Cientistas confirmam planeta mais jovem já visto no espaçoPor Bruna
3 min de leitura
![]() |
Pesquisadores confirmaram a existência do exoplaneta Elias 2-24 b, corpo celeste com menos de um milhão de anos que assume o posto de planeta mais jovem já registrado pela astronomia. O objeto ainda gira envolto em um anel de gás e poeira cósmica, o que contraria explicações clássicas sobre a evolução dos sistemas planetários.
O trabalho científico saiu na revista The Astrophysical Journal Letters e contou com a participação direta do professor Lucas Cieza, vinculado ao Instituto de Estudos Astrofísicos do Chile, que esclareceu que as modelagens teóricas vigentes já encontravam sérias dificuldades para justificar a presença de formações espaciais que superavam os 5 milhões de anos de existência.
Andrea Bernardi liderou os pesquisadores da Universidade Diego Portales, no Chile, na checagem de dados arquivados de sete estrelas captadas pelo Observatório W. M. Keck, no Havaí. O grupo usou um coronógrafo para tampar a claridade emitida pelas estrelas e tentar rastrear corpos de luminosidade reduzida nos discos orbitais.
Bernardi explicou que corpos celestes tendem a surgir nos vãos abertos por seu próprio deslocamento e afirmou: “E foi exatamente lá que encontramos Elias 2-24 b”.

O planeta gira ao redor da estrela Elias 2-24, situada a cerca de 450 anos-luz da Terra, e apresenta volume de massa similar ao de Júpiter. O monitoramento do arranjo permite verificar como o Sistema Solar se organizava bilhões de anos atrás.
A poeira densa que cerca os astros recém-nascidos costuma ocultar as etapas iniciais de agrupamento do gás que gera objetos como Elias 2-24 b.
O método do trânsito, que registra a passagem em frente à estrela luminosa, viabilizou a descoberta da maior parte dos mais de 6.000 exoplanetas catalogados. Esse recurso óptico perde alcance prático quando o alvo viaja distante de sua estrela ou permanece cercado por fragmentos espessos.
O impasse durou dez anos. Dados do Observatório Keck solucionaram a dúvida que persistia sobre o astro Elias 2-24 b. Varreduras antigas no Chile pelo telescópio Alma e pelo Very Large Telescope acusavam uma brecha e um foco luminoso suave, mas careciam de comprovação definitiva.
Cálculos astronômicos estipulavam ao menos 5 milhões de anos para formar um mundo com massa equivalente à de Júpiter longe do centro luminoso, mas o ponto detectado ficava 55 vezes mais afastado de sua estrela do que a Terra fica do Sol.
O time de Bernardi examinou registros dos anos de 2018 e 2020 arquivados pelo Observatório Keck. A trajetória mapeada do ponto luminoso coincidiu com a movimentação real de um planeta, descartando artefatos de imagem ou estrelas de fundo.
Bernardi declarou que Elias 2-24 b opera no limite da capacidade técnica atual e que o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, previsto para 30 de agosto, facilitará a busca por corpos situados em órbitas menores.







