O financiamento imobiliário residencial com prazo de 30 anos nos Estados Unidos alcançou a taxa média fixa de 7,03% ao ano, segundo o levantamento semanal Primary Mortgage Market Survey, divulgado pela empresa de crédito hipotecário Freddie Mac, sediada em McLean, no estado da Virgínia. O índice rompe a barreira psicológica de 7% e pressiona os custos contratuais para adquirentes e vendedores em todo o território norte-americano.
- Taxa de financiamento imobiliário de 30 anos subiu para 7,03% ao ano, maior patamar em mais de 20 meses.
- Custo médio mensal da parcela chega a superar contratos antigos em US$ 844 por mês.
- Construtoras reagem à desaceleração e 38% das empresas aplicam descontos no preço final dos imóveis.
- Procura por contratos de taxa ajustável avançou para 9,8% do total de novos pedidos de crédito.
A apuração da Freddie Mac, publicada na quinta-feira (24), mostra que a taxa média subiu a partir dos 6,95% verificados na semana imediatamente anterior e dos 6,30% medidos no mesmo período de 2025. O movimento consolidou uma sequência de três semanas consecutivas de alta no decorrer de setembro de 2026, período em que o custo do empréstimo de longo prazo acumulou um avanço de 0,27 ponto percentual, superando o teto de 7% pela primeira vez desde 16 de janeiro de 2025.
O encarecimento das linhas de crédito residencial acompanha as decisões de política monetária adotadas pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (16), fixando a meta entre 3,75% e 4,00% ao ano para conter a inflação persistente. Paralelamente, os rendimentos dos títulos de dívida pública do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos, conhecidos no mercado financeiro como 10-year Treasury yield e utilizados como principal balizador para as hipotecas comerciais, subiram até atingir 5,18%, refletindo incertezas causadas por conflitos no Oriente Médio.
Para quem busca comprar uma casa, a barreira de 7% não carrega uma definição técnica regulatória, mas altera a percepção de viabilidade orçamentária dos consumidores. Um comprador que assume uma hipoteca com taxa de 7,03% desembolsa uma diferença estimada em US$ 844 a mais em cada parcela mensal em relação a quem contratou financiamento semelhante durante o período em que as taxas orbitavam em torno de 3%, o que retira do mercado famílias de renda média que não conseguem comprovar capacidade de pagamento para os bancos.
Contratos de 15 anos e corrida para financiamentos com taxa variável
As modalidades de financiamento imobiliário com amortização mais rápida também sofreram reajustes imediatos. A taxa média fixa para empréstimos residenciais de 15 anos subiu para 6,42%, vinda de 6,26% na semana anterior. Em comparação ao mesmo intervalo de 2025, quando o indicador registrava 5,49%, o custo para quitar o patrimônio na metade do tempo convencional teve acréscimo de quase um ponto percentual completo.
A disparada dos índices levou tomadores de crédito a buscar alternativas de curto prazo menos dispendiosas, fazendo com que a participação dos empréstimos com taxa ajustável, chamados pela sigla ARM, atingisse 9,8% de todos os pedidos de hipoteca analisados no mercado. Esse formato oferece uma taxa inicial reduzida nos primeiros anos de contrato, mas transfere o risco de flutuações futuras dos juros diretamente para o orçamento do tomador.
O presidente e diretor executivo da Mortgage Bankers Association, associação que reúne as instituições financeiras do setor imobiliário nos Estados Unidos, Bob Broeksmit, explicou o comportamento da demanda. “Tanto os pedidos de compra quanto os de refinanciamento caíram em relação ao ano passado, refletindo o impacto contínuo das taxas mais altas sobre a demanda dos tomadores de empréstimo”, afirmou o executivo, em tradução livre.
Construtoras usam subsídios nos juros para atrair clientes
A retração no volume de novos compradores atinge a cadeia da construção civil, que enfrenta dificuldades para liquidar o estoque de residências recém-concluídas. O índice de confiança dos construtores medido pela National Association of Home Builders em conjunto com o banco Wells Fargo registrou 32 pontos em setembro de 2026, patamar que sinaliza pessimismo generalizado entre os empresários do ramo de edificações residenciais.
Para destravar negociações e manter os canteiros de obras em atividade, a maioria das empresas passou a absorver despesas financeiras dos clientes. Dados setoriais revelam que 66% das construtoras norte-americanas estão oferecendo subsídios diretos para baratear artificialmente os juros nos primeiros anos de financiamento, mecanismo comercial conhecido em inglês como buydown, enquanto 38% das companhias optaram pelo corte direto no preço nominal anunciado nos imóveis.
Mesmo com as concessões promocionais praticadas pelas construtoras, as vendas totais de imóveis usados nos Estados Unidos recuaram para um ritmo anualizado de 3,98 milhões de unidades em agosto de 2026. A marca representa o menor volume de transações imobiliárias dos últimos 14 meses e mantém o setor residencial norte-americano em seu quarto ano seguido de desaceleração nas transferências de propriedade.
O que o comprador de imóveis encontra no crédito atual
Quem planeja obter financiamento habitacional neste momento precisa comprovar margens de renda mais amplas junto aos bancos e agentes hipotecários, avaliando prazos contratuais e instrumentos de proteção financeira antes de assinar a escritura. As condições gerais observadas nas instituições de crédito contemplam custos e opções específicas:
- Financiamento fixo de 30 anos: taxa de 7,03% ao ano, indicada para quem prioriza previsibilidade total no valor das parcelas até o final do prazo contratual.
- Financiamento fixo de 15 anos: taxa de 6,42% ao ano, exigindo parcelas mensais substancialmente maiores em troca de menor desembolso total com juros.
- Financiamento com taxa variável: modalidade ARM contratada por 9,8% dos solicitantes, que oferece custos menores no início, com risco de revisão periódica posterior.
- Subsídios de juros pelas incorporadoras: incentivo concedido por 66% das construtoras para cobrir parte da taxa de juros bancária nos dois ou três primeiros anos do contrato.
Apesar do represamento no número de contratos assinados, a sustentação da atividade econômica em outros setores impede um colapso completo no mercado de habitação. O economista-chefe da Freddie Mac, Sam Khater, ressaltou os pilares que seguram a solvência geral dos consumidores. “O mercado imobiliário continua apoiado por um mercado de trabalho sólido e por uma economia que está crescendo em ritmo saudável”, declarou Khater, em tradução livre.
A continuidade da taxa acima do patamar de 7% depende das próximas oscilações do mercado secundário de títulos do governo e da publicação do próximo boletim semanal da Freddie Mac, prevista para a quinta-feira, 1 de outubro de 2026.
