Cientistas criam terapia celular dupla contra câncer no sangue
Pesquisadores do Laboratório de Biotecnologia do Hemocentro de Ribeirão Preto criaram uma terapia celular capaz de combater leucemias e linfomas por meio de uma ação biológica dupla. O método altera células de defesa para destruir tumores malignos diretamente e barrar as substâncias do corpo que costumam travar a resposta terapêutica.
A técnica utiliza células CAR-NK preparadas com glóbulos brancos do modelo natural killer. O processo emprega os glóbulos brancos do tipo NK modificados em laboratório para expressar a proteína CAR na sua superfície externa, fazendo com que essas unidades de defesa concentrem o seu potencial tóxico natural apenas nas estruturas tumorais que apresentam o alvo correspondente, sem danificar os tecidos sadios do organismo. Esse direcionamento celular preserva os tecidos normais durante as etapas de eliminação da doença.
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Durante os ensaios no município paulista de Ribeirão Preto, a equipe formulou células CAR-NK anti-CD19 com a proteína GITRL para neutralizar a interferência das células T reguladoras, que habitualmente freiam a imunidade e barram a destruição das neoplasias hematológicas.
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A professora Virginia Picanço e Castro, vinculada ao Centro de Terapia Celular, coordenou o levantamento científico aceito e divulgado pela publicação Frontiers in Immunology. O suporte financeiro para os testes envolveu repasses do Centro de Terapia Celular e aportes da FAPESP distribuídos em seis projetos distintos, catalogados sob os números 21/10530-3, 21/05465-8, 22/16140-5, 24/01305-4, 25/26787-4 e 20/07055-9.
A pesquisadora Dayane Schmidt detalhou o comportamento biológico das estruturas celulares adaptadas em depoimento concedido à TV Hemocentro RP. Schmidt declarou que a inserção conjunta de CAR e GITRL gerou elementos celulares com reprodução acelerada e metabolismo superior. “Esse tipo de comportamento é algo que pode ser positivo na produção dessa terapia e na ação das células”, afirmou a autora.
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A análise da interação entre a substância GITRL e as células Tregs guiou as metas centrais do grupo de cientistas. “Nós observamos que, ao entrar em contato com as Tregs, as células NK sem a GITRL apresentam maior suscetibilidade a uma ação inibitória, mas o mesmo não acontece quando temos a expressão dessa molécula em que acrescentamos a proteína”, relatou Schmidt.
A metodologia confere duas propriedades simultâneas ao tratamento experimental. As unidades celulares localizam e destroem a massa cancerosa no fluxo sanguíneo. O processo enfraquece o ambiente imunossupressor que impede o ataque dos linfócitos aos tumores.
Os testes laboratoriais apresentaram eficácia. “Em modelo animal, observamos um aumento da sobrevida dos que foram tratados com essas células e um maior controle da progressão do crescimento do tumor”, relatou Schmidt sobre os parâmetros observados nos animais.
O modelo estabelecido pelos cientistas abre espaço para novas aplicações clínicas contra linfomas e leucemias de células B a partir do uso de agentes celulares geneticamente programados.