Cientistas descobrem na Tailândia ‘flor do diabo’ que não precisa de luz solarPor Beatriz
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Pesquisadores registraram em 2025 a flor do diabo, vegetal chamado cientificamente de Thismia daemona, com menos de 50 indivíduos confirmados em uma reserva protegida na Tailândia e nutrição baseada exclusivamente em fungos subterrâneos.
A planta catalogada na Tailândia obtém nutrientes diretamente da rede fúngica no subsolo sem depender dos raios solares para seu crescimento. Ela absorve carbono desse micélio.
Com doze centímetros e meio de comprimento, o vegetal brota no solo coberto por folhagem e pequenas taquaras, destacando-se por sua estrutura escura com detalhes avermelhados e três protuberâncias curvadas semelhantes a chifres que motivaram a denominação popular. A formação superior exibe formato arredondado. Matizes alaranjados completam o desenho visual da planta.
Espécie vegetal floresce em locais com quase nenhuma luminosidade
A localização dos espécimes ocorreu no Parque Nacional Thong Pha Phum, no setor oeste da Tailândia, em faixas de altitude entre 930 e 970 metros onde o gênero Thismia surge na superfície unicamente durante as fases de floração e frutificação.
Cientistas da Universidade Chulalongkorn e da Universidade Prince of Songkla conduziram o trabalho em conjunto no país asiático. “Encontrar Thismia daemona no Parque Nacional Thong Pha Phum foi uma grande surpresa”, afirmou o botânico Sahat Chantanaorrapint, coautor da pesquisa.
A caracterização morfológica combinou a análise de espécimes vivos e desidratados com sequenciamento genético para posicionar o organismo na seção Geomitra do gênero Thismia.
Achado expande a ocorrência geográfica da seção Geomitra
O grupo Geomitra possuía registros documentados apenas na Península Malaia e nas ilhas de Bornéu e Sumatra. A identificação em território tailandês empurrou o limite setentrional dessa linhagem em direção ao norte do continente.
O habitat montanhoso diferencia essa variedade de suas congêneres tropicais. A maior parte das plantas desse gênero concentra-se em planícies úmidas sob baixas altitudes. A Thismia daemona prospera a quase 1.000 metros de altitude.
Dados da Universidade Prince of Songkla indicam que as pontas coloridas apresentam textura carnosa com estames semitransparentes protegidos internamente, enquanto o sistema radicular exibe tons castanhos claros e pilosidade.

População restrita tem sobrevivência ameaçada em área turística
O grupo mapeado pelos botânicos não ultrapassa 50 exemplares distribuídos em uma extensão inferior a 0,05 quilômetro quadrado. Esse perímetro coincide exatamente com trilhas percorridas rotineiramente por visitantes da reserva.
A vulnerabilidade extrema motivou o enquadramento provisório na categoria Criticamente em Perigo, levando Chantanaorrapint a sugerir ações de manejo com moradores vizinhos baseadas no Programa Homem e a Biosfera da Unesco.
“Incentivar as pessoas da região a se orgulharem de seu patrimônio natural não só pode proteger esse micro habitat, como também apoiar um ecoturismo sustentável liderado pela comunidade”, afirmou Chantanaorrapint. O envolvimento comunitário busca assegurar a sobrevivência das mudas remanescentes.
Presença do gênero botânico alcança dezoito registros no Brasil
O catálogo da Flora e Funga do Brasil e estudos taxonômicos no Pará confirmam 18 variedades de Thismia em florestas brasileiras, comprovando que organismos mico-heterotróficos compõem o ecossistema nacional.
Expedições botânicas no Pará continuam ampliando os registros sobre o gênero em território nacional. Na Tailândia, o trabalho imediato concentra-se em resguardar o único trecho florestal onde a flor do diabo permanece viva.







