O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prometeu realizar um leilão de dívidas por meio da Caixa Econômica Federal para reduzir o endividamento das famílias brasileiras. A proposta foi apresentada neste domingo (18), em São Paulo, durante o primeiro debate presidencial do segundo turno contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela TV Bandeirantes.
“Nós resolvemos, através da Caixa Econômica Federal, a gente vai fazer um leilão de todas as dívidas dessa gente”, declarou o presidente ao defender condições para que a população e as empresas reorganizem as finanças. O governo federal, contudo, ainda não divulgou detalhes operacionais, datas ou regras específicas sobre como funcionará esse mecanismo no banco estatal.
Lula defende crescimento econômico de 4% a 5% ao ano para reduzir dívidas
Para o candidato petista, a redução sustentável da inadimplência depende diretamente da expansão da atividade produtiva nacional. Lula argumentou que um crescimento econômico anual na faixa de 4% a 5% teria capacidade de ampliar a renda dos trabalhadores, estimular a produção das empresas e fortalecer o comércio, criando condições reais para o pagamento dos compromissos financeiros atrasados pelas famílias e pelos pequenos negócios em todo o país.
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“A melhor forma de você resolver o problema da dívida deste país é a economia voltar a crescer”, disse o chefe do Executivo. Ele acrescentou que a maior circulação de recursos na base da pirâmide social é prioritária em seu programa de governo. “Nós precisamos, primeiro, fazer o dinheiro circular na mão das pessoas, porque muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza e miséria, mas um pouco de dinheiro na mão de muitos significa distribuição de renda”, afirmou.
Pacote para MEIs e divergência sobre R$ 12,6 bilhões no Congresso
Durante o encontro televisivo, Lula mencionou o perdão de dívidas voltado aos microempreendedores individuais (MEIs), citando a cifra de R$ 12,7 bilhões. O valor difere ligeiramente do pacote oficial anunciado pelo governo federal no Palácio do Planalto na última terça-feira (13), a 12 dias da votação do segundo turno. Na ocasião, com a participação do ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, o Executivo enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar (PLP) que prevê a anistia de R$ 12,6 bilhões em débitos tributários inscritos na Dívida Ativa da União a partir de 2027, medida que depende de aprovação parlamentar e pode alcançar 3,6 milhões de trabalhadores autônomos.
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Além da renegociação tributária enviada ao Legislativo, o plano governamental apresentado antes do debate abrange outras frentes financeiras e operacionais para a categoria. O pacote inclui o lançamento do edital do programa Desenrola 3.0, pelo qual a União pretende comprar R$ 6 bilhões em dívidas bancárias privadas de microempreendedores exigindo descontos mínimos de 90% das instituições financeiras. Também fazem parte do anúncio o programa em estruturação chamado Pix MEI, desenhado para repassar até R$ 5 mil destinados a investimentos produtivos, e o PLP 186/2026, que propõe ampliar o teto de faturamento anual permitido para o enquadramento na modalidade.
Flávio Bolsonaro critica dívida de R$ 11 trilhões e Lula propõe universidade indígena
O programa na TV Bandeirantes, realizado das 20h às 22h (horário de Brasília), marcou o primeiro embate presencial frente a frente entre Lula e Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026, uma vez que os dois candidatos não se enfrentaram nos encontros do primeiro turno. Enquanto o presidente sustentou a queda do risco-Brasil e o equilíbrio das contas públicas, o senador do PL concentrou suas críticas no custo de vida e na alta no preço dos alimentos. Flávio Bolsonaro também atacou o estoque da dívida pública brasileira, que atinge R$ 11 trilhões, e prometeu abrir mais de R$ 200 bilhões de espaço no orçamento federal para abater o endividamento do Estado.
Para contrapor as críticas do adversário na área fiscal, Lula recorreu a números de seus mandatos anteriores. O petista recordou que o Brasil quitou uma dívida de US$ 30 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), acumulou US$ 270 bilhões em reservas internacionais, incluiu 22 milhões de brasileiros no sistema bancário e obteve dois selos de grau de investimento — classificação concedida por agências internacionais que atesta baixo risco de calote de um país. No campo educacional, o presidente defendeu a ampliação de verbas para escolas, universidades e cursos técnicos, mencionando o projeto de criação de uma universidade indígena em Brasília.
Troca de acusações envolve Roberta Luchsinger e desafio sobre sigilo bancário
O primeiro bloco e as rodadas seguintes do debate também registraram trocas de acusações de corrupção envolvendo familiares dos candidatos e menções à empresária e lobista Roberta Luchsinger, alvo de inquéritos citados pelos concorrentes no estúdio. Diante das declarações do oponente, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a abertura conjunta de dados financeiros e registros telefônicos para esclarecer as suspeitas levantadas durante a transmissão.
“Vamos abrir a minha conta e a sua? Vamos abrir seu celular e a minha conta bancária?”, declarou o presidente ao rebater o candidato do PL. Os dois concorrentes voltam a disputar a preferência do eleitorado no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro de 2026.
