Arqueólogos da Fundação Relicta (Fundacja Relicta) confirmaram a localização e o traçado urbano da cidade medieval desaparecida de Stolzenberg sob uma floresta próxima ao assentamento de Zagrody e à vila de Sławoborze, na Pomerânia Ocidental, noroeste da Polônia. O mapeamento da área cercada, de aproximadamente 6 hectares (cerca de 15 acres), identificou mais de 1.500 anomalias no terreno que indicam construções soterradas, além de um fosso defensivo e de uma praça central.
Os resultados das análises geofísicas e do escaneamento aéreo foram divulgados oficialmente em 16 de março de 2026 pela agência estatal polonesa Science in Poland (PAP). O estudo teve apoio e cofinanciamento do Ministério da Cultura e Patrimônio Nacional da Polônia, com colaboração do Grupo de Exploração e Busca Parsęta, de Kołobrzeg. “Em uma área de aproximadamente seis hectares, cercada por uma muralha e um fosso, detectamos mais de 1.500 anomalias, características incomuns do terreno, sugerindo a presença de estruturas soterradas, como edifícios antigos. As perfurações confirmaram a presença de tais camadas, ultrapassando dois metros de profundidade”, afirmou Piotr Wroniecki, arqueólogo da Fundação Relicta, em tradução livre.
Mapeamento a laser de Stolzenberg revelou praça de mercado e fosso de 5,5 metros
Para confirmar a existência da estrutura urbana às margens do rio Pokrzywnica sem a necessidade de grandes escavações imediatas, os pesquisadores realizaram, em 2025, baterias de análises geofísicas não invasivas, perfurações geológicas no solo e escaneamento aéreo por drone equipado com tecnologia LiDAR — sistema que emite pulsos de laser para medir o tempo de retorno e desenhar o relevo oculto sob a copa das árvores. A operação do drone nos levantamentos a laser foi conduzida pelo doutor e pesquisador Marcin Maciejewski, enquanto o arqueólogo Marcin Krzepkowski, também da Fundação Relicta, coletou dados em uma área total de pesquisa que abrangeu 25 hectares na região florestal.
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Os dados tridimensionais revelaram um assentamento protegido por muralhas de terra (terraplenos defensivos) e por um fosso em formato de ferradura. Devido à cobertura florestal que impediu o avanço de construções modernas sobre o terreno ao longo dos séculos, esse fosso medieval ainda preserva cerca de 5,5 metros (18 pés) de profundidade. No interior do perímetro fortificado, as leituras apontaram o desenho de uma rua principal que seguia até o antigo portão da cidade.
“Na parte central, uma provável praça de mercado é visível, cercada por lotes burgueses, dos quais apenas alguns foram construídos, bem como o curso da rua principal que leva ao portão da cidade”, disse Wroniecki. As perfurações geológicas feitas pela equipe atestaram que as camadas culturais de ocupação humana acumulam mais de 2 metros de profundidade sob o solo atual da mata.
Localização, dimensões e órgãos responsáveis pela pesquisa em Stolzenberg
- Localização do sítio: área florestal às margens do rio Pokrzywnica, perto de Zagrody e Sławoborze, na Pomerânia Ocidental, noroeste da Polônia.
- Instituições envolvidas: Fundação Relicta (Fundacja Relicta), Grupo de Exploração e Busca Parsęta e Ministério da Cultura e Patrimônio Nacional da Polônia.
- Divulgação oficial dos dados geofísicos: 16 de março de 2026.
- Dimensões mapeadas: cerca de 6 hectares de área urbana cercada, dentro de um perímetro de 25 hectares de coleta de dados.
- Estruturas e medidas registradas: mais de 1.500 anomalias subterrâneas, camadas de ocupação com mais de 2 metros de profundidade e fosso defensivo com 5,5 metros de profundidade atual.
- Acervo recolhido em campo: mais de 400 artefatos metálicos localizados entre 2020 e 2021.
Pista em livro de 1909 e moedas do século XIII guiaram buscas por Stolzenberg
A investigação em campo começou em 2019, quando os arqueólogos cruzaram registros do século XVI, literatura alemã do século XIX e um livro alemão publicado em 1909 sobre o antigo condado de Kolberg-Körlin. Esses documentos mencionavam a existência de uma cidade “morta” ou deserta nas imediações de Sławoborze e preservavam topônimos locais ligados a um antigo centro urbano, como “Alt Stadt” (Cidade Velha, em alemão) e “Hospital”. O próprio nome histórico em alemão da vila vizinha de Sławoborze era Stolzenberg, o que levou os cientistas à conclusão de que a área encontrada sob a floresta pode ter sido o local original do assentamento antes de uma transferência ou de seu rebaixamento à condição de vila rural.
Nos levantamentos preliminares realizados com detectores de metais entre 2020 e 2021, o grupo resgatou mais de 400 objetos metálicos na área. Embora o terreno tenha guardado peças que vão desde a Idade do Bronze até a Segunda Guerra Mundial, o núcleo principal do acervo é composto por ferramentas, fechos de cinto, broches, fivelas de casaco e moedas de prata datadas dos séculos XIII ao XV. Entre os exemplares monetários identificados estão bracteatos medievais — moedas finas de prata cunhadas em apenas uma das faces — originários das cidades de Strzałowo e Szczecin, além de um denário emitido no século XIII por Barnim II, então duque da Pomerânia.
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“Os artefatos mais valiosos para nós foram os medievais, confirmando que o local estava em uso na época. Estes incluíram moedas de prata, elementos metálicos de cintos e fechos de casacos típicos do traje burguês medieval”, declarou Marcin Krzepkowski, em tradução livre.
Diferença entre o sítio polonês de Stolzenberg e as cidades subterrâneas da Capadócia
Apesar de o achado arqueológico ter circulado em outubro de 2026 com a denominação de “cidade subterrânea”, Stolzenberg foi projetada e erguida inteiramente na superfície. Seus alicerces, ruas e estruturas defensivas ficaram soterrados a mais de dois metros de profundidade pelo acúmulo de terra, sedimentos e vegetação florestal ao longo de centenas de anos. A formação difere de complexos subterrâneos escavados diretamente na rocha, como as cidades de Kaymaklı e Derinkuyu, na região da Capadócia, na Turquia, que possuem redes de túneis e câmaras abaixo do solo reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como parte do patrimônio de Göreme.
Na Polônia, a análise do desenho urbano de Stolzenberg demonstra que o assentamento seguia o padrão das cidades planejadas na Europa Central sob a lei alemã, conhecida historicamente como Direito de Magdeburgo ou de Lübeck, conjunto de normas medievais que regulava a autonomia municipal e a divisão de lotes comerciais. Testes de datação por carbono-14 apontam que a fundação ocorreu no final do século XIII ou no início do século XIV.
Fundação e abandono de Stolzenberg ainda dependem de novas escavações
A autoria exata da fundação de Stolzenberg ainda não tem confirmação documental definitiva, mas os arqueólogos apontam os Margraves de Brandemburgo — governantes de um território fronteiriço do Sacro Império Romano-Germânico que controlavam a região vizinha de Neumark — como os criadores mais prováveis da cidade, concebida possivelmente como um posto avançado de fronteira. Também não há consenso documental sobre a duração da ocupação, nem dados confirmados sobre o tamanho da população ou as causas que levaram ao esvaziamento completo do núcleo urbano, cujas hipóteses incluem enchentes, desvios em rotas comerciais, declínio econômico ou conflitos militares.
“Não podemos dizer qual era sua população ou por que a cidade foi abandonada. Geralmente, mais de um fator determina o declínio de uma cidade”, afirmou Krzepkowski. Segundo o arqueólogo, novas etapas de campo são necessárias para responder às questões em aberto: “Nosso trabalho revelou um quadro geral da cidade, mas pesquisas de sondagem seriam necessárias para determinar as causas de seu declínio”. A próxima fase de escavações arqueológicas no local deve concentrar as buscas nos vestígios da antiga igreja e do cemitério mencionados nos registros históricos.
