Cientistas descobrem 150 novas espécies marinhas no Oceano ÍndicoPor Beatriz
3 min de leitura
![]() |
Pesquisadores registraram quase 150 novas espécies marinhas encontradas nas profundezas do Oceano Índico, com ênfase em um caranguejo-esponja que transporta outro animal marinho fixado ao corpo como barreira de defesa contra predadores. Os animais habitam áreas pouco exploradas do relevo oceânico.
Localização dos montes submersos explorados pelos pesquisadores
A coleta ocorreu em elevações submarinas perto das Ilhas Cocos, território também denominado Keeling, situado a cerca de 2.100 quilômetros da costa noroeste da Austrália.
As expedições aconteceram nos anos de 2021 e 2022 a bordo do navio RV Investigator. Equipes do Australian Museum, da CSIRO e do Museums Victoria inspecionaram 22 montes submarinos e recolheram mais de 1.000 espécimes em profundidades que chegaram a 4.900 metros. A operação exigiu equipamentos especializados.
Mecanismo de defesa biológica do caranguejo com cobertura viva
O exemplar mais notável pertence ao grupo dos caranguejos-esponja, que habitualmente carregam esponjas ou ascídias sobre a própria carapaça. A carcaça serve como escudo biológico.
Essa cobertura externa desfaz a silhueta corporal do animal e confunde predadores que caçam visualmente no leito oceânico escuro. Alguns dos organismos transportados também liberam substâncias de gosto desagradável que afastam ameaças. O crustáceo carrega o próprio abrigo.
Outros organismos marinhos recolhidos durante os trabalhos
A lista de capturas inclui animais de aparências diversas, desde estrelas marinhas de corpo rígido até vermes translúcidos encontrados sob pressões extremas.
- O caranguejo-esponja que utiliza invertebrados fixados na carapaça como camuflagem protetora.
- A estrela-do-mar Atheraster umbo, caracterizada pelo formato arredondado e estrutura firme.
- O verme Laetmonice murrayae, animal translúcido recolhido em pontos de grande profundidade.
- Exemplares de diferentes famílias biológicas resgatados nos relevos submarinos.
- Organismos que auxiliam no mapeamento das conexões ecológicas no fundo oceânico.

Importância ecológica das elevações no leito oceânico
Os montes submarinos desviam correntes marinhas profundas, acumulam nutrientes e formam abrigos para diversas espécies no solo oceânico. As elevações concentram elevada densidade biológica.
Como essas estruturas geológicas funcionam como pontos de refúgio cercados por extensões profundas, certas populações marinhas vivem isoladas em uma única formação enquanto outros grupos utilizam os cumes vizinhos para deslocamento contínuo, dinâmica que permitiu aos cientistas localizar dezenas de criaturas inéditas em uma mesma região do Oceano Índico.
Etapas laboratoriais exigidas para certificar novas espécies
A formalização científica de uma nova espécie exige análises morfológicas detalhadas, comparações diretas com espécimes de coleções existentes, medições corporais, registros fotográficos e testes de sequenciamento genético. O protocolo técnico demanda tempo.
A conclusão desses laudos laboratoriais pode levar anos de trabalho. Museus de história natural guardam os exemplares coletados para servir de base para investigações futuras. Novos recursos tecnológicos poderão reavaliar essas mesmas amostras nas próximas décadas.
Limitações do conhecimento científico sobre as águas profundas
O volume de descobertas indica que a ciência ainda ignora grande parte da biodiversidade marinha abissal, mesmo com o avanço de satélites, robôs de mergulho e bancos de dados genéticos.
A catalogação dessas espécies submarinas fornece informações essenciais para orientar estratégias de conservação em ecossistemas vulneráveis. A criatura com cobertura viva demonstra a existência de complexas interações biológicas no fundo do Oceano Índico.







