Ex-UFC: Tim Kennedy é baleado na perna em emboscada na República Democrática do Congo

EWx-lutador do UFC Tim Kennedy - Internet Foto: EWx-lutador do UFC Tim Kennedy - Internet

O ex-lutador do UFC Tim Kennedy foi baleado três vezes na perna durante uma emboscada na província de Kivu do Sul, no leste da República Democrática do Congo. O ataque armado contra o grupo deixou aproximadamente 20 pessoas mortas ou feridas, entre elas ao menos sete cidadãos congoleses e um integrante estrangeiro da equipe privada de segurança.

Kennedy foi socorrido e retirado da região em uma operação médica aérea emergencial que durou cerca de oito horas. O ex-atleta e veterano das Forças Especiais dos Estados Unidos foi transferido para o Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, hospital militar localizado nas proximidades de Washington, onde permanece internado em estado estável.

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O confronto armado resultou na morte do ex-cabo Justin Conaglen, que atuou no Serviço Aéreo Especial da Nova Zelândia (NZSAS), unidade de forças de elite daquele país. Um segundo operador de segurança estrangeiro também foi ferido na ação, mas a identidade dele não foi divulgada. Diante do ataque, autoridades governamentais da Nova Zelândia abriram uma investigação formal para esclarecer as causas e o contexto da morte de Conaglen em território africano.

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Tim Kennedy e a atuação da Vectus Global em Kivu do Sul

Kennedy participava de uma missão coordenada pela empresa de segurança privada Vectus Global, fundada e administrada pelo empresário americano Erik Prince. Prince ficou conhecido como fundador da extinta companhia militar privada Blackwater e mantém laços políticos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A empresa possui contrato com o governo do presidente congolês Félix Tshisekedi, firmado em 1 de dezembro de 2024 com duração de cinco anos e valor estimado entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões.

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A equipe na região desempenhava funções ligadas à estrutura fiscal e de recursos naturais do governo local. Informações apuradas na sexta-feira (9) indicam que o grupo atuava em uma frente destinada a “proteger receitas de mineração, combater o contrabando e arrecadar impostos para o governo congolês”, em tradução livre de reportagem da agência internacional Reuters.

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A emboscada ocorreu em 17 de setembro de 2026, mas os dados sobre o confronto e a identidade das vítimas foram mantidos em sigilo até a revelação dos relatórios de segurança. Representantes da Vectus Global, do Pentágono e do hospital militar Walter Reed não quiseram se manifestar publicamente sobre a operação.

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Antes do incidente armado em Kivu do Sul, o contingente da Vectus Global havia prestado suporte logístico e tático às tropas do exército congolês para assegurar e retomar o controle de Uvira, município estratégico situado às margens do lago Tanganica, que era disputado por grupos armados locais.

Disputa mineral e divergências sobre a autoria do ataque a Tim Kennedy

A área onde o comboio foi atacado concentra elevadas reservas de minerais estratégicos para a indústria tecnológica global, incluindo coltã (fonte do metal tântalo), ouro, cobalto e lítio. As jazidas alimentam disputas armadas entre facções rebeldes e forças estatais, com forte presença de combatentes da milícia conhecida como M23.

A autoria dos disparos contra a equipe de Kennedy permanece sob versões contraditórias entre os governos locais:

  • Serviços de inteligência da República Democrática do Congo sustentam que forças do Exército de Ruanda rastrearam um drone de vigilância operado pelos contratados privados e montaram a emboscada em apoio ao M23.
  • O governo de Ruanda nega participação no confronto armado de 17 de setembro de 2026 e afirma que não fornece tropas nem suporte militar à milícia M23.
  • Autoridades congolesas investigam se moradores de comunidades agrícolas vizinhas estão entre os mortos, sem confirmação do total definitivo de civis atingidos entre as 20 vítimas.

Trajetória de Tim Kennedy nos octógonos e no Exército dos EUA

Antes de integrar missões internacionais de proteção patrimonial e inteligência privada, Tim Kennedy construiu carreira nas artes marciais mistas (MMA), acumulando um cartel geral de 18 vitórias e seis derrotas no circuito profissional entre 2001 e 2016. No Ultimate Fighting Championship (UFC), organização na qual estreou em 2013 e fez a última apresentação em dezembro de 2016, o atleta realizou seis lutas oficiais, obtendo quatro triunfos e dois reveses na divisão dos pesos-médios.

Kennedy serviu como sargento e atirador de elite nas Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, os chamados Boinas Verdes. Ele conciliou a rotina esportiva com desdobramentos em zonas de combate no Iraque e no Afeganistão, até migrar para a atuação em empresas privadas de segurança e defesa após o encerramento do vínculo esportivo.

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