Haven-1 pode levar neurocientista brasileiro ao espaço em 2027

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Haven-1 - Instagram Foto: Haven-1 - Instagram

A empresa aeroespacial norte-americana Vast planeja lançar no primeiro trimestre de 2027 a Haven-1, a primeira estação espacial comercial do mundo que não pertence nem é operada por governos. O módulo privado é o destino cotado para o neurocientista brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), que pretende estudar a doença de Alzheimer em ambiente de microgravidade.

Projetada para funcionar como um laboratório orbital disponível para aluguel por empresas, agências e centros de pesquisa, a estrutura subirá ao espaço a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX. Após a entrada em órbita, os grupos de astronautas viajarão até o local utilizando a cápsula Crew Dragon, também fabricada pela empresa espacial norte-americana.

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Pesquisa de Alysson Muotri com minicérebros e moléculas da Amazônia na Haven-1

Especialista em transtornos do desenvolvimento neurológico, como o autismo, Alysson Muotri planeja embarcar na estação levando organoides cerebrais humanos, estruturas conhecidas popularmente como minicérebros. Esses materiais biológicos são cultivados em laboratório a partir de células adultas que passam por uma reprogramação para retornar ao estágio embrionário, chamadas de células-tronco, sendo capazes de gerar neurônios e reproduzir funções equivalentes às do cérebro de um bebê em formação.

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A meta do experimento científico desenhado pelo professor da Universidade da Califórnia em San Diego consiste em cultivar, amadurecer e envelhecer esses minicérebros diretamente em órbita, aproveitando o fato de que a microgravidade acelera o processo de envelhecimento biológico humano. Além de observar o avanço de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer nesse ritmo acelerado, a missão pretende testar moléculas extraídas da biodiversidade amazônica, selecionadas por povos originários, para avaliar a capacidade de proteção dessas substâncias contra danos aos neurônios.

Apesar do planejamento avançado das análises biológicas, a participação de Muotri como cientista-astronauta na tripulação da Haven-1 ainda não está oficialmente confirmada. O embarque do pesquisador brasileiro depende da assinatura de acordos comerciais e da finalização e preparação de todos os equipamentos laboratoriais necessários para conduzir os testes a bordo do módulo espacial.

Paredes lisas e camas infláveis no interior da Haven-1

O interior da estação privada foi desenhado pela Vast com foco no conforto dos tripulantes, apresentando uma configuração diferente da Estação Espacial Internacional (ISS), cujo ambiente interno tem cabos e tubos aparentes. Na estrutura comercial, o espaço conta com paredes lisas, barras de apoio para facilitar o deslocamento flutuante, alojamentos individuais e áreas de convivência compartilhadas.

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Para o descanso da equipe na ausência de gravidade, o módulo utiliza um sistema de camas infláveis projetado para manter o corpo humano fixo durante o sono. A estrutura dispõe ainda de espaços compactos de trabalho com suportes dedicados à realização de testes científicos e fabricação de materiais para posterior retorno à Terra.

Capacidade, prazos e estrutura de lançamento da Haven-1

A operação da primeira base orbital privada envolve parâmetros específicos de engenharia, transporte e permanência definidos pela fabricante norte-americana:

  • Lançamento previsto: primeiro trimestre de 2027, sem mês e dia exatos divulgados até o momento.
  • Local de partida: Cabo Canaveral, no estado da Flórida, nos Estados Unidos.
  • Veículos de transporte: foguete Falcon 9 para o módulo e cápsula Crew Dragon para os tripulantes, ambos da SpaceX.
  • Capacidade máxima: até 4 tripulantes por missão a bordo da estação.
  • Duração das missões: período previsto de 14 a 30 dias para cada grupo de astronautas.
  • Vida útil operacional: 3 anos de funcionamento previstos para a estrutura em órbita.
  • Observação externa: janela em formato de cúpula com cerca de 1,1 metro de diâmetro voltada para a Terra.

O intervalo exato entre a subida do módulo e a chegada dos primeiros humanos depende de validações técnicas junto à fornecedora do transporte. O diretor-executivo (CEO, na sigla em inglês) da Vast, Max Haot, explicou as exigências de segurança para a operação da cápsula tripulada.

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“Nós temos basicamente que convencer a SpaceX, tanto contratualmente quanto com muitos eventos de verificação, de que será seguro acoplar a Dragon. E, se eles concordarem com os dados que fornecermos, colocarão uma tripulação totalmente treinada a bordo da Dragon e os trarão para cima. Pode ser tão cedo quanto duas semanas após [o lançamento da Haven-1], e pode ser tão tarde quanto qualquer momento dentro de três anos, que é o tempo de vida útil da Haven-1”, declarou Max Haot, em tradução livre.

Suspensão de voo em 2023 e planos da Vast até a década de 2030

Antes de se tornar cotado para a missão privada na Haven-1, Alysson Muotri teve uma viagem programada para a Estação Espacial Internacional suspensa no ano de 2023, em razão de cortes no orçamento e mudanças nas regras internas da agência espacial norte-americana (NASA). Caso o embarque no módulo comercial se concretize a partir de 2027, o neurocientista se tornará o primeiro cientista brasileiro a ir ao espaço, uma vez que o primeiro astronauta do país, Marcos Pontes, possui formação militar e na área de engenharia.

No cronograma de construção da empresa aeroespacial, a Vast anunciou em 20 de janeiro de 2026 a reprogramação do lançamento da estação, que passou de 2026 para o primeiro trimestre de 2027, dando início à Fase 1 de integração do equipamento em sua sede localizada em Long Beach, na Califórnia. Nessa etapa iniciada em janeiro de 2026, a fabricante instalou os sistemas pressurizados de propulsão, suporte à vida e controle térmico, além de agendar testes ambientais na instalação Neil Armstrong da NASA ainda para o decorrer de 2026.

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A operação da Haven-1 funciona como a etapa tecnológica inicial para um projeto maior da mesma companhia: a Haven-2. A futura estação multimodular tem lançamentos planejados pela Vast para começar a partir de 2028, com o objetivo de substituir a Estação Espacial Internacional na década de 2030, consolidando a transição de bases governamentais para instalações mantidas pela iniciativa privada.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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