Cometa gigante de 137 km supera asteroide dos dinossaurosPor Janderson Luiz
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Astrônomos identificaram o cometa C/2014 UN271, denominado Bernardinelli-Bernstein, com 137 quilômetros de diâmetro nas regiões externas do Sistema Solar. A estrutura possui uma extensão quase treze vezes maior que o corpo rochoso que atingiu o planeta Terra há 66 milhões de anos no evento associado ao desaparecimento dos dinossauros.
Mudança de classificação após observação de atividade gasosa
Pesquisadores avistaram o objeto pela primeira vez em 2014 perto da órbita de Netuno, momento em que a comunidade científica catalogou o corpo celeste sob a suspeita de que integrasse a categoria dos planetas menores. Novas análises realizadas em 2021 revelaram a formação de uma coma ao redor do núcleo, confirmando que o material congelado liberava poeira e gás a distâncias extremas do calor solar, o que levou o Instituto de Astrofísica da Andaluzia, na Espanha, a participar diretamente dos estudos de caracterização física do visitante espacial.
O corpo celeste despertou no frio.
Cientistas utilizaram as antenas do radiotelescópio ALMA, instalado no deserto do Chile, para calcular o diâmetro com exatidão instrumental. Essas medições comprovaram que a massa central possui tamanho quase duas vezes maior em comparação direta com o cometa Hale-Bopp, registrado nos céus durante o século XX.
Registros obtidos pelo radiotelescópio ALMA no Chile
Instrumentos astronômicos registraram jatos contínuos de monóxido de carbono escapando da crosta sólida do Bernardinelli-Bernstein quando o objeto cruzava o espaço a 16,6 unidades astronômicas do Sol. Cada unidade astronômica equivale à distância média calculada entre o centro da Terra e o centro da estrela do sistema.
Essas emissões de compostos voláteis ocorrem mesmo sob baixíssimas temperaturas operacionais:
- Núcleo sólido com diâmetro estimado em 137 quilômetros.
- Albedo de 5,3% na superfície, valor próximo ao índice de reflexão do carvão vegetal.
- Início da desgaseificação detectado a 35 unidades astronômicas de distância solar.
- Liberação de monóxido de carbono confirmada a 16,6 unidades astronômicas do Sol.
A superfície do corpo reflete pouquíssima luz solar durante seu deslocamento espacial.
Origem remota a partir da Nuvem de Oort
Os cálculos orbitais do cometa indicam que sua trajetória procede diretamente da Nuvem de Oort, uma densa casca esférica repleta de detritos primordiais de gelo que cerca todo o perímetro do Sistema Solar. Esse reservatório externo manteve o corpo afastado de radiação intensa por bilhões de anos. A sublimação de gases a 35 unidades astronômicas chamou a atenção dos observadores porque supera em cinco unidades a linha orbital do planeta Netuno.
Ele preserva compostos intactos.
Passagem de aproximação máxima programada para 2031
O Bernardinelli-Bernstein atingirá o periélio no ano de 2031, instante de sua rota que marca a maior aproximação física em relação ao Sol dentro do ciclo atual. O objeto chegará a uma margem limite de 11 unidades astronômicas da estrela, mantendo-se além do caminho percorrido pelo planeta Saturno e sem cruzar qualquer setor da órbita terrestre. Modelos computacionais demonstraram que o cometa transitou entre 17 e 21 unidades astronômicas na viagem anterior.
O material químico congelado na crosta conserva elementos formados há 4,6 bilhões de anos durante o nascimento dos primeiros planetas do Sistema Solar.







