Congresso nacional debate aprimoramento da comunicação pública com foco em diálogo e inclusãoPor Luís Pereira
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Instituições governamentais no Brasil precisam adotar uma abordagem mais proativa na comunicação com a população, priorizando a clareza das mensagens, a acessibilidade das informações e a escuta ativa das demandas dos cidadãos. Essa foi a principal conclusão que orientou a abertura do 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública (ComPública), realizado na Câmara dos Deputados em Brasília, entre os dias 16 e 18 de agosto.
O evento sublinhou a necessidade de transcender a mera transmissão de dados, transformando a comunicação em um processo contínuo de interação e inclusão. A iniciativa, que integra as celebrações dos 200 anos da Câmara e os dez anos de fundação da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), reuniu mais de 1.800 participantes de todo o país, evidenciando a relevância do tema para a gestão pública.
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Diálogo e inclusão como pilares da comunicação
Durante a solenidade de abertura, diversos gestores e especialistas enfatizaram que a comunicação eficaz não se limita a informar, mas sim a criar pontes e garantir que os serviços essenciais cheguem a todos. A diretora-geral do Instituto Serzedello Corrêa do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Cristina Siqueira Novaes, ressaltou a importância de ajustar a linguagem e os canais de comunicação às distintas realidades presentes no território nacional. Segundo ela, “comunicação é diálogo: o cidadão ouve, mas também precisa ser ouvido”, uma perspectiva que visa uma troca mais equitativa de informações. Novaes ainda advertiu que uma comunicação padronizada para todos pode, na prática, excluir parcelas significativas da população.
Na mesma linha, Jorge Duarte, presidente da ABCPública, reforçou o compromisso de tornar as esferas do poder público mais transparentes e compreensíveis para o cidadão. Ele salientou que a comunicação pública deve ser um instrumento para que as instituições cumpram suas missões e para que os serviços alcancem as pessoas. Quando essa premissa falha, o custo recai sobre o cidadão, que perde tempo, dinheiro, segurança e oportunidades, além de ter sua paciência e confiança abaladas.
Desafios e reconhecimento no setor
Os painelistas presentes no congresso identificaram uma série de obstáculos enfrentados pelos profissionais da comunicação pública em seu dia a dia. A complexidade de traduzir informações técnicas para uma linguagem acessível, a fragmentação dos canais de informação e a dificuldade em engajar diferentes públicos são alguns dos desafios persistentes.
- Adaptação da linguagem a públicos diversos;
- Escolha de canais eficazes para alcançar toda a população;
- Manutenção da transparência em um cenário de alta demanda por informações;
- Superação da desconfiança e da desinformação;
- Garantia de que a comunicação seja um processo de via dupla, com escuta ativa.
A cerimônia de abertura também foi palco para a entrega de importantes premiações que valorizam iniciativas e profissionais do setor. A Universidade Federal de Sergipe (UFS) foi agraciada com o Prêmio Neusa Meller de Audiovisual Universitário, reconhecendo a excelência em produções audiovisuais. Já o Prêmio Beth Brandão de Comunicação Pública foi concedido ao professor sênior Wilson da Costa Bueno, da Universidade de São Paulo (USP), em reconhecimento à sua valiosa contribuição para a consolidação e a democratização do conhecimento na área de comunicação pública no Brasil.
Fortalecimento da cidadania e da democracia
A programação do 4º ComPública foi abrangente, incluindo mesas-redondas, minicursos e grupos de trabalho, todos desenhados para fortalecer a cidadania e a democracia por meio de uma comunicação pública mais eficiente e inclusiva. Os debates abordaram desde estratégias de engajamento digital até a importância da ética e da responsabilidade na disseminação de informações governamentais. A oportunidade de troca de experiências entre profissionais de diversas regiões do país é vista como fundamental para o avanço das práticas no setor.
O formato híbrido do encontro, combinando atividades presenciais e remotas, permitiu uma maior participação e representatividade, garantindo que as discussões e aprendizados chegassem a um público mais amplo. A diversidade de temas e a participação de especialistas de diferentes áreas do conhecimento reforçaram a multifacetada natureza da comunicação pública e seu papel estratégico no relacionamento entre o Estado e a sociedade civil.















