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Corpo humano enfrenta degradação extrema no cume do Everest

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Foto: Evereste - Alex Tumee/Shutterstock.com
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A engenheira brasileira Olivia Bonfim completou a travessia entre o cume do Everest e o monte Lhotse em 21 de maio, tornando-se a primeira mulher sul-americana a atingir os dois topos sucessivos no Himalaia. Ela esteve acompanhada pelo marido, o guia Carlos Santalena, e pelo cirurgião torácico Marcos Bogado na expedição que registrou as reações do corpo humano em altitudes superiores a 8 mil metros.

No cume do Everest, a quantidade de ar disponível cai para um terço da medição habitual registrada na praia.

Falta de oxigênio afeta circulação e engrossa o sangue

O ar rarefeito força uma adaptação progressiva que exige escaladas lentas de 500 metros ganhos por dia. Segundo Marcos Bogado, o frio desidrata os tecidos e faz o sangue ficar viscoso dentro das artérias dilatadas. “Se uma pessoa que vive ao nível do mar fosse levada diretamente a essa altitude, poderia morrer em poucas horas”, disse o médico.

A perda excessiva de água e a pressão desregulada podem provocar edema cerebral ou edema pulmonar nos pontos mais íngremes do Himalaia. O acúmulo anormal de líquido nos órgãos vitais gera risco iminente de morte quando a descida imediata não acontece.

Já no acampamento-base, a 5.400 metros de altitude, o esforço físico mínimo provocava exaustão respiratória severa em Olivia Bonfim. A digestão simplesmente trava. “Até esforços simples, como subir uma pequena elevação ou ir ao banheiro, já me deixavam completamente ofegante”, afirmou a engenheira. Para bombear o escasso oxigênio até o cérebro, a musculatura cardíaca bate acelerada continuamente sem descansar nem durante o sono.

  • A frequência cardíaca se mantém em ritmo de urgência contínua a partir do acampamento-base.
  • O gasto metabólico ultrapassa 10 mil calorias diárias no dia de ataque ao cume.
  • A densidade de glóbulos vermelhos sobe para compensar o déficit respiratório.

Desgaste muscular e perda calórica aceleram perda de peso

Durante a progressão pelas paredes de gelo rumo ao topo do monte Everest, o organismo humano queima primeiramente o glicogênio das reservas musculares para obter energia imediata antes de começar a consumir as próprias fibras de massa magra do corpo com grande rapidez.

Olivia Bonfim perdeu sete quilos ao longo dos 50 dias da expedição pelo Nepal. A montanhista pesava 57 quilos ao iniciar a viagem e enfrentou dificuldades severas para se alimentar com refeições liofilizadas no acampamento 4. O cirurgião Marcos Bogado explicou que suplementos de aminoácidos de cadeia ramificada ajudam a conter essa perda intensa de músculo.

Zona da morte impõe limite biológico acima de 8 mil metros

Acima dos 8 mil metros, na chamada zona da morte, o corpo humano perde a capacidade de adaptação mesmo com o suporte de cilindros de oxigênio. “A partir dessa altura, o corpo começa, lentamente, a se degradar”, afirmou o médico Marcos Bogado.

A permanência nessa altitude limite precisa ser contada em horas para evitar colapso fisiológico total antes do início da descida. Durante a subida ao cume, Olivia Bonfim sofreu desorientação severa provocada pela falta de ar ao abraçar quatro escaladores desconhecidos acreditando que fossem um amigo da expedição. Em repouso noturno, os fluidos acumulados nas pernas retornam aos pulmões e causam despertares repentinos com sensação aguda de sufocamento.

Frio extremo e congelamento atingem extremidades corporais

Os termômetros atingem marcas de 40 graus negativos perto do topo do Everest.

O frio intenso afeta nariz, orelhas e dedos antes que o montanhista perceba a gravidade da lesão térmica nas extremidades. “No começo dói, depois para de doer e você perde a percepção de que aquela parte está congelando”, disse Olivia Bonfim.

A exposição à luminosidade refletida pela neve causou cegueira passageira em um montanhista da equipe que perdeu os óculos protetores durante o trajeto. A água congelada impediu a higienização básica do rosto ao longo de semanas nas encostas rochosas. Outro homem de 70 anos encontrado caído na neve recebeu dexametasona injetável aplicada por Marcos Bogado e Carlos Santalena antes de ser resgatado com vida.

Mulheres enfrentam desafios adicionais na altitude

O ciclo menstrual exigiu cuidados médicos redobrados de Olivia Bonfim devido à necessidade de manter taxas elevadas de ferro para a produção de glóbulos vermelhos.

A montanhista descartou o uso de anticoncepcionais contínuos e transportou antibióticos preventivos na bagagem para conter riscos de infecções durante os 50 dias na montanha. As adaptações fisiológicas conquistadas no Everest desapareceram em menos de três semanas após o retorno ao nível do mar.

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