O advogado Willer Tomaz de Souza acionou a Justiça de São Paulo contra a Foggo Entertainment, empresa responsável pela plataforma de apostas Blaze no Brasil, para exigir o ressarcimento de R$ 163 milhões perdidos em jogos virtuais durante o ano de 2025. A defesa sustenta que a operadora violou obrigações de jogo responsável ao permitir a continuidade das apostas de um jogador diagnosticado com quadro patológico.
A decisão mais recente do caso ocorreu nesta terça-feira (29), quando o juiz Guilherme Madeira Dezem, titular da 44ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, rejeitou o pedido liminar apresentado pela defesa do advogado para decretar o bloqueio cautelar de até R$ 145 milhões em bens da Blaze. Na mesma determinação, o magistrado derrubou o segredo de Justiça que protegia o processo, permitindo o acesso público às peças protocoladas.
Justiça de São Paulo nega bloqueio cautelar contra a Blaze
O pedido de tutela cautelar incidental pretendia congelar R$ 145 milhões pertencentes à empresa controladora da Blaze como garantia para um eventual ressarcimento futuro. O juiz Guilherme Madeira Dezem indeferiu a pretensão sob o entendimento de que intervenções patrimoniais prévias exigem requisitos rígidos e provas concretas de insolvência ou dilapidação patrimonial pela empresa processada.
Ao fundamentar a negativa sobre o congelamento dos ativos, o magistrado registrou nos autos que a indisponibilidade patrimonial indiscriminada e o arresto cautelar de bens constituem medidas judiciais de elevada excepcionalidade e drástica interferência na esfera jurídica da parte ré. Com a decisão, o processo continuará tramitando na 44ª Vara Cível sem a retenção antecipada dos recursos da operadora estrangeira.
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Dados da ação e movimentações financeiras de Willer Tomaz
- Ação judicial: processo 4142445-56.2026.8.26.0100, autuado às 09h51 de 2 de agosto de 2026 na 44ª Vara Cível de São Paulo
- Valor da causa: R$ 20 milhões fixados na petição inicial cível
- Depósitos efetuados: R$ 300 milhões transferidos pelo apostador para a plataforma ao longo de 2025
- Saques realizados: R$ 137 milhões retirados da conta da operadora no mesmo período
- Volume de apostas perdidas: R$ 4,963 bilhões registrados pelo sistema em cassino virtual em 2025
- Volume de apostas vencedoras: R$ 4,8 bilhões em créditos recebidos na conta de apostas
- Saldo líquido cobrado: R$ 163 milhões correspondentes ao prejuízo nas transações da operadora
- Bloqueio rejeitado: R$ 145 milhões pedidos liminarmente pela defesa e negados pela Justiça
Defesa alega ludopatia e falha nos mecanismos de proteção
Na petição inicial elaborada pelo ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, sócio e defensor de Willer Tomaz na disputa, a defesa anexou laudo assinado em julho de 2026 pelo médico psiquiatra Diego Canelhas. O relatório médico atesta quadro de jogo patológico e aponta que o paciente relatava dificuldades operacionais para efetivar o encerramento da conta, argumentando que a plataforma de apostas impunha travas para saques e mantinha incentivos que agravavam o comportamento compulsivo do usuário.
O documento psiquiátrico descreveu que os volumes expressivos movimentados nas partidas demonstravam a desproporção financeira típica do transtorno. A petição destacou a intensidade das rodadas em roletas virtuais e caça-níqueis para embasar o pedido indenizatório, no qual Aragão afirmou nos autos que não existe leitura possível desse padrão de apostas que não seja a de jogo patológico em grau extremo.
A defesa juntou ainda diálogos nos quais o jogador recebia atendimento exclusivo por meio de um funcionário dedicado, operando no nível 171 do programa de relacionamento da Blaze. Entre as mensagens anexadas aos autos, o advogado chegou a confrontar o atendente sobre sua relevância para o faturamento da plataforma, declarando duvidar de que existisse alguém no mundo responsável por gerar tanto lucro para a operadora.
Antes do protocolo formal no Tribunal de Justiça de São Paulo, o advogado tentou firmar uma composição extrajudicial diretamente com a direção da operadora. A proposta enviada à Foggo Entertainment sugeria a devolução imediata de 70% das perdas líquidas registradas ao longo do período para evitar a judicialização do caso, solicitação que foi recusada pelos representantes da casa de apostas.
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Aposta bilionária coincide com investigação da Operação Sem Desconto
A propositura da cobrança cível ocorreu dois dias antes de Willer Tomaz ser alvo de mandados judiciais de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal em 4 de agosto de 2026, no âmbito da Operação Sem Desconto. Os investigadores apontam o advogado como uma peça operacional relevante em esquema suspeito de realizar fraudes e desvios de valores em benefícios de aposentadorias gerenciados pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
Diante do montante bilionário movimentado nas apostas online, a Polícia Federal abriu uma apuração preliminar para averiguar se as operações financeiras realizadas na conta do apostador serviram como mecanismo de lavagem de dinheiro procedente de desvios no INSS. Paralelamente, Willer Tomaz possui vínculos comerciais com o setor de apostas, atuando na intermediação de pagamentos por meio da empresa RioPag, habilitada para operar com bets credenciadas no estado do Rio de Janeiro.
Perícia em mensagens de autoexclusão permanece pendente
Um ponto central do litígio cível envolve a verificação de supostos pedidos de autoexclusão que a defesa alega terem sido enviados aos canais eletrônicos da empresa antes do encerramento das atividades do usuário. Os prints apresentados no processo mostram um apostador não identificado solicitando a suspensão definitiva da conta por razões de saúde, mas os arquivos não contêm carimbos formais de data nem elementos inequívocos de identificação cadastral, dependendo ainda de perícia técnica para atestar sua autenticidade no curso da instrução processual.
