Ataque ucraniano acerta bombardeiro nuclear russo Tu-95MS e expõe fragilidade estratégica

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Ataque de drones - Anelo/Shutterstock.com Foto: Ataque de drones - Anelo/Shutterstock.com

Um ataque de drones realizado pela Ucrânia atingiu uma refinaria em Yaroslavl, a mil quilômetros da linha de frente do conflito, e também um bombardeiro nuclear na região russa de Saratov, no sul do país vizinho, em 28 de agosto de 2026. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez o anúncio sobre as operações.

Em uma declaração publicada no X (antigo Twitter), Zelensky confirmou: “Em Engels [cidade de Saratov], na Rússia, combatentes da unidade Alpha do Serviço de Segurança da Ucrânia atingiram uma aeronave lançadora de mísseis Tu-95MS. Essas são as aeronaves que realizam ataques contra a Ucrânia”.

Volodymyr Zelensky
Volodymyr Zelensky – OSCAR GONZALEZ FUENTES / Shutterstock.com

O Tupolev Tu-95 representa um bombardeiro estratégico com capacidade nuclear, que tem sido empregado pela Rússia desde a era da União Soviética.

Este modelo fez seu voo inaugural em 1952 e entrou em serviço ativo em 1956. No entanto, sua primeira utilização em combate ocorreu apenas em 2015, durante a Guerra Civil na Síria, período em que o regime de Vladimir Putin ofereceu apoio ao ditador Bashar al-Assad, que se exilou em Moscou no final de 2024 após uma rápida ofensiva rebelde.

A expectativa é que o Tu-95 permaneça em uso pelas forças russas até, pelo menos, 2040. No atual conflito na Ucrânia, o bombardeiro tem sido empregado para lançar mísseis de cruzeiro.

Antes da recente operação anunciada pelo presidente Zelensky, a Ucrânia já havia conseguido atingir outros exemplares desse tipo de bombardeiro em ocasiões anteriores.

Em junho de 2025, a ofensiva conhecida como “Operação Teia de Aranha” resultou na destruição de pelo menos oito aeronaves Tu-95MS e Tu-95MSM, localizadas nas bases aéreas de Belaya e Olenya. Posteriormente, em 17 de julho de 2026, um novo ataque com drones ucranianos atingiu a base aérea de Engels, danificando outro Tu-95.

Desde a ofensiva ucraniana de 2025, a frota desses bombardeiros foi realocada para Ukrainka, no extremo oriente da Rússia, em uma medida para protegê-los de possíveis ataques de Kiev.

Contudo, apesar da mudança estratégica, os aviões ainda precisam ser transportados para Engels, mais próxima da fronteira com a Ucrânia, para que possam ser equipados com mísseis de cruzeiro Kh-101 e, então, realizar os ataques. Essa necessidade aumentou a distância de voo para mais de 12 mil quilômetros (ida e volta) em cada missão de combate.

Informações técnicas revelam que o Tu-95MS é uma versão modernizada da aeronave antissubmarino Tu-142MK, que data de 1979, e foi adaptada para o transporte de mísseis de cruzeiro como o Kh-55/Kh-555 e o Kh-101/Kh-102.

Em 2024, a frota aérea russa possuía 31 unidades do Tu-95MS e 27 da versão atualizada, o Tu-95MSM, que foi adotada a partir de 2015.

A modernização desses bombardeiros incluiu a instalação de novos motores, um sistema de defesa a bordo Meteor-NM2 aprimorado, além de sistemas avançados de navegação e astronavegação e um sistema de exibição de informações. Essas atualizações também ampliaram a capacidade de mísseis transportados em pilones externos para até oito unidades.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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