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O telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, ganhou margem técnica para operar por até 22 anos em torno do segundo ponto de Lagrange do sistema Sol-Terra (L2). O rendimento extra decorre do baixo consumo de propelente registrado nos primeiros estágios da viagem espacial.

O plano original estipulava cinco anos de atividades primárias e outros cinco de fase estendida, mas o tempo total agora alcança 22 anos.

“Como resultado do planejamento excepcional de nossa equipe de dinâmica orbital, da execução brilhante da equipe de operações e de um lançamento preciso pela SpaceX, o Roman tem combustível para pelo menos 22 anos de potenciais operações científicas”, afirmou Jamie Dunn, diretor do Goddard Space Flight Center, da NASA. O cálculo reconfigura os trabalhos previstos para o observatório.

Fatores que permitiram poupar propelente no trajeto

O suprimento de combustível limita diretamente a vida útil do Roman por ser o único recurso consumível a bordo.

O foguete Falcon Heavy, pertencente à empresa SpaceX, realizou uma queima de motores altamente precisa para direcionar o equipamento na rota de saída da órbita terrestre baixa, diminuindo drasticamente a quantidade de propelente que os técnicos precisarão acionar nas etapas seguintes destinadas ao ajuste de curso da sonda. Essa exatidão inicial evitou correções bruscas no percurso planejado pela equipe de solo. A estabilidade inicial reduziu o desgaste do sistema.

O peso final do observatório espacial também ficou abaixo das projeções iniciais da engenharia. A agência espacial norte-americana usava tetos máximos de massa para abastecer os reservatórios sem riscos de escassez.

“Como a massa do Roman era menor do que havíamos calculado, conseguimos encher os tanques de propelente até sua capacidade, em vez de enchê-los apenas com a quantidade necessária para cumprir o requisito de dez anos”, explicou Alison Rao, responsável pela propulsão do Roman no Goddard.

Os registros técnicos demonstram essa variação estrutural ao longo do tempo. Um documento de referência de 2015 fixava o peso total da nave em 4.166 kg, com cota de 107 kg em combustível. Anos adiante, as estimativas revisadas indicavam uma massa calculada em cerca de 9,8 mil kg.

A balança oficial registrou 8.056 kg no momento do lançamento do Roman. O espaço restante nos reservatórios possibilitou a inclusão de volume adicional de combustível.

O estudo aponta quatro anos extras.

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Manobra inicial exigiu volume reduzido de combustível

A execução da primeira manobra de correção de rota trouxe mais rendimento ao observatório. O procedimento ocorreu em 31 de agosto com taxa superior a 99% de acerto na trajetória. O peso reduzido do veículo favoreceu o resultado da operação.

A intervenção nos motores durou cerca de três minutos e utilizou 18 kg de propelente. Esse valor ficou abaixo dos 200 kg calculados previamente para o ajuste.

A exatidão da manobra anterior reduz a queima de combustível na correção seguinte planejada pela NASA.

A entrada na órbita de halo ao redor do ponto L2, marcada para o início de dezembro, também exigirá menos combustível do que o teto projetado pela NASA. O trajeto final segue parâmetros favoráveis de navegação.

Manobras periódicas a cada 28 dias manterão a posição orbital do equipamento.

O conjunto dessas economias garante cerca de 12 anos suplementares de observações ativas.

Atividades científicas programadas para a missão expandida

Os cinco anos inaugurais cobrem os levantamentos do programa Core Community Surveys, incluindo o monitoramento High-Latitude Time-Domain Survey.

A fase complementar original, calculada em cinco anos, concentrava esforços no programa General Observer (GO). O projeto atende demandas de astrônomos e astrofísicos do meio acadêmico internacional.

O programa GO conta com 50 propostas científicas pré-selecionadas para execução no espaço. A NASA avalia como alocar os 12 anos extras de vida útil entre as iniciativas em espera. Projetos principais também podem obter novos períodos de observação.

O coronógrafo instalado na estrutura atua como demonstrador de tecnologia para missões de detecção planetária. Se apresentar rendimento adequado, o dispositivo poderá coletar dados durante o tempo adicional.

Histórico do desenvolvimento e alterações de projeto

A iniciativa espacial começou com o nome WFIRST (Wide-Field Infrared Survey Telescope) e depois adotou o nome da astrônoma Nancy Grace Roman.

A especificação original exigia um espelho de 1,5 metro de diâmetro. Posteriormente, o projeto incorporou um espelho de 2,4 metros originário de um satélite de reconhecimento governamental.

O telescópio Roman concluiu etapas de orçamento e reformulação técnica antes de atingir o período operacional.

Ao atingir o ponto L2, os controladores iniciam a fase de comissionamento e verificações técnicas dos instrumentos. Essa etapa antecede a coleta oficial de dados astronômicos.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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