Plástico domina 59% da produção mundial de fibras e compõe 37% da massa dos celulares

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Natureza Plastico Foto: Natureza Plastico - Foto: zianlob/Shutterstock.com

O plástico respondeu por 59% de toda a produção mundial de fibras têxteis em 2025, por meio do poliéster, e representa em média 37% da massa total dos smartphones. Os dados integram levantamentos divulgados pela organização internacional Textile Exchange e pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), que mapeiam a aplicação de polímeros em vestuário, eletrônicos, veículos, hospitais e conservação de alimentos.

De acordo com o relatório Materials Market Report 2026, publicado pela Textile Exchange em 22 de setembro de 2026, a fabricação global de fibras alcançou o recorde de 139 milhões de toneladas em 2025, superando as 132 milhões de toneladas registradas em 2024. No Brasil, o uso cotidiano desses materiais divide a percepção dos consumidores entre a utilidade prática e a preocupação ecológica. “Os brasileiros entendem que o plástico desempenha funções importantes em diferentes áreas, ao mesmo tempo em que reconhecem a necessidade de reduzir os impactos ambientais por meio do descarte correto, da reciclagem e do fortalecimento da economia circular”, afirmou Paulo Teixeira, presidente do Sindiplast.

Poliéster e plástico na indústria têxtil e de calçados

Dentro do volume recorde de 139 milhões de toneladas de fibras produzidas no mundo em 2025, o poliéster atingiu a marca de 82,5 milhões de toneladas. Desse montante, 72,8 milhões de toneladas (88% do poliéster total) vieram de matéria-prima virgem de origem fóssil, deixando o algodão na segunda posição global com 18% de participação no mercado. A produção de poliéster reciclado somou 9,7 milhões de toneladas no mesmo período, sendo que 97% desse volume específico teve como origem garrafas plásticas PET, e não o reaproveitamento de resíduos têxteis descartados pela própria indústria da moda.

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Na confecção de roupas como jaquetas, calças de academia e camisetas esportivas, a fibra sintética é adotada pela secagem rápida, resistência física e menor tendência a amassar. O setor calçadista também incorpora variações do material mesmo em modelos cuja parte externa é fabricada em couro animal. Polímeros sintéticos como o poliuretano e o EVA compõem a palmilha, a entressola e o solado dos tênis para garantir sustentação, flexibilidade durante a caminhada ou corrida, absorção de impacto e resistência ao desgaste causado pelo atrito direto com o solo.

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Participação do plástico em celulares, redes elétricas e veículos

A presença de polímeros — grandes moléculas formadas pela repetição de pequenas unidades químicas cuja estrutura define se o item será rígido, flexível, elástico ou resistente ao calor — estende-se à engenharia elétrica, automotiva e de telecomunicações. Um estudo técnico realizado com 23 modelos de smartphones apontou que os componentes plásticos correspondem a uma média de 37% da massa dos aparelhos, distribuídos em cabos e fios internos para isolamento elétrico, placas de circuito para estrutura, peças com propriedades ópticas nas câmeras, membranas flexíveis de alto-falantes e microfones, além de adesivos e vedações para fixação.

Fora dos aparelhos portáteis, a capacidade de isolar a corrente elétrica e suportar variações térmicas faz do plástico o revestimento padrão para fios metálicos condutores, tomadas, interruptores e conectores, prevenindo curtos-circuitos e choques elétricos quando a instalação está íntegra. Na indústria automobilística, a aplicação de plásticos e outros materiais leves em para-choques, painéis e revestimentos internos substitui peças mais pesadas conforme as exigências de segurança de cada componente. Segundo dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos, diminuir em 10% o peso total de um automóvel proporciona uma melhora na economia de combustível que varia entre 6% e 8%.

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Pesquisa do Sindiplast sobre embalagens, saúde e descarte no Brasil

No setor de saúde e no comércio de alimentos, a barreira física proporcionada pelos polímeros atua contra a contaminação externa. Hospitais utilizam o material em seringas descartáveis, tubos, sistemas de infusão, bolsas flexíveis para soluções intravenosas e invólucros que mantêm instrumentos cirúrgicos esterilizados até o momento do procedimento médico. Na alimentação, filmes plásticos e camadas de polietileno aplicadas no interior de caixas cartonadas de longa vida (combinadas com papel-cartão e alumínio) protegem produtos como leite, carnes, frutas e biscoitos da ação do oxigênio, da umidade e da luz.

Para medir a visão da população sobre essas aplicações e o destino do lixo, o instituto Nexus realizou em março de 2025 um levantamento para o Sindiplast com 2.009 entrevistados em todas as regiões do Brasil. Os principais percentuais registrados na consulta nacional demonstram a relação dos moradores com o material:

  • 93% dos entrevistados concordam que o descarte incorreto de embalagens plásticas gera impactos negativos ao meio ambiente;
  • 87% avaliam que as embalagens plásticas ajudam a preservar a qualidade dos produtos e a evitar o desperdício de alimentos;
  • 81% declaram o hábito de evitar a geração de lixo no dia a dia;
  • 61% afirmam ser impossível evitar a utilização de embalagens plásticas na rotina cotidiana;
  • 22% já encaminham as embalagens para uma destinação específica, utilizando sistemas de doação ou coleta por empresas especializadas.

Substituição de matéria-prima animal pelo plástico desde o século XIX

A adoção em larga escala de materiais poliméricos ao longo dos últimos dois séculos alterou cadeias produtivas que antes dependiam exclusivamente de recursos naturais ou de origem animal. Na fabricação de colchões, travesseiros, sofás e estofados, a espuma sintética de poliuretano — formulada para entregar diferentes graus de firmeza, elasticidade e maciez — ocupou o espaço que historicamente pertencia ao preenchimento com crina de cavalo, penas, lã, algodão e fibras vegetais. Já no começo do século XX, o desenvolvimento da baquelite inaugurou a produção industrial de plásticos totalmente sintéticos, viabilizando a carcaça isolante de aparelhos de rádio e telefones antigos.

Antes disso, no século XIX, a criação do celuloide serviu como alternativa direta à exploração da tartaruga-de-pente, cujo casco era extraído para a manufatura de armações de óculos, pentes e acessórios de cabelo devido à sua resistência e facilidade de moldagem. Registros do museu de design Cooper Hewitt, vinculado ao instituto Smithsonian, em Nova York, indicam que peças de celuloide já reproduziam o aspecto visual do casco animal na década de 1880. Apesar da alternativa sintética, a caça prosseguiu no século seguinte: apenas entre os anos de 1950 e 1992, o Japão importou mais de 310 toneladas de casco de tartaruga-de-pente, volume correspondente à captura estimada de 1,3 milhão de animais.

O destino final dos polímeros fabricados atualmente divide-se entre a disposição controlada em aterros sanitários licenciados, que contam com impermeabilização para proteger o solo e a água, e o envio para centrais de reciclagem. O reaproveitamento industrial para diminuir a extração de novas matérias-primas depende diretamente da separação doméstica, da estrutura de coleta seletiva, da triagem por categoria de resina e da tecnologia de processamento disponível para cada tipo de plástico.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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