Osteoporose afeta 10 milhões no Brasil sem sinais iniciais

Conceito de Osteoporose, mulher idosa com dor no braço - pocketlight/ istockphoto.com

Conceito de Osteoporose, mulher idosa com dor no braço - pocketlight/ istockphoto.com

Cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com a osteoporose, doença que reduz a massa óssea de forma silenciosa e predomina entre as mulheres, segundo estimativas da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) destacadas por especialistas e entidades médicas após o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, celebrado na terça-feira (20). Como a perda de resistência nos ossos avança sem provocar dor, até 80% dos pacientes que sofrem uma fratura permanecem sem diagnóstico e sem tratamento para a condição de base.

A ausência de sintomas perceptíveis faz com que a enfermidade seja identificada apenas quando ocorrem traumas leves, a exemplo de quedas da própria altura ou movimentos mínimos que provocam lesões graves no punho, no quadril ou na coluna. O médico ortopedista e coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), José Luis Amim Zabeu, defende a checagem imediata da estrutura esquelética logo no pronto-atendimento. “A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra esse acompanhamento”, afirmou o especialista.

Números e indicadores da osteoporose no Brasil e no mundo

Foto: Conceito de osteoporose, coluna vertebral, médico – Warawan Tongsri/ istockphoto.com

Os levantamentos divulgados pela Fundação Internacional de Osteoporose e pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) em outubro de 2026 dimensionam a incidência da fragilidade esquelética e a falta de rastreamento preventivo na população.

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  • Total de brasileiros afetados pela osteoporose: cerca de 10 milhões de pessoas, segundo estimativa da IOF.
  • Ocorrência anual de lesões no Brasil: aproximadamente 400 mil fraturas por fragilidade óssea registradas por ano.
  • Taxa de detecção prévia: apenas 20% dos pacientes recebem o diagnóstico antes de sofrerem a primeira lesão.
  • Risco de reincidência: aumento de 86% na probabilidade de sofrer uma nova fratura para quem já possui histórico de lesão anterior, com maior perigo nos dois primeiros anos após o episódio inicial.
  • Proporção global ao longo da vida: 1 em cada 3 mulheres e 1 em cada 5 homens acima dos 50 anos sofrerão alguma fratura relacionada à osteoporose no mundo.
  • Incidência na pós-menopausa: a condição atinge de 14% a 29% das mulheres acima de 50 anos e alcança até 73% daquelas com mais de 80 anos, conforme dados da SBR.

Por que a osteoporose avança sem sintomas e afeta mais mulheres?

A médica reumatologista Marcia Veloso Kuahara, que atua na AMA Especialidades Jardim São Luiz — unidade gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam) —, explica que a falta de dor antes da quebra do osso gera uma sensação equivocada de segurança nos pacientes, atrasando a busca por exames clínicos. “O osso é um tecido vivo que passa por contínua remodelação ao longo de toda a vida. Com o avançar da idade e as alterações hormonais, a reabsorção do mineral passa a ser mais rápida do que a formação de novas células. Por ser um processo assintomático, o indivíduo não sente que seu osso está enfraquecendo. Por isso, a investigação ativa dos fatores de risco é essencial antes que a fratura aconteça”, declarou a médica.

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Nas mulheres, a vulnerabilidade cresce de maneira acentuada após a menopausa por causa da queda brusca na produção de estrogênio, hormônio que atua na proteção e no fortalecimento do tecido ósseo. Por esse motivo, médicos recomendam atenção à saúde do esqueleto feminino a partir dos 40 anos, período em que se inicia a transição hormonal. Sinais físicos visíveis, como a diminuição da estatura e o aumento progressivo da curvatura das costas, exigem avaliação médica por indicarem possíveis alterações ou fraturas silenciosas nas vértebras.

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De acordo com o ortopedista José Luis Amim Zabeu, pacientes que apresentam fatores de predisposição devem procurar orientação médica mesmo sem histórico de quedas. “Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar que outro aconteça para investigar”, disse o coordenador do Vera Cruz Hospital.

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Projeções da osteoporose para 2030 e acesso a tratamento no SUS

O cenário epidemiológico brasileiro aponta para um crescimento expressivo nos casos de lesões ortopédicas caso as taxas de prevenção não avancem nos próximos anos. Um relatório da Fundação Internacional de Osteoporose somado a projeções analisadas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia, com a participação da médica reumatologista Vera Lucia Szejnfeld, membro da Comissão de Doenças Osteometabólicas e Osteoporose da entidade, indica que o volume anual de fraturas por fragilidade no país pode subir até 60% até o ano de 2030. Esse salto está diretamente ligado ao envelhecimento demográfico no Brasil, cuja população com mais de 60 anos deve passar do patamar de 33 milhões para mais de 40 milhões de pessoas até 2030.

No âmbito da saúde pública, as mobilizações de 20 de outubro de 2026 também trouxeram orientações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre o acesso à assistência gratuita para quadros severos no Sistema Único de Saúde (SUS). Pelas regras do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, a rede pública disponibiliza opções que incluem o medicamento biológico romosozumabe (fármaco injetável que estimula a formação óssea), indicado especificamente para mulheres na pós-menopausa que apresentem risco muito elevado de fraturas e que tenham registrado falha em tratamentos anteriores.

Exames de rastreamento e cuidados preventivos contra a osteoporose

A detecção antecipada da perda de massa óssea é feita em consultório, por meio da análise clínica do paciente, e confirmada pela densitometria óssea, um exame radiológico de baixa dosagem que mede a concentração de minerais nas áreas do esqueleto mais sujeitas a quebras. Na rotina de fortalecimento físico, o profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício Jauan Anselmo destaca o papel do treinamento resistido. “A musculação precisa ser entendida também como um investimento na saúde óssea. Os ossos respondem aos estímulos mecânicos que recebem, e exercícios bem prescritos podem contribuir para preservar sua estrutura ao longo do tempo. O importante é respeitar a individualidade de cada aluno, considerar seu histórico e progredir de maneira segura e consistente”, afirmou Anselmo.

A reumatologista Marcia Veloso Kuahara ressalta que a adoção de treinos intensos ou o uso de cápsulas nutricionais não podem ocorrer por conta própria, exigindo checagem laboratorial prévia. “Não existe uma conduta padronizada ou milagrosa para a saúde dos ossos. A indicação de suplementos de cálcio e vitamina D, bem como a liberação para determinadas modalidades de exercícios físicos, exige avaliação detalhada da função renal, cardíaca e metabólica de cada paciente. O objetivo é fortalecer a estrutura esquelética com total segurança para o organismo”, explicou a médica.

  • Público-alvo da densitometria óssea: mulheres a partir dos 65 anos, homens a partir dos 70 anos ou pessoas mais jovens que apresentem fatores de risco e histórico de fratura por baixo impacto.
  • Condicionantes de estilo de vida e genética: histórico familiar de osteoporose, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e baixa ingestão diária de cálcio e vitamina D.
  • Fatores clínicos que afetam a absorção ou o osso: uso prolongado de medicamentos corticoides, realização prévia de cirurgia bariátrica e tratamentos de quimioterapia.
  • Pilares nutricionais básicos: dieta com aporte adequado de proteínas e cálcio aliada à exposição solar moderada para a síntese de vitamina D pelo organismo.
  • Adaptações domésticas contra quedas: retirada de tapetes soltos dos cômodos, melhoria da iluminação interna da residência e instalação de barras de apoio nos banheiros.

Nos casos em que a osteoporose já está instalada ou houve fratura por trauma leve, o médico pode associar medicamentos específicos e, em situações selecionadas após análise de riscos e benefícios, terapia hormonal. “Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, concluiu o ortopedista José Luis Amim Zabeu.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.