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Cientistas criam terapia celular dupla contra câncer no sangue

Células cancerosas no tecido humano, câncer.
Foto: Células cancerosas no tecido humano, câncer - Anusorn Nakdee/shutterstock.com
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Pesquisadores do Laboratório de Biotecnologia do Hemocentro de Ribeirão Preto criaram uma terapia celular capaz de combater leucemias e linfomas por meio de uma ação biológica dupla. O método altera células de defesa para destruir tumores malignos diretamente e barrar as substâncias do corpo que costumam travar a resposta terapêutica.

A técnica utiliza células CAR-NK preparadas com glóbulos brancos do modelo natural killer. O processo emprega os glóbulos brancos do tipo NK modificados em laboratório para expressar a proteína CAR na sua superfície externa, fazendo com que essas unidades de defesa concentrem o seu potencial tóxico natural apenas nas estruturas tumorais que apresentam o alvo correspondente, sem danificar os tecidos sadios do organismo. Esse direcionamento celular preserva os tecidos normais durante as etapas de eliminação da doença.

Durante os ensaios no município paulista de Ribeirão Preto, a equipe formulou células CAR-NK anti-CD19 com a proteína GITRL para neutralizar a interferência das células T reguladoras, que habitualmente freiam a imunidade e barram a destruição das neoplasias hematológicas.

A professora Virginia Picanço e Castro, vinculada ao Centro de Terapia Celular, coordenou o levantamento científico aceito e divulgado pela publicação Frontiers in Immunology. O suporte financeiro para os testes envolveu repasses do Centro de Terapia Celular e aportes da FAPESP distribuídos em seis projetos distintos, catalogados sob os números 21/10530-3, 21/05465-8, 22/16140-5, 24/01305-4, 25/26787-4 e 20/07055-9.

A pesquisadora Dayane Schmidt detalhou o comportamento biológico das estruturas celulares adaptadas em depoimento concedido à TV Hemocentro RP. Schmidt declarou que a inserção conjunta de CAR e GITRL gerou elementos celulares com reprodução acelerada e metabolismo superior. “Esse tipo de comportamento é algo que pode ser positivo na produção dessa terapia e na ação das células”, afirmou a autora.

A análise da interação entre a substância GITRL e as células Tregs guiou as metas centrais do grupo de cientistas. “Nós observamos que, ao entrar em contato com as Tregs, as células NK sem a GITRL apresentam maior suscetibilidade a uma ação inibitória, mas o mesmo não acontece quando temos a expressão dessa molécula em que acrescentamos a proteína”, relatou Schmidt.

A metodologia confere duas propriedades simultâneas ao tratamento experimental. As unidades celulares localizam e destroem a massa cancerosa no fluxo sanguíneo. O processo enfraquece o ambiente imunossupressor que impede o ataque dos linfócitos aos tumores.

Os testes laboratoriais apresentaram eficácia. “Em modelo animal, observamos um aumento da sobrevida dos que foram tratados com essas células e um maior controle da progressão do crescimento do tumor”, relatou Schmidt sobre os parâmetros observados nos animais.

O modelo estabelecido pelos cientistas abre espaço para novas aplicações clínicas contra linfomas e leucemias de células B a partir do uso de agentes celulares geneticamente programados.

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