Hyundai Creta 2028 pode chegar com motor híbrido flex de até 245 cvPor Beatriz
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A Hyundai prepara a reformulação mais profunda do Creta desde que o SUV chegou ao Brasil. A terceira geração do modelo nascerá em Piracicaba, no interior de São Paulo, receberá um sistema híbrido pleno flex de alta tensão e deixará o grupo dos compactos para brigar diretamente com o Toyota Corolla Cross e o Jeep Compass.
O lançamento no mercado brasileiro está previsto para o primeiro semestre de 2028, depois da apresentação global marcada para 2027. Ainda assim, há uma distância clara entre o que a montadora já confirmou e o que segue apenas em estudo: a Hyundai admitiu que trabalha em veículos híbridos flex para o país, mas não revelou potência, torque, consumo nem a configuração mecânica definitiva do novo Creta.
O motor híbrido que pode levar o Creta a 245 cv
Entre as opções em avaliação para o futuro Creta está a nova geração da arquitetura TMED-II. O conjunto une um motor 1.6 Smartstream turbo de injeção direta a dois motores elétricos e uma transmissão automática de seis marchas.
Um dos motores elétricos fica preso ao virabrequim e cuida da partida, da geração de energia e do gerenciamento geral do sistema. O outro é acoplado à transmissão e participa da tração das rodas. A depender da calibração escolhida pela engenharia, a soma pode variar entre 230 cv e 245 cv.
Seria um avanço e tanto. O Creta Ultimate atual usa motor 1.6 turbo flex com 176 cv e 27 kgfm de torque, câmbio automatizado de dupla embreagem com sete marchas, e vai de zero a 100 km/h em 8,1 segundos, com velocidade máxima de 202 km/h, segundo a ficha técnica oficial da marca.
No caso do Creta 2028, a eletrificação não teria como único objetivo elevar a potência. Um híbrido pleno consegue rodar apenas na eletricidade em certas condições, recupera energia durante as freadas e reduz o esforço do motor a combustão em trechos de trânsito parado, diferença central em relação aos híbridos leves de 12 ou 48 volts, que apenas complementam o motor principal.
Por que o SUV deve crescer de porte
O novo Creta vai se apoiar na plataforma modular K3, a mesma base global que sustentará a próxima geração do Kona. A padronização da arquitetura ajuda a Hyundai a reduzir custos de desenvolvimento e facilita a inclusão do sistema híbrido em diferentes carrocerias.
Hoje o Creta tem 4,33 metros de comprimento, 1,79 metro de largura e 2,61 metros de distância entre eixos. A expectativa é que a nova geração chegue perto dos 4,40 metros, mas a Hyundai ainda não divulgou as medidas finais.
O crescimento deve abrir espaço para um habitáculo maior e um posicionamento mais premium dentro da linha. O porta-malas atual comporta 422 litros, e não há número confirmado para o modelo seguinte, mas a base maior cria margem para ampliar a cabine sem prejudicar a instalação da bateria.
A reorganização também atinge o restante do catálogo da marca. O futuro Bayon assumirá a função de SUV compacto de entrada, liberando o Creta para crescer em tamanho, equipamentos e preço e deixar de disputar apenas com Volkswagen T-Cross, Honda HR-V e Chevrolet Tracker para alcançar uma faixa hoje ocupada por utilitários médios.
O impacto dos 245 cv na disputa com os híbridos
Frente ao Corolla Cross Hybrid, a configuração mais robusta em estudo abriria uma vantagem expressiva de potência. O modelo da Toyota combina motor 1.8 flex com um propulsor elétrico e entrega 122 cv, priorizando consumo de até 17,8 km/l com gasolina, conforme dados divulgados pela própria fabricante.
Se confirmar os 245 cv, o Creta ofereceria quase o dobro da potência do rival japonês. O conjunto se aproximaria de SUVs médios voltados ao desempenho, mantendo a vantagem de dispensar tomada para recarga da bateria.
Contra o Compass, o desafio muda de natureza. O Jeep já tem porte, acabamento e reputação consolidados no segmento médio, e caberá ao novo Creta transformar o crescimento externo em espaço interno, conforto, segurança e equipamentos, não apenas em cavalos a mais debaixo do capô.
O peso do híbrido flex na estratégia da Hyundai
O desenvolvimento do sistema híbrido flex integra o plano de investimento de R$ 5,5 bilhões que a Hyundai anunciou para o Brasil até 2032. A possibilidade de rodar com etanol permite reduzir emissões de origem fóssil sem depender de rede de recarga, um diferencial relevante para o mercado nacional.
Restam perguntas em aberto. A capacidade da bateria, o consumo homologado e as versões que vão receber a tecnologia ainda não foram detalhados, e também não está definido se o Creta 2028 usará o TMED-II turbo de até 245 cv ou uma evolução do conjunto aspirado do Kona Hybrid, hoje vendido com 141 cv e 27 kgfm.
O desenho que já se percebe aponta para uma mudança de papel do modelo dentro da Hyundai. Ao ganhar porte, dividir arquitetura com o Kona e adotar eletrificação plena, o Creta deixa de ser apenas uma atualização do SUV compacto atual.







