Com menos cafeína, chá hojicha conquista consumidores e cresce no mercado

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Chá, caneca - bong hyunjung/Shutterstock.com Foto: Chá, caneca - bong hyunjung/Shutterstock.com

O chá hojicha começou a disputar a preferência de frequentadores de cafeterias com o matcha. A bebida japonesa expandiu seu alcance.

Com tonalidades que oscilam entre o dourado e o castanho escuro, o produto tostado virou alternativa frequente para quem rejeita o amargor pronunciado da versão verde tradicional e busca diminuir a ingestão contínua de estimulantes ao longo do dia em suas refeições rotineiras.

As duas bebidas têm origem botânica idêntica na planta Camellia sinensis. O método de processamento térmico define o sabor final, a coloração escura e as propriedades químicas preservadas em cada xícara servida.

Sobre essa distinção de preparo, o nutricionista Lucas Moraro afirmou que “o matcha é produzido a partir de folhas cultivadas à sombra e posteriormente moídas até se transformarem em um pó fino”, enquanto “o hojicha é produzido com folhas e talos que passam por um processo de torrefação, responsável pela cor amarronzada, pelo aroma característico e pelo sabor tostado”.

Processo de torrefação explica as notas amadeiradas da bebida

O paladar marca a separação mais evidente percebida pelos consumidores. Enquanto o matcha exibe notas vegetais pronunciadas, o hojicha adquire seus traços aromáticos após passar pelo calor direto da torra.

Essa alteração gustativa atraiu indivíduos que não toleravam o sabor denso das folhas verdes moídas, segundo a nutricionista Laita Balbio, do Espaço Hi.

A profissional explicou que o paladar influencia diretamente a troca diária dos produtos. Ela afirmou: “O matcha tem um sabor muito característico, mais vegetal e intenso, que nem todo mundo aprecia, enquanto o hojicha traz notas tostadas e uma experiência sensorial completamente diferente, o que facilita sua entrada na rotina de quem procura substituir ou reduzir o café”.

Xícara de café, chá
Xícara de café, chá – Lomb/Shutterstock.com

Comparação nutricional entre as duas infusões japonesas

Especialistas indicam que não existe uma definição absoluta sobre qual fórmula entrega melhores resultados biológicos para o organismo humano.

O matcha exige a ingestão integral do vegetal transformado em pó durante o preparo. O hojicha atua por infusão aquosa sobre folhas e talos torrados, deixando parte das substâncias sólidas retidas no filtro.

Lucas Moraro explicou: “O matcha tende a apresentar maior concentração de compostos bioativos porque a folha inteira é consumida, enquanto o hojicha é tradicionalmente preparado como uma infusão, portanto quem busca maior concentração de determinados antioxidantes e mais estímulo pode preferir o matcha, ao passo que o hojicha atende quem deseja suavidade”.

A versão moída reúne catequinas protetoras, com relevância para a substância EGCG ligada a funções antioxidantes. A infusão traz ainda cafeína combinada ao aminoácido L-teanina, composto associado ao foco mental.

Lucas Moraro informou que o matcha lidera em energia devido à cafeína aliada à L-teanina, enquanto o hojicha oferece experiência moderada por conter menor teor estimulante.

Teor reduzido de estimulantes nas folhas torradas

A exposição térmica das folhas diminui a concentração de cafeína presente na matéria-prima original. O processamento, contudo, não elimina a substância por completo da bebida.

Essa diminuição favorece quem busca restringir substâncias estimulantes durante as horas que antecedem a noite.

Laita Balbio alertou sobre a tolerância individual dos consumidores sensíveis. Ela disse: “Menos cafeína não significa ausência de cafeína, de modo que pessoas sensíveis precisam observar o impacto no sono e ajustar o horário de consumo”.

O calor altera os elementos orgânicos das plantas e gera reações físico-químicas responsáveis pelo cheiro singular do líquido.

Lucas Moraro explicou que compostos caem com a temperatura enquanto surgem derivados da reação de Maillard. Ele reforçou que o matcha retém mais catequinas e que nenhuma das infusões exerce efeito desintoxicante.

Publicações virtuais costumam atribuir propriedades infundadas aos preparados botânicos, promovendo promessas de aceleração metabólica e emagrecimento rápido.

Nenhuma das formulações botânicas substitui hábitos equilibrados de rotina diária. A ingestão isolada das folhas secas é incapaz de reparar deficiências nutricionais ou sedentarismo crônico.

A nutricionista Laita Balbio declarou: “Não existe chá milagroso, e nenhum alimento isoladamente compensa uma alimentação desequilibrada, poucas horas de sono ou sedentarismo quando as redes ampliam benefícios para promessas sem respaldo científico”.

Impacto calórico da adição de leite e xaropes

Receitas comerciais costumam adicionar leites animais ou vegetais às xícaras servidas. Os cardápios também incluem caldas adocicadas e açúcares que descaracterizam a infusão simples.

A composição final do produto varia conforme os ingredientes adicionais incorporados pelo barista.

Laita Balbio aconselhou atenção aos açúcares diluídos nos copos. A especialista afirmou: “Quando há grande quantidade de xaropes e açúcar, a composição daquela bebida muda, exigindo atenção a tudo o que foi acrescentado”.

Compostos presentes nesses chás interferem na retenção biológica do ferro vegetal em pessoas com propensão à anemia quando ingeridos próximos aos pratos centrais do almoço ou jantar.

Critérios para escolher entre as bebidas no dia a dia

As duas alternativas atendem momentos distintos da rotina alimentar dos indivíduos. O matcha entrega maior vigor com sua cafeína intensa, enquanto a infusão tostada oferece serenidade.

Lucas Moraro disse que a procura crescente tem fundamento sensorial próprio e recomendou não transformar os produtos em uma disputa de benefícios para a saúde.

Laita Balbio apontou que a preferência pessoal e a rotina devem orientar o consumo cotidiano. A profissional avaliou que não há necessidade de eleger um produto vencedor.

A nutricionista concluiu: “Se a pessoa gosta de hojicha porque acha saboroso, isso já é uma razão muito mais interessante para incluí-lo na rotina do que consumi-lo esperando algum efeito milagroso”.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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