O nível do Rio Negro recuou para 7,30 metros em Mafra, no Planalto Norte de Santa Catarina, após atingir a marca crítica de transbordamento nos últimos dias. A medição realizada às 9h desta terça-feira (13) aponta uma redução acumulada de 1,74 metro em relação ao pico registrado no último fim de semana, mas o volume de água permanece 30 centímetros acima da cota oficial de emergência, estabelecida em 7 metros pela administração municipal.
Mesmo com o recuo das águas e a desobstrução das primeiras vias públicas que estavam submersas, 112 pessoas distribuídas em 36 famílias continuam acolhidas em estruturas públicas mantidas pela prefeitura. A Defesa Civil mantém equipes em estado de prontidão no município porque o solo permanece saturado na região hidrográfica e novos volumes de chuva estão previstos para os próximos dias, o que impede a liberação imediata das residências.
Distribuição dos moradores em abrigos municipais de Mafra
O atendimento às famílias afetadas pelas cheias segue concentrado em três pontos de acolhimento organizados pelo poder público municipal. O contingente de moradores desabrigados permaneceu estável desde o sábado (10), quando o rio atingiu a marca de 9,04 metros e obrigou a retirada preventiva de moradores que ocupavam áreas ribeirinhas vulneráveis no perímetro urbano.
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A divisão da população acolhida nos pontos de apoio da cidade está distribuída da seguinte forma:
- Centro de Educação do Município de Mafra (Cemma): 45 pessoas;
- Abrigo Francisco Isabel: 45 pessoas;
- Ginásio Wilson Buch: 22 pessoas.
Com o escoamento contínuo da calha do rio ao longo desta terça-feira, vias e espaços públicos que enfrentavam bloqueios totais registraram diminuição do acúmulo de água. As equipes municipais constataram o fim das inundações na Vila Solidariedade, na Vila Argentina, na Vila Ferroviária, no entorno do Autódromo e na Praça Miguel Bielecki, ponto central do município conhecido pela população como Praça dos Correios.
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Histórico da cheia do Rio Negro e represamento de afluentes
O quadro hidrológico mais crítico começou a se desenhar na noite de 9 de outubro de 2026, quando a calha do Rio Negro ultrapassou o patamar de 9 metros. Essa elevação acelerada provocou o represamento da foz do Rio da Lança, gerando refluxo nas galerias pluviais e espalhando pontos de alagamento por bairros baixos situados na divisa entre o estado de Santa Catarina e o Paraná, o que exigiu rápida resposta das autoridades locais.
Naquela sexta-feira inicial, as equipes de assistência social do município haviam contabilizado 104 moradores acolhidos em abrigos, totalizando 33 famílias retiradas de áreas sob risco de inundação. Com a persistência das chuvas nas cabeceiras da bacia hidrográfica durante a madrugada seguinte, o número total subiu para 112 desabrigados e permaneceu fixado nesse patamar até o início da manhã desta terça-feira, enquanto os técnicos monitoravam a vazante gradual do manancial.
Apesar do alívio visual nas ruas centrais provocado pelo recuo de quase dois metros na lâmina d’água, o sistema de proteção contra desastres ressalta que o leito do rio ainda opera com sobrecarga significativa. Qualquer precipitação contínua nas cidades vizinhas que compõem a bacia hidrográfica tem potencial para frear o ritmo de descida das águas ou até mesmo gerar nova elevação nos afluentes urbanos de Mafra.
Volume de chuva previsto para a bacia do Rio Negro
O monitoramento meteorológico da plataforma RioMafra Alerta aponta que a bacia hidrográfica do município deve receber um acumulado estimado de 29,2 milímetros de precipitação ao longo dos próximos sete dias. A instabilidade atmosférica segue ativa sobre a região norte catarinense, exigindo cautela redobrada dos órgãos de socorro e das famílias que aguardam para retornar aos seus bairros de origem.
O cronograma de precipitações projetado para a região de Mafra apresenta a seguinte estimativa diária:
- Terça-feira (13): 13,9 milímetros previstos, com 98% de probabilidade de chuva;
- Quarta-feira (14): 6,1 milímetros;
- Quinta-feira (15): 4 milímetros;
- Sexta-feira (16): 5 milímetros.
A Defesa Civil mantém a orientação técnica de que nenhum morador tente retornar para os imóveis antes da autorização formal das equipes de engenharia e assistência. Ainda não há confirmação oficial da data exata em que as 36 famílias abrigadas poderão voltar para suas casas, pois o retorno depende exclusivamente da secagem completa do terreno, da higienização dos imóveis e da avaliação de segurança estrutural conduzida pelos agentes públicos.
Para o atendimento a ocorrências emergenciais, chamados de apoio e pedidos de vistoria preventiva, a Defesa Civil de Mafra disponibiliza atendimento à população pelo WhatsApp no número (47) 99258-9112 e pelo telefone de emergência 199. Em casos de resgate emergencial ou situações de risco iminente à integridade física, o Corpo de Bombeiros Militar atende pelo telefone 193.
