O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, anunciou apoio à PEC do fim da escala 6×1 em Brasília. A manifestação ocorreu na manhã desta terça-feira (13), logo após o parlamentar visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar no bairro Jardim Botânico. A Proposta de Emenda à Constituição 221/2019 tramita como o único item da pauta do plenário do Senado Federal nesta semana e representa uma das principais bandeiras defendidas pela campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a 12 dias do segundo turno.
A PEC 221/2019 prevê a substituição do formato de seis dias de trabalho por um de descanso semanal remunerado pelo sistema 5×2, composto por cinco dias de atividade profissional e dois de folga. O texto estabelece ainda a diminuição gradual do teto semanal de serviço de 44 para 40 horas, mantendo a remuneração integral dos trabalhadores sem cortes salariais. O posicionamento do congressista carioca altera a postura manifestada nas semanas anteriores, quando ele apontava a votação pré-eleitoral como oportunista e sustentava alternativas de flexibilização horária articuladas pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).
Na saída do encontro com o ex-presidente, às 9h40 desta terça-feira, o candidato do PL declarou que sua decisão reflete a preferência popular em torno do descanso semanal. “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou Flávio Bolsonaro aos jornalistas que acompanhavam a movimentação no Jardim Botânico.
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Declarações de Flávio Bolsonaro sobre a jornada e compensações
Mesmo confirmando o voto favorável ao texto constitucional, o senador apresentou ressalvas sobre os impactos econômicos e operacionais do modelo 5×2. Ele argumentou que a proposta atual mantém a rigidez das relações de trabalho e deixa lacunas sobre ocupações contemporâneas, além de defender contrapartidas financeiras para as empresas contratantes absorverem os custos adicionais de pessoal.
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“Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o filho e só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar à tarde? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas acho que é um processo de evolução”, declarou Flávio Bolsonaro.
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Em seguida, o candidato mencionou o endividamento corporativo e doméstico, apontando a necessidade de transferir despesas de transição para o Poder Executivo. “O governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas. Tem o risco de muita gente ir para a informalidade. Então, isso tudo a gente está pesando. Mas, de novo, o meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”, complementou o parlamentar.
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Trâmites da PEC 221/2019 no plenário do Senado
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou o início das deliberações em primeiro turno para quarta-feira (14). A pauta prevê a realização de debates regimentais antes da votação nominal. Pelas normas internas do Congresso Nacional, uma proposta de emenda à Constituição exige a aprovação de três quintos dos membros de cada Casa legislativa, o que equivale a pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, em dois turnos distintos.
Nas fileiras partidárias da oposição, o líder do bloco no Senado, Wellington Fagundes (PL-MT), antecipou que as legendas opositoras tendem a liberar o voto de suas bancadas durante o processo de apreciação no plenário. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), encarregada de dialogar diretamente com Alcolumbre e as lideranças partidárias sobre o fluxo da pauta, reiterou que as siglas aliadas à oposição não fecharão questão contrária à medida.
Do lado governista, a articulação busca agilizar o calendário legislativo antes do pleito marcado para 25 de outubro de 2026. A líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), prepara a entrega de um requerimento formal para a quebra de interstício regimental. Essa manobra permite cancelar o intervalo obrigatório de cinco dias úteis e três sessões de discussão entre as duas etapas de votação, viabilizando o segundo turno de maneira sequencial.
Cronologia da tramitação da escala 6×1 até a decisão de Flávio Bolsonaro
- Maio de 2026 — Câmara dos Deputados conclui a análise da PEC 221/2019 e envia o texto que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais ao Senado Federal.
- Setembro de 2026 — Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprova a proposta de emenda constitucional com o modelo 5×2 de trabalho.
- 12 de outubro de 2026 — Líder do bloco de oposição, senador Wellington Fagundes, adianta que legendas opositoras devem liberar bancadas na votação.
- 13 de outubro de 2026 — Senador Flávio Bolsonaro visita Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e anuncia voto a favor do fim da escala 6×1.
- 14 de outubro de 2026 — Senado Federal agenda a conclusão da quinta sessão de discussão e o primeiro turno de votação da matéria em plenário.
- 25 de outubro de 2026 — Segundo turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro ocorre em todo o território nacional.
Com a liberação das bancadas e a manifestação pública do candidato do PL, a equipe governista mantém a expectativa de atingir o patamar constitucional de 49 votos necessários logo na sessão desta quarta-feira, transferindo o foco das negociações para a dispensa de prazos regimentais entre os dois turnos de deliberação.
