações GS, vendida por R$ 149.990, e a Plus, disponível por R$ 184.800. Essa opção se destaca pelo design renovado, apresentando faróis, para-choque e grade com novos traços, além de lanternas com um arranjo visual diferente.

O interior do veículo passou por uma reformulação completa, e o motor de 95 cv foi substituído por uma versão mais potente, de 177 cv. Especialistas automotivos realizaram testes aprofundados com o modelo, revelando agora os pontos fortes e as desvantagens do BYD Dolphin SE.

O que atrai compradores do BYD Dolphin SE

Conectividade aprimorada no sistema multimídia

A central multimídia do Dolphin SE passou por uma significativa melhoria, oferecendo agora uma tela de 12,8 polegadas com resposta muito mais ágil, apesar de ter perdido a função de rotação. A grande inovação é a integração do ecossistema Google ao sistema operacional, o que praticamente eliminou travamentos e garantiu uma conexão sem fio e imediata com Apple CarPlay e Android Auto. A interface também permite agora personalizações, como a fixação dos ícones mais utilizados na barra inferior para facilitar o acesso.

O painel de instrumentos digital também foi aprimorado. Houve um aumento notável no tamanho da tela, que passou de 5 para 8,8 polegadas, proporcionando uma visualização muito mais nítida. O motorista agora pode espelhar informações de aplicativos de navegação como Waze e Google Maps diretamente nesse painel, liberando a central multimídia para outras funções.

Equipamentos de conforto e segurança completos

Pelo valor de R$ 159.990, o Dolphin SE oferece um conjunto robusto de itens de conforto e segurança. Entre os destaques, estão a chave presencial para acesso, partida do motor por botão, ar-condicionado digital de uma zona, carregador de celular por indução com carga rápida de 50W e sistema de ventilação, bancos de couro com regulagem elétrica para o motorista, ventilação para os passageiros dianteiros e faróis de LED.

No quesito segurança, o veículo inclui um pacote ADAS de nível 2. Isso abrange o controle de velocidade adaptativo (ACC), sistema de frenagem autônoma de emergência e um assistente de permanência em faixa, contribuindo para uma condução mais segura.

Amplo espaço interno surpreende no modelo

O Dolphin SE, assim como outros veículos elétricos contemporâneos, consegue oferecer uma notável amplitude interna apesar de suas dimensões compactas. Com 4,28 metros de comprimento, tamanho similar ao de um Jeep Renegade, o carro se destaca pelo entre-eixos de 2,70 metros, que é 14 cm maior que o do SUV e equipara-se ao de um sedã médio como o Toyota Corolla, otimizando o espaço para os ocupantes.

A conveniência para os passageiros é reforçada pela ampla abertura das portas e pelo assoalho traseiro completamente plano. Para maior conforto, o veículo ainda dispõe de saída de ventilação e portas USB na parte de trás da cabine.

Desempenho do motor elétrico foi significativamente aprimorado

Além de um visual modernizado e mais recursos tecnológicos, o BYD Dolphin SE recebeu o mesmo conjunto mecânico encontrado no Yuan Pro. Isso significa que o motor anterior, de 95 cv e 18,3 kgfm, foi substituído por uma unidade mais potente, entregando 177 cv e 29,5 kgfm de torque. Essa elevação na potência resultou em uma mudança drástica na performance do hatch: o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h diminuiu de 10,9 para 7,8 segundos, proporcionando uma condução mais responsiva e segura em diversas condições de tráfego.

Ergonomia do interior recebe melhorias importantes

A cabine do Dolphin SE foi modificada para oferecer uma experiência mais intuitiva ao usuário. A antiga chave seletora de marchas, que ficava no painel, foi substituída por uma haste na coluna de direção. Essa alteração liberou espaço no console central, agora redesenhado, que inclui porta-objetos e um carregador de celular por indução.

Uma outra alteração significativa na ergonomia foi a troca dos bancos dianteiros inteiriços por novos assentos que possuem encostos de cabeça retráteis. Essa mudança não só aumentou o conforto, como também permitiu ajustes mais precisos para diferentes estaturas e tipos de corpo.

Pontos importantes para avaliar antes da compra

Capacidade do porta-malas é um ponto fraco

O porta-malas representa uma das maiores desvantagens do BYD Dolphin SE. Com apenas 250 litros, sua capacidade é ligeiramente superior à do Dolphin Mini, que oferece 230 litros, mas inferior à de diversos hatches compactos menores. O Citroën C3, por exemplo, dispõe de 315 litros. Em comparação com o Geely EX2, a diferença é ainda mais acentuada, pois o concorrente oferece 375 litros no compartimento traseiro e adicionais 70 litros em um bagageiro dianteiro. Contudo, um diferencial do Dolphin SE é a inclusão do estepe de série, uma característica que nem todos os elétricos possuem, mas que compromete o espaço.

Recentemente, alguns proprietários dos modelos Dolphin e Dolphin Mini buscaram soluções improvisadas para ampliar o volume do porta-malas. Eles utilizam furos originalmente destinados à linha de produção para robôs de solda e instalam suportes para o estepe. No entanto, essa prática não é endossada pela fabricante e pode apresentar riscos de segurança, incluindo o possível desprendimento da roda sobressalente durante o uso.

Autonomia do veículo não é a mais competitiva

Embora a bateria Blade LFP tenha recebido um leve aumento de capacidade, passando para 45,1 kWh, comparado aos 44,9 kWh anteriores, essa alteração não se traduziu em melhorias significativas na autonomia. Segundo os padrões de homologação do Inmetro, o alcance oficial do veículo é de 272 km.

Em testes práticos, a autonomia projetada se mostrou mais elevada, atingindo 402 km. Apesar disso, esse valor ainda é inferior ao de todos os seus concorrentes diretos no segmento. Observe a comparação de autonomia projetada entre os hatches elétricos compactos:

  • BYD Dolphin SE: 402 km
  • Geely EX2: 425 km
  • GAC Aion UT: 504 km
  • GWM Ora 5: 472 km
  • Chevrolet Spark: 441 km
  • MG4 Urban: 599 km

Gerenciamento de energia influencia no consumo

Existem duas razões principais que explicam a autonomia inferior do modelo em comparação com seus concorrentes. A primeira delas é a capacidade da bateria, que é menor se comparada às encontradas nos veículos GAC Aion UT, MG4 Urban e GWM Ora 5.

A segunda explicação reside no próprio sistema de gerenciamento de energia do carro. Em avaliações de consumo, o Dolphin registrou 8,9 km/kWh em percursos urbanos e 5,9 km/kWh em rodovias. No ambiente urbano, ele se mostrou mais eficiente que o Aion UT e o Ora 5, mas ficou atrás do EX2 e bem abaixo do MG4 Urban. Em trechos rodoviários, seu desempenho foi inferior ao de quase todos os rivais, superando apenas o modelo da GAC.

Custos de revisões e seguro acima da média

Apesar da expectativa de uma manutenção reduzida em comparação com veículos a combustão, os gastos totais de propriedade do Dolphin permanecem elevados. Segundo informações da Creditas Seguros, o valor do seguro para o BYD é estimado em R$ 4.025 para homens e em R$ 8.295 para mulheres, patamares que superam os dos concorrentes diretos.

A tabela de revisões para um período de cinco anos soma R$ 4.128, um custo que se mostra mais alto até mesmo do que o de veículos a combustão com preço semelhante, como o Chevrolet Tracker (R$ 3.352) e o Hyundai Creta (R$ 3.653). É importante frisar que, em carros elétricos, não há necessidade de troca de óleo, filtros de combustível ou velas, o que torna esse valor ainda mais surpreendente.

Mesmo quando comparado a outros veículos elétricos, as revisões do Dolphin são mais custosas do que as de rivais como MG4 Urban, EX2, Spark e Aion UT.

Suspensão ainda transmite irregularidades do piso

Apesar de ter recebido recalibrações nas molas e amortecedores para o cenário brasileiro, a suspensão do Dolphin SE ainda se mostra excessivamente rígida no uso cotidiano. Ao transitar por irregularidades como emendas de asfalto, paralelepípedos, valetas ou buracos, o sistema transfere impactos secos e vibrações acentuadas diretamente para o interior, o que afeta o conforto, especialmente dos passageiros no banco traseiro.

O curso restrito dos amortecedores contribui para que a suspensão atinja o batente com frequência. O conjunto carece de um amortecimento mais progressivo, uma característica que a própria BYD conseguiu implementar com sucesso nos modelos Song Pro e Dolphin Mini.

Ficha técnica do BYD Dolphin SE

  • Preço: R$ 159.990
  • Motor: Dianteiro, elétrico, síncrono, ímãs permanentes
  • Potência: 177 cv
  • Torque: 29,6 kgfm
  • Câmbio: Automático, 1 marcha, tração dianteira
  • Bateria: 45,1 kWh (LFP)
  • Carregamento máximo: 6,6 kW (AC) e 80 kW (DC)
  • Direção: Elétrica
  • Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) e Multilink (traseira)
  • Freios: Discos ventilados (dianteiros) e sólidos (traseiros)
  • Pneus: 205/50 R17
  • Porta-malas: 250 litros (VDA)
  • Peso: 1.485 kg
  • DIMENSÕES
  • Comprimento: 4,28 metros
  • Largura: 1,77 metro
  • Altura: 1,57 metro
  • Entre-eixos: 2,70 metros

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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