A base global de clientes pagos do Spotify alcançou 306 milhões de assinantes Premium no terceiro trimestre de 2026, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (22) em Estocolmo e Nova York. Impulsionadas pelo avanço de 9% nas assinaturas anuais e pelo anúncio de novas ferramentas de inteligência artificial, as ações da companhia (SPOT) subiram mais de 9% após a abertura do pregão em Wall Street.
O total de usuários ativos mensais (MAUs, indicador que soma ouvintes pagos e gratuitos) chegou a 788 milhões entre julho e setembro, crescimento de 11% sobre os 713 milhões registrados no mesmo período de 2025. A empresa adicionou 6 milhões de assinantes pagos no trimestre, superando em 1 milhão a sua própria projeção, além de somar 11 milhões de novos usuários totais. “Este foi um trimestre em que entregamos o que prometemos. Construímos um negócio sólido que continua crescendo de forma consistente, investimos quando enxergamos caminhos para crescer, nossos custos estão se moderando e ainda temos muito espaço pela frente”, afirmou o copresidente-executivo (co-CEO) do Spotify, Alex Norström.
Spotify tem lucro operacional de 672 milhões de euros no 3º trimestre
No desempenho financeiro entre julho e setembro de 2026, o lucro operacional atingiu 672 milhões de euros (cerca de R$ 3,8 bilhões), alta anual de 15%, enquanto a margem bruta bateu recorde para um terceiro trimestre ao alcançar 33,0%, avanço de 1,36 ponto percentual em um ano. A receita total cresceu 16% na comparação anual (14% em moeda constante), sendo divulgada em 5,0 bilhões de euros arredondados nos comunicados resumidos da empresa e registrada em 4,97 bilhões de euros (cerca de R$ 28,1 bilhões) nas tabelas contábeis detalhadas.
Já o lucro líquido do trimestre recuou para 518 milhões de euros, abaixo dos 899 milhões de euros contabilizados um ano antes, período em que o resultado havia sido elevado por 262 milhões de euros em receita financeira e 72 milhões de euros em benefício fiscal. As despesas operacionais aumentaram 26% no intervalo de 12 meses, puxadas pelos investimentos diretos em computação em nuvem, marketing e desenvolvimento de inteligência artificial, enquanto o fluxo de caixa livre teve queda anual de 9%, encerrando setembro em 735 milhões de euros.
- Receita de assinantes Premium: 4,49 bilhões de euros no 3º trimestre de 2026 (alta anual de 17%).
- Receita média mensal por assinante (ARPU): 4,95 euros (crescimento anual de 9,3%, puxado por reajustes de preços).
- Receita com publicidade: 482 milhões de euros no trimestre (avanço anual de 10%).
- Usuários no plano gratuito com anúncios: 499 milhões de pessoas (crescimento anual de 12%).
- Lucro por ação: 2,48 euros no 3º trimestre (abaixo da estimativa de mercado de 2,80 euros).
- Participação da América Latina: 24% da base global de assinantes Premium e 21% dos usuários ativos mensais.
Taste Profile e acordos do Spotify para músicas com IA
Na área de tecnologia, a plataforma iniciou os testes da versão Beta do recurso Taste Profile para assinantes Premium com 18 anos ou mais nos Estados Unidos. A ferramenta mostra ao usuário como o sistema interpreta seu gosto em músicas, podcasts e audiolivros, permitindo ajustar diretamente as recomendações exibidas na página inicial do aplicativo.
O catálogo de recursos automatizados inclui ainda o AI DJ, que monta seleções musicais com comentários falados, a criação de listas de reprodução por comandos de texto e a integração com agentes externos, como o assistente Muse, da Meta. Em paralelo, o Spotify firmou acordos de licenciamento com a distribuidora Believe, Universal Music Group, Merlin e Kobalt para desenvolver uma futura ferramenta paga voltada à criação de versões e remixes por fãs com uso de inteligência artificial, movimento que também busca proteger a empresa diante de plataformas rivais de geração musical por IA, como Suno e Udio.
Ao avaliar o impacto da automação no setor, o copresidente-executivo (co-CEO) do Spotify, Gustav Söderström, diferenciou o consumo de cultura de outras atividades digitais. “O Spotify está em uma das poucas categorias que realmente têm tudo para prosperar na era dos agentes de IA. Isso porque os agentes são excelentes em substituir e cuidar do que as pessoas preferem não fazer. As pessoas adoram escapar de tarefas chatas. Mas, com o entretenimento, é o contrário. Ninguém pede a um agente para ‘resumir uma música’. O objetivo de escapar dessas tarefas é liberar ainda mais tempo para as coisas de que realmente gostamos”, declarou Söderström.
Expansão do Spotify no Brasil e projeções para o fim de 2026
Além da música, em que declarou ter pago US$ 11 bilhões à indústria fonográfica em 2025 e US$ 70 bilhões desde sua fundação, a companhia anunciou a ampliação do Spotify Partner Program, programa de monetização de podcasts, para mais de 35 novos mercados, incluindo o Brasil. O consumo de podcasts em vídeo cresceu mais de 140% desde a estreia do programa, alcançando mais de 560 milhões de espectadores em um acervo superior a 8 milhões de programas.
A empresa também lançou a modalidade de assinaturas pagas para fãs Creator Memberships em 34 mercados e confirmou a expansão de seu catálogo de mais de 800 mil audiolivros para mais de 180 países até o encerramento de 2026. Na área societária, a companhia executou a recompra de US$ 1,1 bilhão em ações próprias ao longo do ano.
O balanço divulgado em 22 de outubro de 2026 impulsionou os papéis na bolsa de Nova York, que subiram cerca de 5% no pré-mercado e superaram 9% de valorização nas primeiras negociações do dia, após acumularem queda de 22,24% nos 12 meses anteriores. Para o quarto trimestre de 2026, o Spotify projeta alcançar 818 milhões de usuários ativos mensais, 316 milhões de assinantes Premium (adição líquida de 10 milhões de clientes pagos), receita total de 5,2 bilhões de euros e lucro operacional de 820 milhões de euros (cerca de R$ 4,6 bilhões), valor acima da estimativa média de 813,4 milhões de euros calculada por analistas da LSEG.
