Crescimento econômico da América Latina desacelera para 2,2% em 2026, projeta Banco Mundial

Calculadora PIB - Faizal Ramli/shutterstock.com Foto: Calculadora PIB - Faizal Ramli/shutterstock.com

O Banco Mundial reduziu a estimativa de crescimento econômico da América Latina e do Caribe para 2,2% em 2026, apontando desaceleração em relação à taxa de 2,4% apurada em 2025. O resultado reflete a perda de tração das duas maiores economias do bloco, com o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil estimado em 2,1% e o do México projetado em 1,4% para o período.

A avaliação semestral foi apresentada em Washington, nos Estados Unidos, na terça-feira (6), e coloca o ritmo médio regional em patamar insuficiente para acelerar a inclusão produtiva. A instituição financeira multilateral alertou que essa moderação na atividade prejudica os esforços governamentais destinados a reduzir a pobreza e a diminuir os índices de informalidade que atingem os trabalhadores da região.

Desempenho de Brasil e México afeta média da América Latina

Os números calculados para as principais potências econômicas latino-americanas indicam perda de fôlego e pressionam o resultado agregado de todo o continente. “Brasil e México estão crescendo a um ritmo igual ou inferior à média regional, limitados pelas condições monetárias restritivas necessárias para manter a desinflação, pela incerteza em matéria de políticas (econômicas) e pelo enfraquecimento do impulso do investimento público”, explicou o Banco Mundial no relatório econômico.

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A condução das políticas monetárias domésticas, voltada a segurar a subida dos índices de preços por meio de taxas de juros elevadas por períodos prolongados, atua como um freio direto sobre o crédito ao consumo e os aportes produtivos. Além disso, a diminuição de investimentos em infraestrutura pública e as dúvidas sobre o rumo fiscal retiram o dinamismo necessário para que as duas nações alcancem índices superiores à média de expansão observada na América Latina.

Gráfico, economia
Foto: Gráfico, economia – Foto: Sutthiphong Chandaeng/ Shutterstock.com

Paraguai, El Salvador e Argentina registram projeções diferenciadas

Em contraste com a fraqueza observada nos maiores mercados latino-americanos, economias de menor porte exibem ritmo mais acelerado de atividade para 2026. O Paraguai desponta com projeção de crescimento de 4,7% em seu PIB, enquanto El Salvador aparece logo em seguida com estimativa de expansão de 4,5%. A instituição credita o desempenho desses dois países a avanços na segurança pública, equilíbrio nas contas governamentais e atração de aportes da iniciativa privada.

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A Argentina tem estimativa de avanço de 2,1% no PIB para 2026, desacelerando frente ao expressivo salto de 4,5% verificado em 2025. O índice representa a continuidade de um ciclo de recuperação econômica, com previsão de alcançar três anos ininterruptos de variação positiva entre 2025 e 2027, trajetória que não ocorria no país vizinho há aproximadamente duas décadas, sustentada por reformas tributárias, ajuste nas despesas do Estado e abertura comercial.

“A América Latina e o Caribe têm potencial para alcançar um crescimento mais sólido e ambicioso. Os países que mantiveram estruturas macroeconômicas sólidas, fortaleceram suas instituições e impulsionaram reformas estão demonstrando que é possível alcançar um crescimento mais forte”, afirmou a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Susana Cordeiro Guerra.

Fatores climáticos e volatilidade energética elevam incerteza na América Latina

A análise da entidade destaca que o cenário econômico para os próximos meses permanece vulnerável a pressões externas e eventos meteorológicos extremos. As oscilações nas cotações globais de energia sustentam o risco de pressões inflacionárias adicionais sobre os preços de combustíveis e insumos industriais, forçando autoridades monetárias a manter as taxas básicas de juros restritivas por mais tempo para conter novas altas de preços ao consumidor.

No campo ambiental, o Banco Mundial ressaltou os danos potenciais causados por oscilações no clima regional. Segundo o documento, “a intensificação do El Niño ameaça a atividade econômica por múltiplas vias, desde as secas que afetam a geração hidrelétrica e a agricultura até episódios de chuvas excessivas”. Essas quebras em safras agrícolas e o encarecimento das tarifas de eletricidade reduzem a renda disponível das famílias e travam setores produtivos vitais.

Dados do relatório econômico do Banco Mundial para 2026

  • Data de divulgação das projeções: terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 16h11 no horário de Brasília
  • Local de publicação: sede da instituição em Washington, Estados Unidos
  • Projeção para a América Latina e o Caribe em 2026: crescimento de 2,2% do PIB, frente a 2,4% em 2025
  • Estimativa do PIB para o Paraguai em 2026: alta de 4,7%
  • Estimativa do PIB para El Salvador em 2026: alta de 4,5%
  • Estimativa do PIB para o Brasil em 2026: alta de 2,1%
  • Estimativa do PIB para a Argentina em 2026: alta de 2,1%, após registrar 4,5% em 2025
  • Estimativa do PIB para o México em 2026: alta de 1,4%
  • Próximo compromisso oficial do órgão: abertura das reuniões semestrais em 13 de outubro de 2026

Os prognósticos detalhados pelo órgão antecedem a agenda de debates multilaterais da instituição financeira. O início formal da reunião semestral do Banco Mundial está programado para terça-feira, 13 de outubro de 2026, em Washington, reunindo ministros da Fazenda e autoridades dos bancos centrais de todos os países membros para avaliar os ajustes fiscais e as medidas de financiamento ao desenvolvimento.

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