Calor oceânico acelera perda recorde de gelo marinho na AntárticaPor Janderson Luiz
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Pesquisadores da Universidade de Southampton identificaram três alterações oceânicas severas que provocaram o derretimento acelerado do gelo marinho ao redor da Antártica e impediram a recuperação da camada congelada nos últimos anos. O recuo eliminou faixas de gelo comparáveis à área territorial da Groenlândia e gerou os menores índices já registrados no continente em 2023.
O oceanógrafo Aditya Narayanan afirmou que as perdas desestabilizam correntes marítimas planetárias e aceleram o aquecimento global.
Três etapas alteraram a circulação das águas no continente gelado
Mudanças climáticas causadas pela ação humana alteraram o padrão dos ventos na região polar a partir de 2013, empurrando camadas de água quente e salgada das fossas profundas rumo à tona oceânica. Em 2015, rajadas severas misturaram diretamente esse bolsão aquecido com a lâmina superficial, dissolvendo massas expressivas de gelo marinho na Antártica Oriental. A água quente subiu.
Desde 2018, a redução contínua do congelamento superficial mantém a salinidade e a temperatura das águas elevadas, impedindo a reconstituição natural da cobertura durante os invernos. O sistema polar entrou em colapso.
Fatores determinantes para a perda de massa polar
- Intensificação de ventos oceânicos que deslocaram massas salgadas profundas a partir de 2013
- Mistura térmica forçada entre águas do fundo e da superfície registrada em 2015
- Formação de um ciclo contínuo de calor e salinidade que bloqueia o congelamento desde 2018
- Reduções territoriais recordes documentadas na Antártica Oriental e no continente em 2023
Cientistas do Centro de Pesquisa Polar iC3, situado na Noruega, descobriram que canais submarinos na parte inferior das plataformas antárticas retêm água marinha aquecida e aceleram a erosão basal dessas estruturas geológicas. Essas formações de gelo flutuante funcionam como barreiras físicas vitais que seguram o avanço de gigatoneladas glaciais em direção direta ao mar aberto. Tore Hattermann explicou que o desenho dessas cavidades inferiores atua ativamente para concentrar o calor exatamente nas áreas mais vulneráveis da estrutura.
Cavidades submarinas concentram calor sob as plataformas glaciais
“Descobrimos que o formato da parte inferior da plataforma de gelo não é apenas uma característica passiva, pois ela pode reter ativamente o calor do oceano exatamente nos locais onde o derretimento extra é mais importante”, declarou Tore Hattermann sobre o risco de elevação acelerada do nível global dos oceanos.
Uma equipe de nove pesquisadores, técnicos e guias coordenada por Won Sang Lee, do Korea Polar Research Institute, perfurou a geleira Thwaites para analisar a enorme cavidade oceânica oculta sob o bloco de gelo. O grupo passou cinco anos organizando a expedição técnica de monitoramento direto no local.
Geleira Thwaites enfrenta recuo acelerado e monitoramento direto
Won Sang Lee, de 52 anos, afirmou que a regressão do gelo nessa área ocorre em velocidade perceptível aos olhos dos especialistas em trabalho de campo. “Vai desaparecer, mais cedo ou mais tarde”, disse Lee ao comentar o futuro da massa glacial. “Não em escalas de tempo centenárias ou milenares, mas pode acontecer durante a nossa vida ou na próxima geração”, concluiu o líder dos trabalhos.
Levantamentos climáticos paralelos monitoram desdobramentos adicionais sobre emissões de metano no Brasil e a elevação de temperaturas globais acima de 1,5°C pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.







