Trajeto de bala motiva prisão de soldado suspeito de feminicídio

5 min de leitura
Larissa Morata 1 - Reprodução Foto: Larissa Morata 1 - Reprodução

O laudo técnico sobre a trajetória do projétil que matou a técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, serviu de base para a decretação da prisão temporária do soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva, de 26 anos. A determinação judicial atendeu a um requerimento apresentado pelas autoridades policiais durante a apuração do caso.

Apurações técnicas da perícia oficial indicam que o projétil atingiu a vítima da esquerda para a direita na região posterior craniana, acima da orelha esquerda, o que tornou improvável a tese de disparo acidental ou voluntário porque a jovem utilizava predominantemente a mão direita. Essa constatação dos médicos legistas afastou a possibilidade de autoextermínio levantada inicialmente. As evidências materiais mudaram o rumo da averiguação.

O integrante da corporação militar passou a ser formalmente investigado pelo óbito da mulher, registrado em 6 na casa onde residiam em Embu das Artes, na Grande São Paulo. A pedido da Polícia Civil, a Justiça estadual expediu a ordem de custódia e o agente seguiu em 7 para o Presídio da Polícia Militar Romão Gomes, na capital.

A delegada Bruna Caracho Crippa descartou a versão inicial de suicídio logo após o Instituto Médico Legal detalhar a direção do projétil na necropsia e direcionou o inquérito para apurar a ocorrência de feminicídio.

Fundamentos apresentados pela delegada para a detenção do militar

Larissa Morata – Reprodução

Foto: Larissa Morata – Reprodução

“A médica legista observou alguns dados curiosos em relação sobre o trajto e a trajetória desse projétil e a forma como essa moça, essa mulher veio a óbito e somado também há outras razões. Formei o juízo de convicção e decidi representar pelo pedido da prisão temporária dele”, afirmou Crippa em 7 ao justificar a medida. “Eu concluí que nós tinhamos elemento de crime”, completou a policial.

A pistola Taurus calibre 357 pertencente ao militar, citada por ele como a arma utilizada pela esposa, foi recolhida e enviada para exames balísticos detalhados no Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica.

Vinícius Costa Silva recusou o fornecimento do código de acesso de seu aparelho telefônico pessoal aos investigadores responsáveis. O telefone foi apreendido sob a suspeita de que mensagens trocadas com a vítima tenham sido apagadas.

Versão apresentada pelo policial sobre a morte da esposa

O policial nega as acusações.

Familiares contestam o relato do soldado de que a esposa teria tirado a própria vida após um pedido de divórcio e sustentam a ocorrência de um assassinato premeditado. A Secretaria da Segurança Pública registrou o boletim inicialmente como morte suspeita a esclarecer e agora prioriza a apuração de homicídio doloso.

A Delegacia Central de Embu das Artes programa a realização de uma reprodução simulada dos fatos enquanto aguarda a emissão dos laudos periciais do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística.

A conclusão pericial dos exames técnicos definirá o indiciamento do soldado por feminicídio contra a companheira. Uma eventual condenação na esfera judicial poderá resultar em pena de 20 a 40 anos de reclusão.

Circunstâncias da localização do corpo no imóvel

Depoimentos colhidos pelos agentes indicam que o agente mantinha interesse patrimonial nos bens imóveis adquiridos pela vítima antes do falecimento.

A residência em Embu das Artes abrigava o casal e o filho de 2 anos no instante em que o tiro foi disparado. O próprio soldado telefonou para a Polícia Militar para relatar o ocorrido. Policiais que atenderam ao chamado encontraram o corpo de Larissa no chão do banheiro da moradia.

O armamento funcional do militar permanecia posicionado embaixo do corpo da mulher quando os primeiros socorristas chegaram ao cômodo. Os peritos recolheram a arma de fogo, o estojo deflagrado, munições intactas, carregadores e o coldre correspondente.

Em seu relato formal, o soldado declarou que foi dormir no quarto após uma discussão conjugal motivada pelo fim do relacionamento e levantou assustado ao escutar o barulho do tiro no banheiro.

A irmã do militar prestou depoimento e confirmou ter presenciado discussões entre o casal sobre a separação antes do momento do disparo. Ela havia permanecido no imóvel momentos antes da ocorrência.

O militar aguarda as providências judiciais detido no mesmo presídio que recebeu o tenente-coronel Geraldo Neto, investigado pela morte da soldado Gisele Alves ocorrida em 18 de fevereiro.

O soldado passará por audiência de custódia no Poder Judiciário para avaliação da medida cautelar restritiva. O período inicial de detenção temporária é de 30 dias, admitida prorrogação por mais um mês.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

Notícias relacionadas