Reestruturação da P&G, dona de Oral-B e Pampers, extingue 7 mil vagas e muda linha de produtos

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Gillette - ERIK Miheyeu / Shutterstock.com Foto: Gillette - ERIK Miheyeu / Shutterstock.com

A Procter & Gamble (P&G), uma das principais fabricantes globais de produtos de consumo, deu início a um processo de transformação que impacta sua estrutura organizacional, resulta na redução de equipes e na descontinuação de itens conhecidos em diversos mercados internacionais.

A companhia, que detém marcas renomadas como Oral-B, Gillette, Pampers, Ariel, Pantene e Head & Shoulders, implementou um plano abrangente que inclui o corte de cerca de 7 mil empregos globalmente.

Simultaneamente, a multinacional optou por sair de certas categorias de produtos e até mesmo desativou sua própria planta de produção em uma das regiões onde opera.

Essas modificações integram um projeto de reorganização que foi divulgado em 2025. A maior parte das ações planejadas pela empresa deve ser concluída até o final do ano fiscal de 2027.

É crucial entender que, apesar da magnitude dessas operações, a P&G não planeja o fim global de marcas essenciais como Gillette, Oral-B ou Pampers. A estratégia se foca em ajustes localizados, impactando produtos, formatos e regiões específicas, buscando otimização em vez de uma retirada completa do mercado mundial para essas linhas principais.

Procter & Gamble anuncia demissão de 7 mil trabalhadores

A diminuição do quadro de funcionários constitui um dos pilares mais significativos deste processo de reestruturação.

A P&G divulgou o desligamento de cerca de 7 mil colaboradores ao longo de um período de dois anos. No momento do anúncio do plano, esse número representava aproximadamente 6% da sua mão de obra mundial.

No entanto, o impacto dessas demissões não se restringe apenas às áreas de produção.

A companhia informou que os cortes correspondem a cerca de 15% dos funcionários que desempenhavam atividades fora do setor industrial. Assim, as áreas mais atingidas são as funções corporativas, administrativas e de apoio.

Ao reduzir o número de equipes, a multinacional busca agilizar processos decisórios, simplificar sua estrutura e conter gastos operacionais.

Além das demissões, a empresa também está revisando sua logística de abastecimento e analisando a relevância de seus produtos em cada mercado específico.

Custos da reestruturação já superam centenas de milhões de dólares

O programa de reestruturação deixou de ser uma mera projeção e já se reflete nos balanços financeiros da P&G.

Nos nove meses que se encerraram em março de 2026, a P&G registrou um total de US$ 455 milhões em gastos referentes à saída de seus colaboradores.

Considerando outros encargos vinculados à reorganização, como ativos e diversos ajustes operacionais, o montante atingiu US$ 782 milhões no mesmo intervalo de tempo.

A empresa reportou em julho de 2026 que já havia computado mais da metade dos custos totais previstos para o programa durante o exercício fiscal precedente.

A previsão é que a maior parte dos gastos remanescentes seja contabilizada ao longo do ano fiscal de 2027.

Mudanças no portfólio já afetam produtos em alguns países

As iniciativas da P&G não se limitam apenas à força de trabalho.

A companhia optou por enxugar seu portfólio, descontinuando certas marcas, formatos de produtos e modelos de comercialização em mercados onde busca uma atuação mais econômica.

Parte dessas alterações já foi implementada.

Nas Filipinas, linhas de produtos ligadas às marcas Pampers, Whisper e Tide estão em fase de retirada do mercado.

Esse processo de reorganização se intensificou no final de 2025 e continuou ao longo de 2026.

Consequentemente, os consumidores daquele país agora encontram uma disponibilidade menor de produtos de marcas que tradicionalmente ocupavam um espaço significativo nas prateleiras.

Marca Pampers tem produção e venda encerradas nas Filipinas

Uma das deliberações mais notáveis é a descontinuação da marca Pampers nas Filipinas.

A P&G optou por cessar a fabricação e a venda dessa categoria de produtos no território filipino.

A própria marca já havia informado sobre uma saída progressiva de seus produtos.

Tal medida é relevante, visto que Pampers figura entre as marcas de maior reconhecimento no portfólio global da Procter & Gamble.

Todavia, é importante notar que essa modificação não implica no fim mundial da marca.

A companhia mantém a comercialização de Pampers em diversas regiões do mundo e a preserva como um de seus negócios internacionais mais estratégicos.

Detergentes Ariel e Tide também deixam de ser vendidos em certas apresentações

As transformações também atingiram o setor de produtos para limpeza de roupas.

A empresa resolveu encerrar a atuação no segmento de detergentes e sabões em barra para vestuário em mercados como Índia e Filipinas.

Nas Filipinas, essa ação afetou algumas apresentações das marcas Tide e Ariel.

Mais uma vez, a P&G não encerrou as marcas em nível global.

A decisão foi somente de parar a fabricação ou a comercialização de certos formatos de produtos nesses mercados específicos.

Enquanto algumas linhas são reduzidas, a multinacional continua com outros produtos das mesmas marcas em nações que considera de grande importância estratégica.

Marca de higiene feminina Whisper se retira do mercado filipino

A marca Whisper também foi incluída no processo de reorganização.

Os produtos de higiene feminina da Whisper saíram do mercado filipino, seguindo o mesmo padrão das mudanças que afetaram Pampers e algumas linhas de lavagem de roupas.

A descontinuação da marca ocorreu de forma progressiva.

Comerciantes notaram uma diminuição na oferta dos produtos a partir do final de 2025, quando o processo começou.

Essa estratégia sinaliza que a P&G está preparada para descontinuar até mesmo marcas de grande visibilidade, caso o retorno financeiro em um mercado específico não atinja as expectativas.

Outros produtos podem ser descontinuados nos próximos anos

A análise do portfólio de produtos segue em curso.

Nos resultados divulgados em julho de 2026, a empresa admitiu que futuras descontinuações deverão impactar seu desempenho durante o ano fiscal de 2027.

A P&G estima que a remoção de marcas, formatos e métodos de comercialização poderá diminuir o crescimento orgânico projetado para o período entre 0,3 e 0,5 ponto percentual.

Essa estimativa sugere a possibilidade de novas modificações.

Contudo, a P&G não divulgou uma lista exaustiva das próximas marcas ou produtos que serão descontinuados.

Assim, não há confirmação de que marcas como Gillette, Oral-B, Pantene ou Head & Shoulders serão encerradas, por exemplo.

P&G encerra fabricação própria no Paquistão

Outra alteração significativa ocorreu no Paquistão.

Em outubro de 2025, a P&G decidiu finalizar suas operações de fabricação e comercialização diretas naquele país.

Essa decisão também se estendeu à estrutura da Gillette Pakistan.

Nesta situação, a multinacional redefiniu sua estratégia de atuação no mercado, em vez de simplesmente remover todas as suas marcas.

A empresa agora utiliza distribuidores independentes, que são responsáveis por fornecer os produtos aos consumidores com itens produzidos em outras fábricas.

Com isso, produtos de marcas como Gillette, Ariel, Pampers, Pantene, Head & Shoulders e Oral-B ainda podem ser encontrados no mercado, mesmo sem uma presença industrial direta da P&G no Paquistão.

Essa medida evidencia outra vertente da estratégia da P&G: diminuir os custos fixos em certos mercados, mantendo a presença comercial através de alianças com parceiros locais.

Marcas como Oral-B e Gillette não terão fim global

Embora Oral-B e Gillette estejam entre as marcas mais conhecidas da P&G, não há qualquer comunicado sobre o encerramento mundial dessas linhas de produtos.

Ambas as marcas permanecem como parte integrante do portfólio da Procter & Gamble.

O mesmo se aplica a Pampers, Ariel, Pantene, Head & Shoulders e Tide.

Dessa forma, a reestruturação não significa uma eliminação em massa das marcas mais importantes da empresa.

A multinacional avalia cada mercado individualmente para determinar quais produtos, formatos ou operações devem ser mantidos.

Como a reestruturação da P&G afeta o mercado brasileiro?

No Brasil, até o momento, não há informes sobre a descontinuação de marcas como Oral-B, Gillette, Pampers ou Ariel como resultado deste programa de reestruturação.

Igualmente, não foi divulgada nenhuma informação que indique que os 7 mil cortes de empregos anunciados pela P&G estejam concentrados no país.

A P&G não detalhou a distribuição total das demissões por mercado.

As principais descontinuações de produtos já anunciadas até agora envolvem outros países, com foco especial nas Filipinas.

No Paquistão, a empresa encerrou sua estrutura própria de operação e implementou um novo modelo de distribuição.

Desse modo, os consumidores brasileiros continuam a encontrar normalmente as marcas mais relevantes da multinacional.

P&G demonstra solidez financeira mesmo com as transformações

Os cortes de postos de trabalho e de linhas de produtos não indicam que a Procter & Gamble esteja em processo de falência.

A empresa concluiu o exercício fiscal encerrado em junho de 2026 com um volume de vendas de aproximadamente US$ 87 bilhões.

O faturamento anual registrou um crescimento de cerca de 3%.

Adicionalmente, a multinacional reportou um lucro líquido de aproximadamente US$ 16,1 bilhões e gerou US$ 19,6 bilhões em fluxo de caixa operacional.

Portanto, a reestruturação está sendo realizada por uma empresa que mantém um alto nível de lucratividade.

A iniciativa da P&G visa aprimorar suas margens de lucro, diminuir custos operacionais e focar investimentos em segmentos de negócios com maior potencial de retorno, o que reforça que a empresa está se ajustando estrategicamente para o futuro, e não em crise.

Crescimento de custos e concorrência impulsionam as alterações

Mesmo com lucros na casa dos bilhões, a multinacional se depara com um ambiente de mercado mais desafiador.

Para o exercício fiscal de 2027, a P&G projeta um impacto de cerca de US$ 1 bilhão, já com os impostos, devido à elevação dos custos de matérias-primas, transporte e energia.

Simultaneamente, em diversos mercados, os consumidores têm buscado por opções mais acessíveis.

Essa tendência intensifica a competitividade entre as marcas consolidadas e os produtos de fabricantes locais ou as marcas próprias de grandes varejistas.

Diante desse panorama, a P&G optou por uma estrutura mais enxuta e por direcionar seus investimentos para as categorias que prometem maior retorno.

Reorganização global da P&G prossegue em 2027

O plano de reorganização ainda não foi concluído.

A Procter & Gamble estima que o custo total da reorganização variará entre US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão, antes dos impostos, ao longo de aproximadamente dois anos.

Nesse período, a empresa continuará com a redução de equipes, a revisão de suas operações e a avaliação sobre quais produtos serão mantidos em cada mercado.

Em essência, uma das maiores companhias de bens de consumo do mundo está combinando o corte de 7 mil funcionários com uma significativa diminuição de seu portfólio de produtos.

Categorias de Pampers e Whisper já foram removidas de um mercado-chave. Ariel e Tide tiveram certas apresentações descontinuadas. Adicionalmente, a P&G finalizou sua própria operação de produção em outra nação.

Entretanto, no momento, marcas conhecidas como Gillette, Oral-B, Pampers, Ariel, entre outras, seguem presentes no portfólio mundial da P&G e continuam disponíveis sem alterações no mercado brasileiro, garantindo que os consumidores do país não sejam afetados diretamente por estas mudanças anunciadas.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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