A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) homologou na segunda-feira (19) o terminal residencial de internet via satélite da empresa chinesa SpaceSail, concorrente direta da Starlink no Brasil. O equipamento aprovado suporta velocidade máxima de até 400 Mb/s para download e prepara a entrada comercial da operadora no país, prevista para o quarto trimestre de 2026.
Conhecida na China pelo nome Qianfan, a companhia utiliza uma constelação de satélites de órbita baixa, identificados pela sigla LEO (Low Earth Orbit, na denominação em inglês), para transmitir sinal de internet a regiões onde a infraestrutura terrestre de cabos e fibra óptica é limitada. Embora a liberação técnica do aparelho permita o uso do hardware no território nacional, a empresa ainda precisa estruturar a importação dos kits e concluir a instalação de suas bases em solo brasileiro antes de iniciar as vendas ao público.
Antena da SpaceSail alcança 400 Mb/s e permite uso fixo ou móvel
O documento emitido pela agência reguladora atende a um pedido da representação nacional Spacesail Brazil e classifica o dispositivo como um transceptor móvel por satélite. Essa categoria técnica autoriza o funcionamento do aparelho tanto em instalações residenciais fixas quanto em aplicações em movimento, como em veículos, embora a empresa ainda não tenha confirmado quais modalidades de assinatura estarão efetivamente disponíveis aos consumidores brasileiros na estreia do serviço. A produção física do hardware fica sob a responsabilidade da empresa Shanghai Hanxun Information Technology, sediada na cidade de Nanquim, na China.
De acordo com o manual técnico submetido ao órgão regulador brasileiro, a antena possui formato retangular e estrutura externa com certificação de proteção IP65, índice técnico que atesta resistência contra a entrada de poeira e jatos de água em ambientes abertos. O aparelho conta com um indicador luminoso em LED para exibição do status de funcionamento, uma porta específica para diagnóstico protegida por tampa de borracha e uma única entrada física que concentra a alimentação elétrica e a transferência de dados por cabo. Na outra extremidade do fio conectado ao equipamento, há uma ponta com conector USB-C fora do padrão convencional que se divide em uma tomada de energia e em uma porta de rede do tipo RJ45 (padrão Ethernet).
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O terminal incorpora ainda tecnologia de rede sem fio no padrão Wi-Fi 5, recurso utilizado pelo cliente tanto para realizar a configuração inicial do sistema por meio do aplicativo próprio da SpaceSail quanto para distribuir o sinal satelital aos dispositivos da residência. O projeto submetido à agência também prevê a compatibilidade com acessórios opcionais para diferentes tipos de instalação, incluindo variados suportes de fixação para telhados ou áreas externas e o acoplamento de uma bateria externa. A documentação ressalta que os limites de velocidade de tráfego registrados no manual refletem a capacidade física suportada pelo equipamento, e não uma garantia de desempenho dos planos comerciais que serão vendidos.
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Registro e especificações técnicas do terminal STG-S001-A0 na Anatel
Os documentos técnicos aprovados para a operação do equipamento da SpaceSail detalham os parâmetros físicos, elétricos e administrativos exigidos pela regulamentação brasileira:
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- Data de homologação na Anatel: 19 de outubro de 2026
- Código do modelo aprovado: STG-S001-A0
- Número do certificado: 01944-26-18192
- Capacidade máxima de tráfego: até 400 Mb/s de download e 100 Mb/s de upload
- Dimensões e peso da antena: 48 cm x 36 cm x 4 cm, com peso total de 4 kg
- Cabeamento incluso no kit: cabo de 15 metros de comprimento
- Especificação de alimentação elétrica: 48 volts e 4,5 amperes, equivalentes a uma potência de 216 watts
Autorização de 324 satélites da SpaceSail e acordos desde 2024
A liberação do terminal doméstico dá sequência a uma série de etapas regulatórias e institucionais iniciadas pela empresa chinesa no país há quase dois anos. Em novembro de 2024, a estatal Telebras e o Ministério das Comunicações assinaram um memorando de entendimento com a SpaceSail voltado à avaliação de demandas de conectividade e ao desenvolvimento de projetos conjuntos de inclusão digital, acordo de cooperação que não envolvia o lançamento imediato de planos residenciais. Já no âmbito da infraestrutura de solo, a companhia obteve em outubro de 2025 a homologação de um transceptor específico para estação terrena junto à Anatel, registrado sob o modelo SG01-HXGS-AR e certificado nº 06421-25-18192.
O avanço regulatório principal ocorreu em 12 de fevereiro de 2026, data em que o Conselho Diretor da Anatel aprovou o direito de exploração da primeira fase da constelação da SpaceSail no Brasil, autorizando a operação de 324 satélites de órbita baixa posicionados a cerca de 1.160 km de altitude e operando nas faixas de frequência das bandas Ku e Q/V. A licença concedida pelo colegiado tem validade até 31 de julho de 2031 e fixou o prazo máximo de até dois anos para o início efetivo das operações, seguido em março de 2026 pela edição do Ato nº 3.084, norma que incluiu a rede chinesa nas regras de coordenação entre sistemas não geoestacionários para proteção contra interferências. Pelo projeto aprovado na ocasião, a operadora assumiu o compromisso de instalar um centro de operações de rede (NOC, sigla em inglês para Network Operations Center) no território nacional e seis estações terrenas de acesso, conhecidas tecnicamente como gateways, tendo confirmado as duas primeiras unidades nas cidades de São Paulo e Brasília.
Disputa com a Starlink e a Amazon Leo no mercado brasileiro
A chegada da operadora chinesa amplia a concorrência no setor de banda larga espacial de baixa altitude no Brasil, segmento hoje liderado pela norte-americana Starlink, que cobra mensalidades na faixa de R$ 49 a R$ 619 em seus planos comerciais no país. A corrida por clientes em regiões afastadas dos grandes centros urbanos também conta com a participação da Amazon Leo, serviço que já teve um modelo de roteador homologado pela agência reguladora brasileira e cuja comercialização ficará a cargo da operadora Sky, mas que enfrenta atraso em seu lançamento comercial.
Até a publicação desta reportagem, a SpaceSail não havia confirmado a data exata de estreia de suas vendas no Brasil, nem os preços do kit de antena ou os valores das mensalidades que serão cobradas dos usuários. O próximo passo obrigatório para a empresa entrar em operação até o fim do quarto trimestre de 2026 é finalizar a implantação de suas estações terrestres, organizar a logística de importação dos terminais STG-S001-A0 e divulgar oficialmente a área de cobertura e as condições de contratação no país.
