Os ministros das Finanças e os dirigentes dos bancos centrais do G7 aprovaram a realização de exercícios simulados para proteger o setor financeiro contra ciberataques impulsionados por modelos avançados de inteligência artificial (IA). A medida abrange 7 países e foi anunciada nesta sexta-feira (16), em Tóquio, pela ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama.
A decisão foca na chamada inteligência artificial de fronteira (modelos de IA de capacidade mais avançada) e nos treinamentos de mesa, modalidade em que autoridades testam respostas de emergência a partir de situações hipotéticas. Durante a coletiva de imprensa no seu retorno ao Japão, Katayama afirmou que os países do bloco “decidiram realizar simulações a este respeito” e classificou a medida como um “avanço importante”. Em tradução livre, a ministra detalhou como o consenso foi construído: “Os vice-ministros das Finanças do G7 vinham discutindo a ideia de realizar exercícios de mesa sobre IA de fronteira, o que foi aprovado em nível ministerial”.
Acordo do G7 em Bangkok: países, datas e locais da decisão
O entendimento entre os governos ocorreu em um encontro realizado paralelamente à reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na ocasião, Katayama manifestou aos demais integrantes do bloco as preocupações do governo japonês com a “gestão dos riscos que a IA acarreta”.
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- Bloco participante: 7 países integrantes do G7 (Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Japão).
- Data e local da aprovação: quinta-feira, 15 de outubro de 2026, em Bangkok, na Tailândia.
- Data e local do anúncio oficial: sexta-feira, 16 de outubro de 2026, em Tóquio, no Japão.
Alertas do FMI e do Reino Unido sobre ciberataques com IA no setor financeiro
A aprovação dos treinamentos pelo G7 ocorreu na mesma semana em que o FMI publicou o seu Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, documento que aponta os modelos de inteligência artificial como facilitadores emergentes de invasões cibernéticas contra instituições financeiras. O texto do fundo internacional adverte, em tradução livre, que “incidentes cibernéticos graves podem minar a confiança do mercado e interromper infraestruturas e operações críticas do mercado financeiro”, cenário que motivou a reação coordenada das autoridades monetárias.
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Preocupações semelhantes foram expostas por autoridades europeias durante a semana. Na quinta-feira (15), o vice-governador do Banco da Inglaterra declarou que os bancos estão elaborando opções profundas de recuperação cibernética, uma vez que não podem mais presumir que suas defesas atuais sejam imunes a ataques executados com IA. Já a Autoridade de Conduta Financeira (FCA, órgão regulador do setor financeiro do Reino Unido) alertou que modelos de IA de fronteira estão identificando vulnerabilidades de segurança em uma velocidade superior à capacidade das empresas financeiras de corrigi-las.
O tema também gerou manifestações fora do G7. O ministro das Finanças dos Países Baixos, Eelco Heinen, defendeu a atuação conjunta entre as nações diante do avanço tecnológico. “Estamos todos olhando para a mesma caixa-preta. Vemos os riscos, mas como lidar com isso? Se poucos países possuem a tecnologia, mas o mundo inteiro pode ser vítima dessa tecnologia, a cooperação internacional é muito importante. É aí que está o desconforto”, declarou Heinen, em tradução livre.
Como vão funcionar as simulações do G7 e a participação de bancos privados
De acordo com um representante do Ministério das Finanças do Japão que esteve presente nas negociações na Tailândia, as autoridades do grupo vão elaborar cenários específicos para colocar à prova os mecanismos de defesa existentes no sistema bancário internacional.
- Testes de eficácia: verificação prática dos protocolos de resposta a incidentes cibernéticos em vigor nos países do bloco.
- Mapeamento de vulnerabilidades: identificação de falhas na proteção das redes e revisão dos manuais de enfrentamento a crises.
- Participantes: ministérios das Finanças, bancos centrais e, a depender da natureza do cenário simulado, bancos comerciais e instituições financeiras privadas.
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Onda de invasões no Japão e uso do agente ARTEX na Coreia do Sul em 2026
A mobilização das autoridades financeiras ocorre após uma série de incidentes registrados na Ásia ao longo de 2026. No Japão, empresas de diferentes setores sofreram uma onda de ciberataques que provocou o vazamento de dados de milhões de pessoas. Na Coreia do Sul, ataques cibernéticos também atingiram
bancos e companhias financeiras; sobre esses episódios, um relatório da empresa de cibersegurança CrowdStrike apontou a atuação de um invasor de língua chinesa que utilizou o agente de inteligência artificial chinês denominado ARTEX.Apesar das investigações em andamento e das suspeitas de autoridades sul-coreanas sobre os incidentes no país, ainda não há confirmação oficial de que a recente onda de ciberataques contra empresas no Japão e instituições financeiras na Coreia do Sul tenha sido de fato executada com ferramentas de inteligência artificial. As autoridades do G7 também não divulgaram as datas exatas em que os exercícios simulados de defesa cibernética serão realizados.
