Linha 4-Amarela avança com duas novas estações até Taboão da Serra

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Trem com passageiros da Linha 4-Amarela descarrila e parte ao meio Foto: Trem com passageiros da Linha 4-Amarela descarrila e parte ao meio - Foto: reprodução

As obras de expansão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo avançam com a construção de 3,3 quilômetros de túneis e duas novas paradas: Chácara do Jockey, na zona oeste da capital, e Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Com investimento total estimado em R$ 4,04 bilhões, o projeto levará a rede metroviária pela primeira vez a um município fora dos limites da capital paulista e deve atender cerca de 50 mil novos passageiros por dia.

O novo trecho parte da Estação Vila Sônia – Profa. Elisabeth Tenreiro, atual terminal da linha, e beneficiará uma população aproximada de 285 mil habitantes em Taboão da Serra, além de retirar cerca de 33 mil veículos das ruas diariamente após a conclusão. Para o cabeleireiro Marcos de Almeida, morador da cidade há 20 anos e usuário do sistema, a ampliação vai eliminar o gargalo rodoviário enfrentado todos os dias pelos trabalhadores da região. “O principal problema que eu enfrento é o trânsito na BR para chegar na Linha Amarela. Com a estação em Taboão, quem mora aqui e precisa fazer esse trajeto não vai mais precisar enfrentar esse trânsito e vai economizar muito mais tempo. Será muito mais rápido e menos cansativo”, disse.

Estrutura das novas estações da Linha 4-Amarela em São Paulo e Taboão

A execução do empreendimento está a cargo da concessionária Motiva (antiga CCR, controladora da operadora ViaQuatro) e do Consórcio Expresso Linha 4, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. O acompanhamento técnico é feito pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), enquanto a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) fiscaliza o cumprimento das obrigações contratuais.

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O projeto executivo prevê que as duas futuras paradas funcionem como polos de integração com linhas de ônibus municipais e intermunicipais, além de modais ativos de transporte. As especificações técnicas divulgadas para cada estrutura incluem:

  • Estação Chácara do Jockey: acessos pela região do Parque do Jockey e pela Avenida Professor Francisco Morato, plataformas de 132 metros de comprimento, quatro escadas rolantes, dois elevadores, sanitários acessíveis e sala de pronto atendimento.
  • Estação Taboão da Serra: plataformas de 132 metros, seis escadas rolantes, dois elevadores, 17 bloqueios de acesso, sanitários acessíveis, bicicletário, conexão com uma ciclovia no Córrego Poá e terminal integrado de ônibus com capacidade para 22 veículos.
  • Frota adicional: aquisição de 6 novos trens incluída no pacote de investimentos para operar a extensão de 3,3 quilômetros.

Escavações da Linha 4-Amarela e método construtivo dos túneis

Diferentemente de etapas anteriores do metrô paulista que utilizaram a tuneladora mecânica conhecida como tatuzão, a nova extensão da Linha 4-Amarela adota o método NATM (New Austrian Tunnelling Method, técnica de escavação sequencial que abre o túnel a partir de diversos pontos de ataque simultâneos). Em Taboão da Serra, os trabalhos concentram-se na abertura de cinco grandes poços que integrarão a estrutura da futura estação e servirão de acesso para operários e maquinário pesado; até o mês de agosto, três desses poços já estavam em fase de escavação.

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Na área da futura Estação Chácara do Jockey, as frentes de trabalho realizam a demolição de imóveis desapropriados, limpeza do terreno, instalação de tapumes e preparação do solo para implantar acessos técnicos. Além dos canteiros principais, uma nova frente de obras destinada à construção da saída de emergência SE03, localizada entre as duas futuras estações, interditou parcialmente a Rua José Braz, entre os números 5.943 e 5.983, na Vila Sônia. O bloqueio viário começou no sábado (17) e tem restrição prevista para durar até cinco anos.

Financiamento de R$ 4,04 bilhões na Linha 4-Amarela e prazos até 2030

O pacote financeiro que viabiliza a expansão foi firmado em 29 de setembro de 2025, por meio de um aditivo contratual entre o Governo de São Paulo e a concessionária que prorrogou a concessão da ViaQuatro por mais 20 anos. Pelo acordo, a iniciativa privada entra com aporte de R$ 1 bilhão, enquanto cerca de R$ 3 bilhões são custeados pelo governo estadual com financiamento do Banco Mundial, montante que inclui o reequilíbrio econômico-financeiro decorrente de atrasos anteriores na Fase II da Linha 4-Amarela.

Em declaração dada em agosto, o secretário estadual de Parcerias em Investimentos de São Paulo, Rafael Benini, informou que a meta do governo é concluir a escavação de todo o trecho de 3,3 quilômetros até 2028 e iniciar a operação comercial com passageiros em 2030. Hoje, moradores de Taboão da Serra e de cidades vizinhas, como a assistente de operações estratégicas Jéssica da Costa Silva, moradora de Embu das Artes, gastam entre 30 minutos e uma hora de ônibus apenas para vencer o congestionamento até a Estação Vila Sônia; quando o novo trecho estiver em funcionamento, a viagem completa entre Taboão da Serra e a Estação da Luz, no centro da capital, poderá ser feita em cerca de 30 minutos.

Mutirão de empregos da Linha 4-Amarela e atendimento aos moradores

Atualmente, os canteiros de obras da extensão contam com 490 profissionais contratados, número que será multiplicado conforme o avanço das escavações subterrâneas. Para reforçar as equipes, a Motiva e o Consórcio Expresso Linha 4 iniciaram nesta terça-feira (20), das 8h às 11h, ações presenciais em estações das Linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda voltadas à captação de currículos da construção civil. As vagas abertas contemplam as funções de ajudante de produção, auxiliar de enfermagem, auxiliar técnico, carpinteiro, pedreiro, sinaleiro e técnico de meio ambiente.

Para esclarecer dúvidas da população sobre desapropriações, interdições de trânsito e o cronograma construtivo, o consórcio mantém três Centros de Atendimento à Comunidade (CAC) em operação na área de influência do projeto: o CAC Chácara do Jockey, na Avenida Professor Francisco Morato, 5.098; o CAC Vila Sônia, na Avenida Professor Francisco Morato, 4.002 e 4.009; e o CAC Taboão, localizado na Rua do Tesouro, 730, em Taboão da Serra.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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