Economia

JPMorgan projeta dólar entre R$ 4,90 e R$ 5,50 após as eleições

Dólar, notas de cem dólares - New Africa/ shutterstock.com
Dólar, notas de cem dólares - New Africa/ shutterstock.com

O banco JPMorgan projeta a cotação do dólar entre R$ 4,90 e R$ 5,50 após a eleição presidencial de 2026, com o desempenho cambial condicionado à credibilidade das metas fiscais do candidato eleito. A estimativa dos analistas considera o embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, enquanto a moeda americana operava na faixa de R$ 5,19 a R$ 5,21 no mercado à vista na manhã desta segunda-feira (28).

A estrategista Tania Jacob, analista do JPMorgan para a América Latina e autora da avaliação, afirmou que o real chega à reta final eleitoral sem carregar um desconto expressivo por incerteza política. “Nossa avaliação é de que há espaço para uma maior volatilidade dos ativos locais à medida que nos aproximamos de outubro”, disse a analista, apontando que o diferencial de juros elevados manteve o mercado protegido ao longo dos últimos meses.

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Dólar a R$ 4,90 depende de credibilidade fiscal pós-eleição

Urna eletrônica
Urna eletrônica – Foto: joasouza/Depositphotos.com

De acordo com o relatório, uma valorização do real capaz de empurrar a moeda americana para mínimas próximas de R$ 4,90 exige mais do que a simples definição do vencedor nas urnas. O banco calcula que um resultado recebido com otimismo pode gerar um ganho de cerca de 6% para a divisa brasileira, desde que o novo mandato apresente metas factíveis de contenção das despesas públicas e articulação política para aprová-las.

“Por isso, os discursos e as escolhas fiscais feitas após as eleições gerais deste ano serão determinantes para as perspectivas econômicas de 2027 e dos anos seguintes”, informou a equipe de análise do JPMorgan.

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Risco de deterioração das contas públicas pode levar moeda a R$ 5,50

No polo oposto, a frustração do mercado financeiro com a conduta fiscal do futuro governo tem potencial para elevar o dólar até R$ 5,50. O relatório aponta que a reação negativa decorre da sensibilidade dos investidores a déficits prolongados, principalmente se houver piora simultânea no fluxo internacional para economias emergentes.

“A distinção entre Lula e Flávio Bolsonaro não é a necessidade de um ajuste fiscal, mas como esse ajuste será perseguido. […] os dois governos irão lidar com o mesmo desafio de restaurar a confiança na trajetória fiscal brasileira em meio a elevados níveis de dívida”, diz trecho do documento divulgado pela instituição financeira.

Contas públicas em 2026 mostram dívida maior do que em 2022

O JPMorgan aponta que o ponto de partida das finanças públicas federais está mais fragilizado do que na eleição de quatro anos atrás. A dívida bruta considerada no relatório alcançou 83% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, patamar superior aos 74% registrados no pleito de 2022. Ao mesmo tempo, o déficit nominal das contas públicas avançou de 4% para 9,4% do PIB na mesma base de comparação.

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Por outro lado, amortecedores financeiros mitigam parte das pressões sobre a divisa brasileira. A taxa de juro real calculada pelo banco situa-se em 9,5% neste ano, acima dos 6,6% computados durante a disputa eleitoral de 2022. Essa remuneração real mais alta sustenta operações de carry trade, estratégia financeira em que investidores tomam recursos em moedas com juros baixos para aplicar no rendimento oferecido pelo Brasil. Paralelamente, a volatilidade cambial de um mês recuou de 20,4% em 2022 para 12,6% em 2026.

Cotações e projeções do JPMorgan para o câmbio em 2026

A precificação dos contratos de derivativos e as estimativas para o mercado cambial reúnem os seguintes números:

  • Cotação à vista na manhã de 28 de setembro de 2026: oscilação entre R$ 5,199 e R$ 5,201 na venda, com alta de 0,39%
  • Projeção com consolidação fiscal crível: R$ 4,90 no fechamento da moeda americana
  • Projeção em caso de descompasso fiscal: R$ 5,50 por dólar
  • Volatilidade cambial agregada em opções para os dois turnos: 6,5%
  • Projeção do Banco Central no Boletim Focus para o fim de 2026: R$ 5,20, estável pela 15ª semana seguida

Investidores apontam real como ativo mais sensível ao pleito presidencial

Uma sondagem realizada pelo JPMorgan com investidores, ponderada pelo volume financeiro sob gestão, revelou que 47% dos participantes consideram o câmbio o ativo mais exposto às eleições presidenciais. Outros 38% elegeram os títulos públicos em moeda local e 15% citaram os derivativos de juros. Na mesma pesquisa interna, 59,7% dos entrevistados declararam esperar a vitória do senador Flávio Bolsonaro, enquanto 40,3% projetaram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A pesquisa também investigou a magnitude do esforço fiscal esperado pelos gestores de recursos: 47% aguardam medidas equivalentes a uma faixa entre 0,5% e 1,5% do PIB em 2027, ao passo que 39% projetam ajustes abaixo de 0,5% do PIB e apenas 1% espera cortes acima de 1,5% do PIB.

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JPMorgan: planos econômicos aguardam detalhamento das campanhas

Os comitês de campanha de Lula e de Flávio Bolsonaro ainda não divulgaram oficialmente os nomes que vão compor a equipe econômica ministerial nem detalharam as medidas práticas de ajuste pelo lado das receitas ou corte de despesas.

A definição do primeiro turno ocorre no domingo, 4 de outubro de 2026, quando os eleitores comparecem às urnas a partir das 8h para a escolha do presidente da República e demais cargos federais e estaduais.

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