Mundo

ONU aprova resolução que corrige distorções de tamanho no mapa-múndi

Mapa aprovado pela ONU - Reproduçãio/equal-earth.com
Foto: Mapa aprovado pela ONU - Reproduçãio/equal-earth.com
Compartilhar
Siga no Google

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou, na sexta-feira, 4 de setembro, uma resolução que incentiva países e instituições a adotarem uma nova forma de desenhar o mapa-múndi. O texto passou por 164 votos favoráveis e mira reduzir distorções de tamanho entre continentes que existem há séculos nos mapas mais usados no mundo.

O alvo da discussão é a projeção de Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo Gerardus Mercator para orientar navegadores. Ela ainda domina livros escolares, sites e aplicativos de mapa. O problema é a distorção crescente perto dos polos.

Por que a África parece do tamanho da Groenlândia no mapa antigo

Nenhuma projeção transforma uma esfera em plano sem perder alguma exatidão. Na Mercator, a distorção cresce conforme a região se afasta da linha do Equador, inflando países próximos aos polos e encolhendo os que ficam perto do centro do globo.

O efeito é visível em comparações concretas. A Groenlândia aparece quase do tamanho da África, quando o continente africano tem cerca de 14 vezes mais área. Brasil e Alasca surgem parecidos, mas o território brasileiro é aproximadamente cinco vezes maior. A África também aparece menor que a América do Norte, apesar de ter o triplo da extensão do continente norte-americano.

A alternativa que veio da Escócia em 1855

Antes da resolução da ONU, a projeção de Gall-Peters já disputava espaço com a Mercator. O escocês James Gall desenhou o modelo em 1855.

Décadas depois, o historiador alemão Arno Peters popularizou a proposta. Nesse mapa, a Europa perde espaço visual e a África cresce, aproximando-se das proporções reais entre as áreas dos continentes. Ainda assim, o modelo tem suas próprias distorções, porque toda tentativa de achatar uma superfície curva sacrifica alguma característica geométrica.

Equal Earth é o modelo escolhido pela campanha que pressionou a ONU

A resolução aprovada nasce da campanha “Corrija o mapa”, que tem apoio da União Africana. O modelo defendido pela iniciativa é o Equal Earth, tratado como “Terra Igual” nos documentos da organização.

  • Busca preservar as proporções reais de área entre os continentes
  • Reduz a inflação visual de regiões próximas aos polos
  • É recomendado para uso em escolas, livros didáticos e documentos oficiais

Segundo o texto da resolução, mapas não servem só para localizar territórios. Eles moldam a percepção de estudantes, formam a imagem que cada pessoa tem das dimensões do planeta e podem carregar efeitos cognitivos, educacionais e até geopolíticos, de acordo com a organização.

O que muda na prática para quem usa o mapa

A aprovação não obriga substituição imediata da Mercator. Funciona como incentivo.

Governos, escolas e organizações internacionais passam a ter um chamado formal da ONU para considerar projeções alternativas. Na prática, países próximos ao Equador, como o Brasil e nações africanas, tendem a ganhar destaque visual mais fiel à sua extensão territorial real em materiais que adotarem o novo modelo.

O tamanho real dos continentes não muda com a resolução. Muda apenas a forma como essas dimensões aparecem representadas numa superfície plana, seja papel ou tela.

Compartilhar

Mais notícias em Mundo

Veja mais