BYD lança caminhão elétrico pesado com recarga em 20 minutosPor Carolina Costa
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A BYD apresentou em 14 de setembro de 2026, durante a IAA Transportation em Hannover, o cavalo mecânico elétrico ETT 44. O modelo atinge autonomia de até 600 quilômetros, opera com acumulador de 651 kWh e recebe potência de recarga acima de 1,5 MW.
A montadora transferiu para os veículos pesados as tecnologias de alta voltagem já aplicadas em sua frota de automóveis de passeio, visando reduzir as paradas operacionais e disputar fatias da malha logística da Europa.
Baterias recuperam energia em cerca de 20 minutos
O ETT 44 opera em configurações com tração 4×2 voltadas para conjuntos de transporte rodoviário com capacidade de até 44 toneladas. A engenharia instalou o conjunto de bateria Blade com 651 kWh suportado por arquitetura elétrica de 851 V. A potência nominal entrega 743 cv, enquanto o regime máximo de aceleração atinge 1.000 cv.
O fabricante determinou garantia de 10 anos ou 1,2 milhão de quilômetros para os componentes elétricos de armazenamento. Em carregadores rápidos do padrão DC CCS2, a unidade aceita uma potência de até 420 kW e atinge a faixa de 20% a 80% do nível total em cerca de uma hora de conexão, enquanto sistemas convencionais exigem períodos maiores para liberar o veículo para o trabalho.
A entrada do mecanismo Megawatt Charging eleva a capacidade suportada para marcas superiores a 1,5 MW na rede. Com esse equipamento industrial instalado, o mesmo ciclo de recuperação energética ocorre em 20 minutos. O tempo garante autonomia adicional de 400 quilômetros para rodagem imediata.
“Já colocamos o FLASH Charging em prática nos veículos de passageiros. Hoje, estamos levando essa tecnologia aos veículos comerciais, começando pelos nossos caminhões”, informou Stella Li, vice-presidente executiva da BYD.
A executiva sintetizou a orientação comercial adotada para as vendas industriais: “Menos tempo carregando. Mais tempo na estrada.”
Fabricante amplia oferta de utilitários no evento internacional
O estande montado em Hannover exibiu outras opções da marca além da atração principal. A fábrica mostrou chassis rígidos nas montagens de tração 4×2 e 6×2, incluindo opções de 26 toneladas com chassi para carroceria intercambiável e versões destinadas ao trabalho operacional hooklift.
O catálogo comercial recebeu a van elétrica E-Vali para operações urbanas e o rebocador de pátio EYT 2.0. Com as adições técnicas, a marca passou a cobrir categorias de carga que variam de 3,5 a 44 toneladas de peso bruto total.
A cabine do modelo pesado integra piloto automático adaptativo e radar contra colisões. O veículo freia sozinho em imprevistos.
Plano comercial envolve fornecimento de energia e veículos
A empresa comercializa as unidades sob o programa corporativo Total Cost of Mobility, desenhado para suprir a montagem completa da infraestrutura de logística:
- Carregadores industriais com capacidade em megawatts
- Armazenamento estacionário de eletricidade em baterias
- Sistemas de gerenciamento do fluxo energético
Os registros operacionais da montadora apontam caminhões e ônibus elétricos da marca em atividade dentro de mais de 100 países. A circulação atinge mais de 400 municípios.
Concorrência no segmento de transporte pesado na Europa
Empresas consolidadas na região, como Daimler Truck, Volvo, Scania e MAN, investem na transição para motores a bateria e tratam as estações com fluxo em megawatts como requisito determinante para viabilizar as rotas comerciais.
A BYD ativou 10 mil carregadores de 1.500 kW na China durante cinco meses consecutivos. O plano local projeta alcançar 15 mil estações megawatts em território chinês antes de iniciar a expansão das estações no Canadá.
A oferta conjunta de caminhões e terminais de alta potência coloca a companhia em disputa direta pelas maiores frotas corporativas da Alemanha e de países vizinhos.
O mercado depende ainda das condições aduaneiras continentais. A União Europeia impôs sobretaxas alfandegárias contra modelos elétricos de origem chinesa.







