iFood Benefícios compra a Caju e soma 3 milhões de usuários

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Gráfico, seta pra cima, aumento Foto: Gráfico, seta pra cima, aumento - TStudious/shutterstock.com

A divisão de benefícios corporativos do grupo holandês Prosus, o iFood Benefícios, assinou e anunciou em São Paulo, na terça-feira, 20 de outubro de 2026, o acordo para comprar a startup brasileira Caju, que atua na gestão de despesas, benefícios e recursos humanos. Com a operação, que representa a maior aquisição da história da companhia, as duas carteiras passam a somar cerca de 3 milhões de usuários cadastrados e aproximadamente 135 mil empresas clientes, dobrando a presença da compradora no segmento.

O negócio foi comunicado formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na mesma terça-feira (20) e ainda depende do aval do órgão antitruste e do Banco Central para ser concretizado. “Temos investido de forma consistente nos últimos anos. Essa aquisição é estratégica em um setor muito disputado. O iFood Benefícios tem crescido perto de 80% ao ano nesses últimos três anos”, afirmou o presidente do iFood Benefícios, Arthur Freitas.

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Raio-x da união entre iFood Benefícios e Caju em números

Isoladamente, as duas companhias possuem portes semelhantes no volume financeiro e no atendimento corporativo. A transação faz parte do pacote de R$ 24 bilhões em investimentos anunciado pelo iFood e pela controladora Prosus para o ano fiscal que se encerra em março de 2027, buscando ampliar a atuação do grupo para além do serviço principal de entregas. O valor exato do contrato de aquisição, no entanto, não foi revelado oficialmente pelo iFood Benefícios nem pela Caju.

Abaixo estão os principais indicadores das empresas e do setor de benefícios no país:

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  • Usuários do iFood Benefícios: cerca de 1,7 milhão de pessoas cadastradas.
  • Usuários da Caju: 1,3 milhão de trabalhadores atendidos.
  • Empresas clientes: 65 mil no iFood Benefícios e mais de 70 mil na Caju.
  • Volume financeiro: cada empresa processa cerca de R$ 1,3 bilhão em transações mensais.
  • Rede de aceitação: 11 milhões de estabelecimentos físicos aceitam o cartão do iFood Benefícios e 12 milhões recebem o cartão da Caju.
  • Ecossistema do iFood: mais de 500 mil estabelecimentos parceiros, 600 mil entregadores e 65 milhões de consumidores em mais de 2.000 cidades.
  • Tamanho do setor: o mercado brasileiro de vale-refeição e vale-alimentação movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano.
  • Alcance do PAT: o Programa de Alimentação do Trabalhador reúne 22 milhões de trabalhadores em cerca de 470 mil empresas inscritas.

Impacto das regras do PAT nas taxas do iFood Benefícios e da Caju

A expansão das duas empresas ocorre sob as novas diretrizes do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), iniciativa federal que concede incentivos fiscais para empregadores fornecerem alimentação aos funcionários. Em novembro de 2025, um decreto assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, regulamentou mudanças no programa, estabelecendo a abertura dos arranjos de pagamento e um limite máximo (teto) de 3,6% nas taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais pelas operadoras de cartões. A redução das barreiras regulatórias atraiu novas instituições financeiras e de tecnologia para disputar os recursos do setor.

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Segundo a direção da compradora, o ganho de escala permitirá reduzir os custos cobrados dos restaurantes e mercados. “Repensamos a cadeia de valor do benefício, e os pontos de partida foram o restaurante e o trabalhador. Quando o custo da transação cai, o estabelecimento opera com mais margem e pode repassar esse ganho em alimentação mais barata para o trabalhador e em mais investimento no negócio”, declarou Arthur Freitas. O executivo acrescentou que a união dará à empresa “a capacidade de ter uma taxa de desconto menor do que o que o mercado pratica há um bom tempo”.

Para o CEO e cofundador da Caju, Eduardo Del Giglio, a alteração nas regras do setor serviu como pano de fundo, mas o foco do negócio é a complementaridade tecnológica entre a rede do aplicativo de entregas e o sistema de gestão da startup. “A Caju entra com a plataforma que simplifica a gestão do RH. Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos, com mais aceitação, mais uso no on-line e mais investimento em produto”, disse Del Giglio.

Histórico da Caju e disputa de mercado com o iFood Benefícios

Tanto o iFood Benefícios quanto a Caju foram criados em 2020, durante a pandemia de covid-19, com foco em cartões de múltiplos benefícios e soluções digitais. Fundada por Eduardo Del Giglio e Renan Mendes, a Caju captou R$ 13 milhões em uma rodada de investimento semente em 2020, liderada pelos fundos Valor Capital e Canary, e levantou mais R$ 45 milhões em 2021 em uma rodada Série A, conduzida por Valor Capital, Caravela Capital e Volpe Capital. As conversas para a aquisição anunciada agora começaram em junho de 2026, cerca de três anos após o próprio iFood ter feito uma primeira tentativa de comprar a concorrente.

No cenário competitivo, a soma de 3 milhões de usuários aproxima a operação conjunta do porte da VR Benefícios, que conta com cerca de 4 milhões de usuários. Ainda assim, a nova estrutura permanece atrás das atuais líderes do mercado brasileiro — Alelo, Edenred e Pluxee (antiga Sodexo Benefícios) —, sendo que a Alelo e a Edenred possuem mais de 10 milhões de trabalhadores cadastrados cada uma. A diversificação de receitas do iFood também acontece em um período de maior concorrência no setor de entregas no Brasil, após a chegada da plataforma Keeta, unidade da empresa chinesa Meituan.

Operação independente da Caju e do iFood Benefícios até 2027

A expectativa das companhias é que a análise regulatória do Cade e do Banco Central seja concluída ao longo de 2027. Até a aprovação final dos dois órgãos, o iFood Benefícios e a Caju continuarão operando de maneira independente, sem alterações imediatas nos contratos ou no uso dos cartões para trabalhadores, empresas clientes e estabelecimentos comerciais.

Após a conclusão definitiva da compra, o CEO e cofundador da Caju, Eduardo Del Giglio, permanecerá no comando da operação da startup dentro da estrutura do grupo.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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