Himalaia corre grande risco de inundações glaciais e ameaça milhões de pessoas

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geleiras do Himalaia Foto: geleiras do Himalaia - fireFX/shutterstock.com

A região do Himalaia enfrenta sérios riscos de inundações glaciais nos próximos anos, um alerta emitido por uma alta autoridade da Organização das Nações Unidas. Esta preocupação ganha força após uma enchente devastadora ocorrida no Nepal, em 1º de setembro de 2026, que resultou na morte de mais de 1.000 pessoas. A catástrofe foi provocada pelo colapso de uma geleira, evidenciando a fragilidade da região diante dos eventos climáticos extremos.

Milhões de moradores em áreas de risco e infraestruturas ameaçadas

O impacto das inundações no Himalaia vai muito além do Nepal. Kanni Wignaraja, secretária-geral adjunta da ONU e diretora regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para a Ásia e o Pacífico, afirmou que milhões de pessoas que residem às margens dos rios podem se ver em situações de risco extremo, com suas casas se tornando inabitáveis. A vulnerabilidade se estende também à infraestrutura vital, como as usinas hidrelétricas, das quais a população local depende significativamente para o abastecimento de energia.

Pesquisa revela a dimensão dos lagos glaciais perigosos na região

A ameaça das inundações glaciais é amplificada pela presença de numerosos lagos formados pelo derretimento das geleiras. Em 2020, pesquisadores já haviam identificado 47 lagos glaciais potencialmente perigosos no Nepal, na China e na Índia. Contudo, estimativas mais recentes do PNUD, compiladas em junho, sugerem que o número real é consideravelmente maior.

Esses lagos representam um perigo constante, pois o acúmulo de água pode, eventualmente, romper barreiras naturais, desencadeando ondas de inundações repentinas rio abaixo.

Entenda por que o Himalaia é tão vulnerável

As autoridades da ONU explicam que o risco de rompimento de lagos glaciais e de colapsos de geleiras está aumentando por diversos fatores:

  • Derretimento acelerado de geleiras: As mudanças climáticas intensificam o derretimento, liberando rochas e aumentando a pressão sobre as barreiras dos lagos.
  • Montanhas jovens: A região do Himalaia é geologicamente jovem, tornando-a mais suscetível a movimentos tectônicos que podem desestabilizar geleiras e lagos.
  • Tecnologia insuficiente: As soluções tecnológicas atuais não conseguem avançar na mesma velocidade dos problemas, dificultando a prevenção de perdas significativas ao longo dos grandes sistemas fluviais.

O impacto crítico no Nepal e os desafios financeiros

Nenhum país na região do Himalaia depende tanto das geleiras para seu abastecimento de água e geração de renda quanto o Nepal. Para os moradores que vivem às margens dos rios, a mudança para terrenos mais altos é, muitas vezes, inviável financeiramente, o que os mantém em constante perigo. A recente enchente no país, desencadeada por um deslizamento de terra no rio Trishuli após o colapso de uma geleira perto do pico Langtang Lirung, destruiu 15 grandes usinas de energia que estavam em construção, além de danificar outras em operação. Este fato evidencia a fragilidade da infraestrutura e a urgência de medidas de adaptação e prevenção.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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